INFOGRÁFICO: Quais são os passos da Cidadania Italiana 🇮🇹

INFOGRAFICO CIDADANIA TESTE

Para saber mais informações acesse a página da ARX Cidadania Italiana

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50 fatos curiosos sobre a Itália (Parte 2) 🇮🇹

1. A Itália é o quinto país mais populoso do mundo, com 61 milhões de habitantes, e a sétima maior economia mundial.

2. A Itália tem 53 Patrimônios Mundiais da UNESCO, 70% do patrimônio histórico e cultural, isto é, o maior número entre todos os países.

3. Na Itália, além de comemorar o aniversário, as pessoas costumam te parabenizar no dia do santo que tem o mesmo nome que o teu, e é chamado de “onomástico”

4. A máfia italiana não é glamourosa como retratada nos filmes que ficaram famosos na América. É uma força silenciosa e sombria que está infiltrada em pontos chave da política e da economia italiana. Purtroppo. 😐

5. Mais de um terço da população entre 30 e 35 anos ainda mora com os pais.

6. A polícia de trânsito italiana tem duas Lamborghinis no modelo Gallardo à disposição.

7. Na Itália, há uma estátua de bronze de Jesus Cristo submersa, de 2,5 metros. Ela fica na baía de San Fruttuoso, entre Camogli e Portofino, na Ligura.

8. Em um museu de Florença, você pode visitar o dedo médio, o dedão e o dente de Galileu.

9. As gôndolas de Veneza devem ser pintadas de preto de acordo com uma lei.

10. Acredita-se que Poveglia, uma ilha em Veneza, seja tão assustadoramente assombrada que ela não é aberta à visitação. Ela também é conhecida como ilha dos mortos pois os cadáveres (e pessoas vivas mas condenadas pela peste) eram levados para lá e queimados.

11. Em Milão, existe uma lei muito antiga que exige que as pessoas sorriam o tempo todo, exceto em funerais e visitas a hospitais.

12. Ferrari e Rossi são os sobrenomes mais comum na Itália.

13. Em Falciano Del Massico, uma cidade na Itália, já foi contra a lei morrer, devido a super lotação do cemitério.

14. A Itália tem mais obras de arte por quilômetro quadrado do que qualquer outro país do mundo.

15. A Itália é responsável por apresentar o sorvete ao mundo – além do café e da torta de frutas!

16. Quando o primeiro McDonald’s foi fundado em Roma em 1986, alguns protestantes distribuiram espaguete de graça na frente da lanchonete para lembrar a população sobre a “herança culinária” do país.

17. Os italianos foram os criadores de diversos tipos de queijo, como o parmesão, gorgonzola, mussaarela, provolone e ricota.

18. Ninguém sabe exatamente quando a pizza foi inventada, mas foi em Napoli, na Itália, que ela foi popularizada.

19. Os tomates vieram da América e foram introduzidos na Itália apenas em 1540.

20. A universidade mais antiga da Itália é a University of Bologna, fundada em 1088.

21. Devido a um erro técnico em um festival da uva em Marino, na Itália, saiu vinho de algumas torneiras nas casas dos habitantes da cidade. Na época, em 2008, começaram a dizer que era um milagre até descobriram a falha.

22. Os homens podem ser presos se usarem saia em público.

23. Existe um restaurante construído em uma gruta em Polignano a Mare, chamado Grotta Palazzese.

24. Em 1968, um italiano construiu uma plataforma na costa do país e se autonomeou presidente da sua micro nação. O governo conseguiu controle da plataforma e a explodiu.

25. Existe um coelhinho de pelúcia de 55 metros de comprimento no topo de uma montanha na Itália, que pode ser visto pelo Google Street View.

26. A Itália foi o primeiro país da Europa a usar o garfo por causa do macarrão.

27. Aproximadamente 3.000 euros em moedas são jogados anualmente na Fontana di Trevi, em Roma, para fazer pedidos.

28. A população da Itália quase duplicou no século 20.

29. Um terço dos italianos nunca usou a internet.

30. O maior túnel do mundo tem 57 quilômetros e liga a Itália à Suíça por baixo dos Alpes. Ele levou 17 anos para ser construído.

31. San Marino é um país dentro da Itália e a república mais antiga do mundo, fundada em 301 d.C.

32. Na Itália, ao invés do 13, o 17 é o número de azar.

33. A pizza marguerita surgiu como uma representação da bandeira italiana: manjericão (verde), tomate (vermelho) e muçarela (branco).

34. Os italianos trabalham em média 43 horas por semana.

35. A cidade de Viganella, na Itália, é cercada por grandes montanhas que tapam os raios do sol por seis meses todos os anos. A solução foi instalar espelhos gigantes para refletir a luz do sol na cidade. A mesma coisa foi feita em Rjukan, na Noruega.

36. A primeira mulher do mundo a receber um diploma acadêmico e também a primeira a receber se tornar doutora com um PhD foi italiana. Ela conseguiu fazer isso em 1678.

37. Há 417 pontes em Veneza – 72 são privadas.

38. Existe uma fonte de vinho tinto na Itália, em Abruzzo, que funciona 24 horas por dia. E todos podem beber dela.

39. Nos centros históricos das cidades não é permitido transitar de automóvel.

40. A Universidade de Roma é a maior da Europa, com 150.000 estudantes, e também uma das mais antigas, fundada em 1303.

41. O Vaticano é o único país do mundo que pode fechar seus portões à noite. Literalmente. Ele é o menor país do mundo.

42. O Brasil foi um dos países que mais receberam imigrantes italianos vindos em sua maior parte das regiões do Vêneto, Campânia, Calábria, Lombardia e Abruzzo.

43. A Itália é o país com maior número de vulcões da Europa.

44. Entre 1861 e 1985, mais de 26 milhões de pessoas deixaram a Itália à procura de uma vida melhor na América.

45. Mais de 50 milhões de turistas visitam a Itália todos os anos. De fato, o turismo representa 63% da renda nacional.

46. Famosas marcas são italianas, como Armani, Versace, Gucci, Prada e Valentino. O país é considerado uma das capitais da moda.

47. A primeira ópera do mundo foi composta na Itália no final do século 16. Chama-se Dafne, escriita por Jacopo Peri e Rinunccini.

48. A cor azul da camisa da selecão italiana de futebol é a cor da monarquia – apesar da Itália não ser mais uma monarquia. Falando em futebol, a Itália participou de seis finais de Copa do Mundo, atrás apenas da Alemanha e do Brasil. Ela foi campeã em 1934, 1938, 1982 e 2006.

49. Algumas personalidades brasileiras de origem italiana: Lélia Abramo, Alessandra Ambrosio, Giovanna Antonelli, Ana Paula Arósio, Morena Baccarin, Adoniran Barbosa, Lina Bo Bardi, Rubens Barrichello, Luigi Barricceli, Nair Bello, Tony Bellotto, Leonardo Boff, Victor Brecheret, Luciano Burti, Adriana Calcanhotto, Mino Carta, Igor Cavalera, Max Cavalera, Rogério Ceni, Renata Ceribelli, Victor Civita, Marina Colasanti, Juliana Didone, Dunga, Miguel Falabella, Débora Falabella, Priscila Fantin, Laura Finocchiaro, Emerson Fittipaldi, Christian Fittipaldi, Isabeli Fontana, Giulia Gam, Emílio Garrastazu Médici, Elio Gaspari, Zélia Gattai, Reynaldo Gianecchini, Bruno Giorgi, Egberto Gismonti, Gianfresco Guarnieri, Bruna Lombardi, Maurren Maggi, Anita Malfatti, Felipe Massa, Amácio Mazzaropi, Júlio Medaglia, Fernando Meligeni, Fernanda Montenegro, Marco Nanini, Emilio Orciollo Neto, Giuseppe Oristanio, Sabrina Parlatore, Luana Piovani, Zizi Possi, Luiza Possi, Orestes Quércia, Carlos Alberto Ricelli, Renato Russo, Rodrigo Santoro, Luiz Felipe Scolari, Deborah Secco, José Serra, Eduardo Suplicy, Mário Zagallo, Kiko Zambianchi e Zetti.

50. A população da Itália é a terceira mais velha do mundo, atrás apenas do Japão e da Alemanha.

🇮🇹

7 razões pelas quais escolhi viver na Itália 🇮🇹

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Apesar de eu nunca ter pensado nisso nas primeiras vezes que pisei meus pés no solo de meus ancestrais, fui percebendo ao longo do tempo que aquilo que a princípio era apenas uma escolha do coração também poderia significar mudanças profundas sobre o meu modo de pensar e agir, pois aqui no Brasil a gente se acostuma a muitas coisas ruins de uma forma tão natural que chega ao ponto de quase não acreditar que merecemos coisa melhor. Se você não sabe (ou ainda não despertou) para o que estou falando, deixe que esse vídeo fale por mim.  Eu já estava buscando estas mudanças fazia algum tempo e revendo vários conceitos sobre o que eu considero fundamental para mim e os acontecimentos da minha vida me levaram até a Itália.

Se foi fácil deixar um emprego bem estabelecido para começar tudo do zero? Bom isso aí é pauta para outro post e eu confesso que ainda não estou preparada para falar a respeito. Até porque, como diz o célebre Homem-Aranha, grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e não é porque você se muda para o exterior que sua vida entra no modo divino, maravilhoso da noite para o dia. Mas que deixa de ser de tudo ruim, ah isto sem dúvida.

Eu sei que muitos de vocês já leram textões em que os donos da verdade rechaçaram aqueles que se atreveram a querer algo mais que o pouco (quase nada, para dizer a verdade) que o Brasil nos oferece, dizendo que isso é coisa de geração Nutella e muita ingenuidade afirmar que se pode deixar um trabalho de “carteira assinada” para sair pelo mundo com um mochila nas costas e alguns dólares ou euros nos bolsos para trabalhar em subempregos em outros países.

É que eles se esquecem que ingenuidade mesmo é uma pessoa pensar que mesmo que ela se esforce e consiga estudar, fazer cursos e trabalhar bastante durante boa parte de sua vida produtiva, ela irá conseguir se realizar profissional e pessoalmente em um país que acha normal seus governantes viverem como reis enquanto pessoas morrerem em filas de hospitais porque o Governo cortou ou reduziu para zero as verbas da saúde sendo que nós pagamos um dos impostos mais altos do mundo.

Ingenuidade mesmo é pagar um trilhão de impostos só no primeiro trimestre de 2017, e achar que, só por isso, seu filho poderá ter acesso a uma escola quiçá razoável e frequentará as melhores universidades ou poderá dispensar o pagamento daquele plano de saúde que aumenta três vezes mais do que o dissídio anual e é praticamente a mesma coisa que o SUS: filas para agendar, filas para ser atendido e acesso ao mais básico do básico do básico. Ou nem isso.

Ingenuidade, meus caros, é uma pessoa pensar que por ter 50 anos de idade e 30 de profissão ela vai começar a ser mais valorizada por sua experiência em um país que descarta seus profissionais mais velhos para poder pagar mais barato para um estagiário, exigindo dele a mesma qualidade e responsabilidade de alguém forjado pelos desafios e pelos anos de ofício.

Mas afinal, por quê a Itália?

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Eu sei, eu sei… Brasileiro que é brasileiro mesmo sonha em morar na terra do Tio Sam. Ou ser empreendedor no Canadá, estudar na Austrália. Mas acontece que eu trago em mim o idealismo e a coragem insana de um certo Sante Venturin, que saiu de lá de uma cidadezinha do Vêneto pra essa tal de Mérica na certeza infalível de que QUEM BUSCA E FAZ, ALCANÇA.

Não estou dizendo que a Itália seja o melhor lugar do mundo para se viver (embora seja o melhor lugar do mundo para mim e para muitos descendente que, assim como eu tem um apego sentimental a este país lindo e cheio de riquezas históricas e naturais que só me deu coisas boas até hoje😍).

Pode ser que você que está lendo tudo isso seja um cara *pica das galáxias em TI e encontre muito mais oportunidades nos países onde esta área seja realmente mais desenvolvida e a mão de obra especializada mais escassa. Pode ser que você queira se reconhecer cidadão italiano e ir morar na Alemanha. Ou em Portugal. Ou aprender a falar francês. E está tudo bem também. Este texto não é (e nem jamais será, um guia absoluto – ultimate – DIY para quem está pensando em dar um passo em busca do desconhecido. Minha única intenção é mostrar para vocês as minhas razões particulares sobre ter escolhido a Itália como minha casa dolce casa, mostrar que existe sim novas oportunidades e coisas melhores fora do seu quintal.

Quem sabe, sendo um pouco pretensiosa, até inspirar pessoas a realizar os seus sonhos mesmo diante de todas as dificuldades que isto implicar no início. Pois olha, amiguinhos, o início é ferrado mesmo. Pra todo mundo. Mas a recompensa é acordar todo dia e dizer: hoje estou vencendo mais uma vez e amanhã eu tento de novo.

Bom vamos, lá. Porque eu acho que a Itália é um excelente lugar para se viver:

1) O que é do outro não é meu

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Este gnomo estava “dando bobeira” em frente à uma residência em Vicenza. 

Quem roubaria um gnomo? 🕵 O mesmo ser que rouba um vaso de orquídea dentro de uma residência. O mesmo ser que pensa que pode PEGAR algo de alguém porque não está disposto a pagar para tê-lo. E também não está disposto a pedir porque acha que tem o direito nato de invadir o espaço alheio para fazer o que bem entender. O mesmo tipo de ser menefreguista que está se lixando para quem quer que seja.

Ok, alguns menos sensíveis dirão que meu exemplo é ridículo mas a primeira impressão que eu tive deste país é que é este é um lugar onde o lema o que é do outro não é meu funciona. Digo isso pois eu já passei por muitos lugares, cidades grandes e pequenas, no norte e no sul e, na maior parte delas (com exceção obviamente das mais populosas como Roma e Napoli onde você tem que ter um cuidado maior para não perder seus pertences), não é porque você deixa um vaso de flor em frente à sua casa ou seu escritório que um engraçadinho pode ir lá, achar o vaso super bonito e levar embora.

No Brasil, minha mãe coleciona orquídeas e as deixam penduradas na varanda da frente de casa. Não foram poucas as vezes que deliberadamente 🕵ENTRARAM (abrindo o portão ou pulando o muro) e furtaram 🕵 alguns de seus exemplares. Também furtaram jornais, revistas que eu assinava e uma cadeira daquelas de cordinha (que eu particularmente detesto). Mas lembrem-se, as orquídeas de minha, as revistas e jornais e a cadeira, estavam dentro da varanda de minha casa e não na rua como as flores dos italianos… 🕵

2) A dura realidade do faroeste tupiniquim nos transforma em neuróticos

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Vida e morte brasileira: é tiro, porrada e bomba

Você já ligou a TV e teve vontade de deitar no chão em posição fetal e chorar? Eu já, muitas vezes. Hoje eu nem assisto mais TV pois ela nos cria uma paranoia constante. Mas antes que alguém diga que sou uma alienada eu queria informar que já atuei como jornalista e cansei de cobrir a nossa dura realidade onde a tríade (drogas – crime – impunidade) reina absoluta.

No Brasil, além de correr o risco de ser vítima de bala perdida, ser estuprado, ser assaltado em plena luz do dia no ponto de ônibus a caminho do trabalho, levar uma fechada no trânsito e receber um tiro na testa se você tirar satisfação com um motorista psicopata, você sai de casa todos os dias sem ter a certeza de que você irá voltar (isto em mais ou menos intensidade dependendo de onde se vive no Brasil).

Mas se você é pragmático como eu e gosta de dados, um recente levantamento divulgado pelo Atlas da Violência 2017 vai te deixar perplexo pois ele mostra que todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam o número de homicídios registrado no Brasil em três semanas de 2015.

Não vou nem me atrever a falar sobre violência de gênero e idade (mulheres, crianças e idosos) ou de etnia (índios, negros) pois isto daria assunto para mais de dias.  Parece mentira, exagero midiático dos Datenas e Marcelos Rezendes da vida, mas os dados não mentem.

3) Nós, brasileiros, estamos acostumados a sermos maltratados

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Direitos Fundamentais dos Cidadãos, ata.

A Constituição Brasileira de 1988 é tão linda, mas tão linda que eu passaria horas declamando-a como se fosse um poema pois, na prática é nada mais que isto: um texto romântico que não garante nem mesmo o mínimo dos direitos fundamentais de grande parte dos cidadãos brasileiros.

O artigo 5º, por exemplo, diz que somos todos iguais perante a lei em cinco dimensões: Vida, Liberdade, Segurança, Igualdade e Propriedade. Mas, será que somos mesmo? Que diferença exite entre o ladrão que rouba e mata um transeunte para ficar com o relógio dele e aquele político que rouba o dinheiro do povo e mata pessoas que ficam sem acesso à saúde e à mercê de hospitais sucateados? A diferença é bem simples: o primeiro paga (ou não) pelo seu crime sendo preso (com atenuação de pena, obviamente, sendo sustentado pelos impostos que o cara que ele matou e os outros caras ainda vivos estão pagando). Já o segundo também pode chegar a ser preso. A tal da Lava-Jato está aí para mostrar que milagres (ou utopias) acontecem. Mas o fato é que este tipo de bandido cumpre prisão em sua mansão com o maior conforto, sendo representado pelos melhores advogados do mundo, com a serenidade de quem sabe que seu dinheiro (ou melhor, o dinheiro que ele roubou do povo) está em paraísos fiscais. Sendo ele um intocável (é, galera, não é só na Índia que existem as castas) ele nunca será rebaixado à classe trabalhadora e, carreirista que é, possivelmente vai se candidatar a outros cargos públicos no futuro (o que é permitido por lei mesmo ele tendo sido pego em esquemas de corrupção) e alçará cargos políticos cada vez maiores e mais rentáveis.

Do artigo 6º ao 11 a Constituição trata dos direitos sociais e diz que todos os cidadãos brasileiros (e naturalizados) tem direito ao acesso à bens fundamentais: Educação (oi?), Saúde (#sqn), Alimentação (oi?), Trabalho (o índice de desemprego manda um abraço!), Segurança (risos), Moradia (para quem mesmo?), Lazer (aquele antigo jogo da cobrinha conta como lazer de graça?), Segurança, Previdência Social (oi?), Proteção à Maternidade e à Infância (como é?), Assistência aos Desamparados (tipo um ombro amigo?), transporte (ata, o busão e o metrô é baratinho!).

3) Qualidade de vida não é medida por poder de consumo

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Compro, logo existo.

Na Itália, diferentemente do que ocorre no Brasil, as necessidades primárias de um cidadão são bens fundamentais que não dependem de quanto ele ganha ou quanto ele pode pagar para ter. Claro que é importante ter um bom trabalho e ganhar bem, no entanto, quando você tem contato com a qualidade de vida de um cidadão europeu, você realmente repensa a vida que se tem no Brasil, onde corremos desenfreadamente para ganhar mais dinheiro e poder pagar por uma vida melhor enquanto nos entupimos de antidepressivos e álcool para conseguir aguentar una vita da cane de trancos e barrancos.

Enquanto o brasileiro está gastando aos tubos pra poder ir pra Disney e se endividando cada vez mais para ter o último lançamento do iPhone ou pagando 300% de juros de cartão de crédito para manter um padrão de vida socialmente aceitável, o italiano está lá trabalhando, pagando seus impostos, fazendo suas compras, usufruindo de todas as benesses de um país de primeiro mundo sem nunca, JAMAIS, mai deixar de se aproveitar também da simplicidade prazerosa da dolce vita. Se tem um povo que sabe aproveitar a vida este povo é o italiano.

Trocando em miúdos, o comportamento de consumo de um italiano D.o.C. (isto é, aquele não americanizado) não é um objetivo em si como ocorre no Brasil Ostentação, mas apenas uma consequência natural e saudável de seu trabalho diário, quem ganha mais gasta mais e quem ganha menos não se mata por isso nem deixa de ter acesso à coisas básicas que uma pessoa deve ter.

4) Só não estuda quem não quer

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Liceo italiano

A educação na Itália é gratuita. Só não estuda quem não quer. Desde o maternal, ensino fundamental e médio até a universidade, a educação é pública, gratuita e com uma qualidade excelente. As escolas e universidades italianas não são sucateadas como as escolas e universidades do Brasil, no qual o Governo lucra para manter sua população com pouca instrução e mantém os professores desmotivados e despreparados pagando um salário de fome.  Um outro detalhe: o esporte é levado a sério na Itália e é uma prática muito estimulada entre os jovens. Tenho um grande amigo que vive em Arezzo que pratica esgrima desde pequeno e hoje em dia é um schermitore professionista e também um ótimo profissional na área de desenvolvimento de APPs. Ele nunca precisou se endividar nem pagar FIES pra poder ter direito à uma universidade. Ah, ele também é da classe trabalhadora, não é filho de milionários e nem vive de herança de família.

5) A criança italiana ainda pode brincar na pracinha

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Sogno: bimbi che giocano nella strada 👶

Você deixaria seu filho de 6, 7, 10 anos ir brincar com os amiguinhos na praça da sua cidade? Bom, o meu tem 8 anos e eu jamais permiti que ele fosse buscar pão desacompanhado na padaria da esquina de minha casa no Brasil. Sei que não é muito inteligente afirmar que TODAS as cidades italianas possuem este nível de segurança mas na MAIOR PARTE delas SIM, o seu filho pode giocare tranquilamente com os amiguinhos da rua como fazia a minha geração na infância em vez de ficar enfiado dentro de casa em frente o computador ou o maledetto video giochi.

6) O salário mínimo brasileiro é mínimo MESMO

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E o salário, ó….

O salário mínimo de um italiano varia de 1000 a 1400 euros em média. Ganhando este valor per capita ao mês uma pessoa tem perfeitas condições de pagar o aluguel de um imóvel razoável (mais caros nas cidades maiores e mais baratos em cidadezinhas menores ou no Sul da Itália); despesas comuns como água, luz, telefone, energia elétrica, alimentação e gás (a não ser que você faça como eu e deixe o termosifone ligado full time 😱 no inverno e depois se depare com um boleto de 300 euros só de gás); um pouquinho de vida social (afinal ninguém é de ferro!); fazer algumas viagens ao ano, ir ao cinema e movimentar a economia local com algumas comprinhas vez ou outra. Mas estou falando de salário MÍNIMO, pessoas normais que trabalham todos os dias e não vivem de herança e não são donos de multinacionais, modelos ou jogadores de calcio.

No Brasil, 1 pessoa que ganhe 1 salário mínimo ( R$ 937 ) não é capaz nem de pagar o aluguel do imóvel que vive, que dirá a conta de luz, a água, a internet, o plano de saúde, a escola dos filhos (ah, sim, afinal nós temos filhos mais cedo que os italianos), a comida, a roupa que veste, o combustível do carro que anda, a cerveja que bebe. Para poder fazer uma mísera viagem no ano então, nem se fala! Dá-lhe parcelas de cartão! Dá-lhe empréstimo (se o banco autorizar e o nome não estiver sujo)! Ou, na melhor das hipóteses, se você for o CEO da empresa que você trabalha. Ou mesmo o gerente. Este sim, pode se dar ao luxo de ir em shows gringos, curtir uma praia com a família, pagar as contas em dia e poder contar com hospitais de primeira se ficar doente.

Embora os dados abaixo dependam de muitos fatores, eles podem te dar uma ideia do que é ser um trabalhador na Itália:

  • Nenhuma Qualificação (lixeiro, auxiliar de cozinha, auxiliar de pedreiro, doméstica)
    – 1000 euros mensais + 13º e às vezes 14º. É o salário mínimo italiano.
  • Qualificação mediana (porteiro, motorista de ônibus, digitador, cobrador de trem)
    – 1200 euros mensais + 13º e às vezes 14º.
  • Qualificação técnica (técnico em informática, manutenção, mecânico, eletricista)
    – 1400 mensais + 13º e às vezes 14º.
  • Qualificação – Ensino Superior
    Varia de acordo com o cargo (responsabilidade, hierarquia)
    – Médico/Advogado/Engenheiro: 2000-5000 euros mensais.
    – Outros: 1500-5000 euros mensais.
  • Encanador/Eletricista/Marceneiro
    – 25 euros por hora + custo da visita (mínimo 20 euros)
  • Médico
    – 80-150 euros a consulta
  • Outros (advogado, engenheiro, dentista, fisioterapeuta)
    – a partir de 20 euros/hora

 

7) Viver em um país que valoriza seu patrimônio histórico e cultural NÃO TEM PREÇO

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Firenze 😍

Não é novidade pra ninguém mas, se você ainda não sabe, a Itália é o país que detém a maior quantidade de lugares que são considerados Patrimônio Mundial da Humanidade, declarados pela Unesco. E sabe por quê? Porque o povo italiano não despreza sua história e sua cultura como fazemos aqui no Brasil. Na Itália o conceito de tombamento histórico é algo que funciona de verdade e não esta palhaçada que ocorre no Brasil. E tem mais um detalhe: museus e lugares históricos não são privilégio apenas de ricos não. Se você for meio pobrezinho na Itália e quiser visitar algum museu você pode: no primeiro domingo do mês os museus italianos são GRATUITOS. Isto pode parecer uma grande bobagem se você não avaliar o que está por trás: o acesso à educação de qualidade, à memória, à cultura e à arte tem um enorme poder de transformação social e pode impactar positivamente na formação de um indivíduo. E é num país como este que eu quero que o meu filho cresça e aprenda seu próprio caminho para a felicidade.

Gratidão!

Paula Venturin

Porque os brasileiros não foram feitos para o inverno europeu

Faz uma semana que estou na Itália e este ano o inverno tem sido bem rigoroso em quase toda Europa. Se, por um acaso do destino, eu tivesse aterrisado nas primeiras semanas de Fevereiro neste momento não teria forças para escrever já que estava tudo coberto de neve por aqui e eu estaria congelada. E, só para que vocês tenham uma pequena ideia, eu não me encontro perto da Suíça mas no Sul da Itália, um lugar onde a neve não é uma coisa usual.

Embora eu realmente deteste o calor infernal do Brasil – que deixa o corpo cansado e faz as noites se tornarem insuportáveis sem o auxílio de um bom ar condicionado de temperaturas glaciais – não posso dizer que eu amo o inverno europeu e não sei se amarei algum dia. 

A grande maioria dos brasileiros, na qual também estou incluída, diz que ama o inverno justamente por não saber o que é VIVER no inverno. Uma coisa é curtir uma semana de férias durante uma viagem internacional em um hotel razoável com o aquecedor ligado no máximo e beber todos os dias (afinal, férias é jaca total, né?!) e outra é tentae estabelecer uma rotina prazerosa quando as temperaturas estão abaixo de 5°. Vamos aos fatos:

1 – Definitivamente, a NEVE não é legal

Se você não é um esquiador profissional, muito menos um Husky Siberiano, a neve é um saco. Congela os encanamentos das casas, torna as estradas perigosas, faz a gente ter que usar sapatos bizarros e faz qualquer atividade se tornar um verdadeiro desafio. A combinação neve + vento é uma coisa do capiroto. 😈❄

2 – Ir no banheiro é uma TORTURA

Como não transpiramos muito nos dias frios é natural que tenhamos que ir mais vezes ao banheiro e, por mais que você queira evitar ao máximo as idas ao banheiro (o que não é nenhum pouco saudável e pode até te causar infecções na bexiga), não há NADA que possamos fazer para evitar o terrível encontro do bumbum com o assento sanitário. 

3 – Tomar banho deixa de ser relaxante e se torna um verdadeiro HORROR

Se no Brasil a gente ama tomar um belo banho relaxante e aproveita para soltar a voz, aqui a verdade é que o banho começa a ser um momento que você faz de tudo para retardar. Não sei dizer o que é pior: tirar a roupa, esperar a água esquentar, regular a temperatura da água (pra não se queimar), ter coragem de sair do banho ou se enxugar. Decidam entre vocês.

4 – É bem provável que façamos combinações RIDÍCULAS

Por estarem acostumados a baixas temperaturas desde pequenininhos, os europeus conseguem manter a elegância no inverno e não se vestem até ficar como um urso polar. No entanto, a nós que nascemos abaixo da linha do Equador, este frio é algo que chega a doer nos ossos. Na tentativa desesperada de nos manter aquecidos, surgem looks bem bizarros e chega um momento que você considera uma boa ideia sair de casa usando o pijama flanelado por baixo da parafernália toda. Sem contar as 4 meias calças e uma legging por baixo da calça que também são um hit.

5 – As roupas simplesmente NÃO SECAM no varal

A primeira coisa que descobrimos quando lavamos roupa aqui na Europa é que não sabemos quando a roupa ainda está molhada ou está apenas gelada. Por demorarem MUITO mais tempo que o normal para secarem (caso você não tenha uma secadora), o ideal é que você lave quantidades menores de roupas por vez aproveite para secar as peças mais pesadas colocando-as próximas às janelas ou perto do aquecedor. 

6 – Aceitar o fato de que as 17hs já escureceu

Esta, para mim, é uma das coisas mais complicadas do inverno europeu. Você acorda, se prepara para ter uma giornata fantática e produtiva e, assim, de repente, o dia já se foi e está tudo escuro. Do nada. É meio brochante para nós que somos seres solares mas, com o tempo, se acostuma. 

7 – Jura que VAI FAZER MAIS FRIO? 

Se por um acaso vemos na previsão do tempo de algum telejornal que a temperatura vai cair mais é como se algo gritasse dentro da gente: #QualANecessidadeDisso? 

8 – O bendito NARIZ VERMELHO

Não importa se você é praticamente a rainha dos tutoriais de maquiagem ou manja das combinações de sombra e batom, o centro das atenções de seu rosto será sempre o nariz vermelho e, se você não cuidar da pele com uma boa camada de Bepantol ou Óleo de Rosa Mosqueta antes de dormir é bem provável que em pouco tempo seu rosto todo esteja “queimado” e hiper sensível. Aí, nem maquiagem salva. O mesmo vale para os lábios que sofrem horrores com o frio.

9 – Fica difícil ser SEXY

Sabe aquela lingerie maravilhosa ou aquela underwear caprichada? Pois é, ela vai estar bem UNDER, embaixo de quase uma tonelada de lãs, malhas, casacos, meias e etc. Despir-se disso tudo antes de partir para ação é quase como a mesma sensação que a ovelha tem quando é tosquiada. 😅

10 – Comer saudável é para os fortes

Se no Brasil é possível ser musa fitness durante todas as estações do ano, aqui é praticamente uma missão impossível. Como resistir aos pratos típicos e calóricos do inverno? Nem o gelato a gente perdoa! 🍦🍨

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Da Itália 🇮🇹 às fazendas de café no Brasil 🇧🇷 : a trajetória dos imigrantes italianos

No final do século XIX, após inúmeras guerras em prol da Unificação Italiana, o país se encontrava com a economia debilitada, com epidemias de doenças (malária, cólera, pelagra), superpopulação concentrada nas cidades e desemprego, além de extrema pobreza e altas taxas cobradas pelo governo da Itália. Os italianos queriam fugir da mortificação da pelagra, das taxas sobre o sal e sobre a moagem do milho, o qual era usado para o preparo da polenta que era a alimentação mais barata na época. A burguesia odiava os camponeses pelo seu fervor religioso e os deixavam à própria sorte. Meeiros, colonos, trabalhadores braçais, viviam sob ameaça de perder a casa e o trabalho.

O movimento de migração na Itália começou por volta de 1860, quando os italianos se mudavam para outros países europeus. Em 1870 uma grande maioria começou a emigrar para os EUA, mas posteriormente os governantes americanos começaram a dificultar a imigração para os EUA, devido ao aumento de problemas causados por este contingente de imigrantes. Assim, seu destino passou a ser o Brasil e Argentina.

Estima-se que de 1870 a 1925 mais de 17 milhões de pessoas deixaram a Itália e se encaminharam para diversos países, espalhando-se pelo mundo. Os seus descendentes (que são aproximadamente 60 milhões!) são mais numerosos que a própria população atual da Itália. Só no Brasil, por exemplo, são mais de 25 milhões de descendentes. Mas quando se fala de imigração muitos ainda se perguntam: por que alguém deixaria seu país, sua cidade de origem, e cruzaria o mar rumo a um destino desconhecido e incerto?

A explicação é unânime na maioria dos livros e documentos que tratam deste assunto: a fome. No caso da Itália, a guerra e a unificação deixou um legado de pobreza. O serviço militar era obrigatório por três anos e retirava os homens do grupo familiar, anulando uma importante força de trabalho. A situação da Itália em meados de 1861 era péssima: se a população não morria de fome, padecia com a cólera, a malária e a pelagra.

No Vêneto, região localizada no norte da Itália e de economia tradicionalmente agrícola, os problemas eram muitos. Em 1882 um inverno muito rigoroso destruiu a produção das videiras e da forragem (necessário para a alimentação de animais nos países em que há neve) e nos anos seguintes a seca se instala e aumenta ainda mais o desespero da população já que torna a produção de alimentos quase que inviável. Taxas abusivas cobradas sobre o sal e sobre o milho com o qual se fazia a polenta – principal alimento e o mais barato da época – também castigava aqueles que tinham quase nada.

 

Correlação histórica com o Brasil

Se na Itália a situação andava de mal a pior, no Brasil, a economia experimentava um momento de expansão ocasionado pelo crescimento do comércio internacional de café. Mas, à medida que os movimentos abolicionistas tomavam corpo e tornavam-se mais fortes, cresciam também as preocupações com a manutenção das lavouras daquele precioso grão, já que o Brasil era totalmente dependente da mão-de-obra escrava. Neste período iniciam-se as discussões sobre a vinda de imigrantes para o Brasil e, a partir de 1870, com a introdução da mão-de-obra assalariada, a imigração, que antes era apenas uma opção, torna-se uma necessidade.A proibição do tráfico de escravos (1850), a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários (1885) culminaram com a abolição da escravatura (1888) e provocaram a criação de uma política de incentivo à imigração.

A autoridade para trazer imigrantes, antes sob controle do Governo Imperial, é delegada aos estados, à época chamados de províncias. A província de São Paulo, por exemplo, estabeleceu sua própria política de imigração. Os fazendeiros paulistas uniram-se e fundaram, em 1886, a Sociedade Promotora da Imigração, que se tornou responsável, pelo incentivo da vinda de imigrantes da Europa e da Ásia. Para isto, foi feita uma propaganda maciça, onde o Brasil era mostrado como um paraíso, uma terra de possibilidades (vide imagem).

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Panfletos em prol da imigração: “Terras no Brasil para os Italianos. Navios partindo toda semana do Porto de Gênova. Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidades. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O Governo dá terras e ferramentas para todos”. 

Entretanto, o processo de imigração não era tão simples assim. Havia muitas exigências e àqueles que decidissem trocar o Velho pelo Novo Continente. Passaporte para toda família, vacinas, entre outros requisitos obrigatórios. Antes de deixar a Itália, os imigrantes se preparavam durante meses e vendiam tudo o que não poderiam levar consigo. As roupas, objetos de uso pessoal e ferramentas eram acondicionados em grandes caixas de madeira, baús, arcas ou mesmo sacos. No dia da partida, era obrigatória a última visita ao cemitério, onde eles se despediam de seus pais e familiares. Visitavam também o pároco, do qual pediam a benção para afrontarem a longa travessia. A despedida era sempre banhada em lágrimas. Muitos deles nunca mais veriam o paese (pequena cidade) onde nasceram e do qual partiriam para a estação estação ferroviária mais próxima e, junto com tantos outros que lá se encontravam, seguiriam para o porto de Gênova, um dos principais portos de onde os imigrantes saíam.

Cada estação na qual que o trem parava a cena era a mesma: dezenas de homens, mulheres e crianças, subindo nos vagões carregados de bagagens. Após esta viagem rumo ao porto, deixariam a terra firme e atravessariam o mar em busca de uma vida melhor.

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Ferrovias italianas no período de 1961 a 1920, por onde as famílias passavam antes de chegarem aos portos e partirem para a América. 

Rumo à América

Ao chegarem ao Porto de Gênova, quase sempre, os imigrantes deviam esperar alguns dias, às vezes algumas semanas, pela partida do vapor que os levaria para a tão sonhada terra – a prometida América. Durante o período de espera da partida, muitos deles se viam desamparados e eram submetidos à toda sorte de provações, vendo muitas vezes, os seus poucos recursos economizados terminarem.

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Panorama do porto de Gênova, de onde os vapores partiam.

Roubos de passaportes, dinheiro e bagagens eram constantes. Os preços dos alimentos e dos albergues na área do porto eram inflacionados por comerciantes desonestos. A espera neste local era um prenúncio das dificuldades que ainda viriam após a viagem que poderia durar quase dois meses. Os candidatos à imigração que não preenchiam os requisitos exigidos pelo Governo eram barrados na hora da partida e permaneciam ali mesmo presos à terra que tanto os castigava.

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Posto de embarque de imigrantes italianos do Porto de Gênova. 

Durante os últimos anos da década de 1880, agentes do Brasil pululavam em Veneza e outras partes do Vale do Pó, estimulando “uma espécie de febre”, que levaria inúmeros trabalhadores agrícolas a partirem para o Brasil, “na esperança de lá encontrarem a terra prometida”, como escreveram os funcionários italianos de Treviso.

Alguns desses italianos até viajavam a pé, cruzando a maior parte do norte da Itália sob um rigoroso inverno, para tomar os navios que em Gênova prometiam passagem gratuita para Santos, um dos que mais receberam imigrantes. Mas o destino a que os imigrantes estavam fadados no Brasil era tão sombrio quanto este que eles estavam deixando para trás. Eles eram trazidos ao Brasil para um único propósito: fornecer mão-de-obra barata para as fazendas de café.

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Desembarque dos imigrantes no Porto de Santos. Foto: Acervo do Memorial do Imigrante. 

Desembarque no Brasil: percurso de Santos às lavouras de café

Os imigrantes chegavam sem saber o que iriam encontrar. Depois de enfrentar até 60 dias nos porões de um navio a caminho de uma terra estranha, o alívio só era sentido no momento do desembarque. Mas esta sensação iam desaparecendo no instante em que eles avistavam uma imensa muralha verde que mais parecia intransponível: a Serra do Mar. Aquela viagem rumo à Hospedaria de Imigrantes na capital ficaria marcada na memória de muitos imigrantes.

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Trecho ferroviário na Serra do Mar. Imagem: Cartão postal do acervo do professor e pesquisador santista Francisco Carballa. A São Paulo Railway Company (SPR) foi a primeira ferrovia construída em São Paulo e a segunda do Brasil. Financiada com capital inglês, sua construção teve início em 1860 e enfrentou muitas dificuldades técnicas durante sua implantação, principalmente no trecho da Serra do Mar, que aparece nesta imagem. Sua inauguração ocorreu em 1867. A ferrovia, com 159 km de extensão, ligava o município de Santos ao de Jundiaí, tendo como ponto de passagem a cidade de São Paulo. Ela também cruzava os municípios de Cubatão, Santo André (Paranapiacaba), Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, novamente Santo André (área central) e São Caetano do Sul, até chegar à capital paulista. 

Quando o trem iniciava seu trajeto de subida, os italianos tinham a impressão de estar em plena selva. A Mata Atlântica era tão densa e causava tanto pavor que, não raro, muitos deles se jogavam pela janela na tentativa de retornar a Santos. Eles não acreditavam que era possível haver cidade no meio de tanto mato. Após vários incidentes, a São Paulo Railway passou a travar os vidros do comboio. Vencido o susto do primeiro contato, muitos desembarcavam na estação da hospedaria.

A Hospedaria dos Imigrantes, onde atualmente funciona o Memorial do Imigrante, era um enorme conjunto de prédios destinado a abrigar os recém-chegados nos seus primeiros dias em São Paulo. Após a cansativa viagem, os imigrantes ficavam até oito dias no local, período no qual também acertavam seus contratos de trabalho e definiam qual seria o próximo destino.

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Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo.

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Muitos já vinham da Itália com contrato de trabalho previamente acertado com os barões do café. Não raro, algumas famílias já vinham para o Brasil com toda viagem paga pelos fazendeiros que em troca exigiam um período de trabalho não remunerado.

São Paulo foi, de longe o destino que mais atraiu imigrantes. Dos 4,5 milhões que chegaram ao Brasil, cerca de 3 milhões desembarcaram em Santos e fizeram o trajeto acima relatado e partiram da capital ao interior do estado na esperança de, ao colher os grãos, colher para si um pouco da riqueza do café. Uma pequena parte destes imigrantes, no entanto, não seguiram para as fazenda mas preferiram permanecer na capital, daí o surgimento de bairros nos quais a presença de estrangeiros era marcante, como Bom Retiro, Brás, Bexiga e Barra Funda.

Os fazendeiros preferiam contratar famílias devido à organização de produção e as jornadas de trabalho eram de 10 a 14 horas diárias. Enquanto os homens faziam o trabalho mais pesado, as mulheres ficavam responsáveis por cuidar dos animais, da horta e da colheita e as crianças ajudavam na beneficiação do café.

A vida dos primeiros imigrantes, chamados pelos fazendeiros de colonos, era muito difícil. Em algumas fazendas eles trabalhavam lado a lado com os escravos e sofriam pressões e maus tratos semelhantes. Alguns fazendeiros tentaram até instalar os recém-chegados nas moradias ocupadas pelos escravos mas com a insistência dos colonos por mudanças em algumas senzalas, elas foram remodeladas ou foram construídas moradias mais afastadas da sede da propriedade rural e com melhor qualidade que a dos cativos.

As fazendas eram um mundo à parte, isoladas por horas, às vezes dias, dos centros urbanos, sem acesso médico, distantes das igrejas, raramente com acesso à escola, tinham que dormir em cima de palha, em casas minúsculas, sem as mínimas condições de higiene, condições de trabalho degradantes e, não raro, abusos por parte do fazendeiro.
Há relatos de rebeliões dos imigrantes, em alguns casos envolvendo colonos que chegavam a assassinar o fazendeiro (o caso mais emblemático foi do fazendeiro Diogo Salles, irmão do presidente Campos Salles, que tentou estuprar a irmã do colono italiano Angelo Longaretti e acabou morto por ele). Mas as revoltas eram exceções, pois os camponeses italianos normalmente agiam de forma apática, pois provinham eles próprios de uma sociedade que via a resignação como uma virtude cristã. Ademais, havia o afluxo contínuo de imigrantes e os trabalhadores descontentes eram prontamente substituídos por outros. Embora os italianos estivessem habituados a levar uma vida de privações em seu país de origem, a vida nas plantações restringia de tal forma a liberdade que se tornava insuportável.
Neste mundo fechado da fazenda, o fazendeiro era o senhor absoluto e impunha leis próprias. Habituado a lidar com escravos, o tratamento despendido aos imigrantes não era muito diferente. Os colonos eram vigiados e tinham seu tempo controlado por capangas, com toques de sino marcando o início e o fim do trabalho. Os abusos se verificavam sobretudo na violência física generalizada, inclusive com uso de chicote, como no tempo da escravidão. Raramente as autoridades puniam os fazendeiros por seus abusos, o que estimulava a manutenção deste comportamento que consistia na aplicação de multas, confisco dos produtos dos colonos, adulteração de pesos e medidas e retenção do salário. Aliás, o endividamento do colono era uma estratégia usada para mantê-lo preso à fazenda e impedir sua saída. Neste caso, apenas restava a fuga como forma de escapar da plantação. De fato, seria muito difícil romper com a mentalidade escravista de forma célere, e isso só ocorreu anos mais tarde.
Fonte: 
Família Pollini
Da Itália ao Brasil
Museu da Imigração do Estado de São Paulo

 

 

Cresce em 50% a emissão de Certidões de Imigração pelo APESP 🇮🇹 🇧🇷

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O Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) registrou um aumento de quase 50% na emissão de Certidões de Imigração nos últimos anos. No ano passado foram emitidas pelo Núcleo de Assistência ao Pesquisador 7.652 certidões contra 5.135 registradas em 2011.

A expectativa para esse ano é bater os números de 2015, já que somente no primeiro semestre deste ano, foram emitidas 4.091 Certidões de Imigração.

De acordo com o diretor Aparecido Oliveira, do Núcleo de Assistência ao Pesquisador, os aumentos dos pedidos dependem das políticas sazonais adotadas pelos países, mas um fenômeno atual chamou atenção. “Se algum Consulado amplia a concessão de visto ou facilitando a dupla cidadania, o número de pessoas que nos procuram aumenta, mas no último ano notamos um aumento inesperado, possivelmente pelo cenário brasileiro”, diz.

Italianos, japoneses, libaneses e diversas outras nacionalidades estão representadas na documentação que registra a entrada de imigrantes no estado de São Paulo. Com base nesse conjunto documental que está sob a guarda do Arquivo Público, é possível solicitar três tipos de Certidões: Certidões de Desembarque com base nos imigrantes que desembarcaram no Porto de Santos (de 1888 a 1978) ou que deram entrada na Hospedaria dos Imigrantes (entre 1887 e 1978) e as Certidões de Registro, com base nos imigrantes que foram registrados nos órgãos de fiscalização de estrangeiros entre os anos de 1939 e 1984. A Hospedaria dos Imigrantes recebeu mais de 2,5 milhões de pessoas vindas de todo o Mundo para se estabelecer em São Paulo.

Segundo Aparecido, a Certidão de Desembarque comprova que o estrangeiro entrou no Brasil, passando por São Paulo, nos intervalos de tempo mencionados. “O documento costuma ser pedido para iniciar processos de obtenção de dupla cidadania e correções de registro civil”.

Já as Certidões de Registro servem para comprovar que o estrangeiro residiu em caráter permanente em São Paulo entre os anos de 1939 e 1984 e também servem para obtenção de dupla cidadania e correção de registro civil, além de processos de naturalização, aposentadoria, comprovação de identidade para venda de imóveis e processos de inventário, etc.

As certidões mais emitidas são as com base nos Livros da Hospedaria de Imigrantes, um dos maiores centros de recepção de estrangeiros já existentes no Brasil. Por suas dependências, passaram mais de dois milhões de pessoas. Seu acervo é formado por mais de 150 livros de registro das antigas Hospedarias do Bom Retiro (1882 a 1887) e do Brás (1887 a 1858). Eles contém informações sobre a passagem de estrangeiros por essas duas instituições, como nome, idade, nacionalidade, data de entrada na Hospedaria, profissão, parentesco e estado civil.

Segundo o técnico Aryan Rocha, do Núcleo de Assistência ao Pesquisador, a pesquisa pode ser feita por nome e sobrenome. “É importante frisar que o registro completo era feito em nome do chefe da família, do homem mais velho. Então se o solicitante quer encontrar sua avó, por exemplo, ele deve procurar pelo registro do grupo familiar, e somente constará o primeiro nome de sua antecedente, que chegou ao Brasil ainda criança”, explica Aryan.

No site do Arquivo Público é possível acessar a documentação em um banco de dados elaborado pelo Memorial do Imigrante e que contém a transcrição integral dos registros, por isso também é comum que a grafia de nomes e sobrenomes possa não condizer com a forma correta.

As Certidões de Desembarque pedidas com base nas listas de bordo do Porto de Santos estão em sua maioria digitalizadas e disponíveis no site do Museu da Imigração. Algumas listas se perderam com o passar dos anos e outras não puderam ser digitalizadas devido ao estado de conservação, existindo algumas lacunas na documentação.

As Certidões de Registro são emitidas com base nos registros provenientes da antiga Delegacia Especializada de Estrangeiros de São Paulo. Esse registro foi implantado por lei em 1938, sendo obrigatório para os estrangeiros em situação permanente – foi quando começou a regularizar a estada dos imigrantes no Brasil, pois até então não existia um controle. As informações constantes nesses documentos comprovam a entrada de um ou mais estrangeiros no Brasil.

Todas as fichas de Registro estão digitalizadas e disponíveis no site do Family Search. Localizando o imigrante que procura, o APESP emite a certidão, que é uma transcrição literal das informações contidas nos documentos.

Desde o último mês os pedidos de Certidão de Imigração podem ser solicitados pela Internet, através de um novo sistema no site do Arquivo Público. A pessoa que localizar as informações do imigrante e se essa informação for relevante para o seu caso, é recolhida a taxa para a emissão da certidão. “Lembrando que essa pesquisa é gratuita, a taxa só é recolhida caso o solicitante tiver interesse na certificação”, afirma Aparecido.

Museu da Imigração

Entre 1887 e 1978, a Hospedaria dos Imigrantes recebeu mais de 2,5 milhões de pessoas vindas de todo o Mundo para se estabelecer em São Paulo. Hoje, a presença dos imigrantes é fato marcante da cultura paulista. A antiga hospedaria, transformada no Museu da Imigração, dedica-se a promover a reflexão sobre o processo migratório no Brasil por meio de documentos, fotos, vídeos, depoimentos e objetos. Após restauro completo, o Museu reabriu em maio de 2014 completamente renovado, modernizado e com uma nova exposição de longa duração, multissensorial e interativa.

Fonte: Oriundi.NET, publicado em 22/09/2016.

Itália: mãe ou madrasta? (con traduzione in italiano) 🇧🇷 🇮🇹

Itália: mãe ou madrasta?

A idéia da Itália mãe, de vê-la, conhecê-la, tocá-la, na forma de um passaporte ou um certificado de cidadania, enfim, tê-la como mãe e protetora espiritual, ser reconhecido como filho ou poder dizer: eu sobrevivi, carrego teu sangue nas veias, pronuncio palavras do teu idioma que guardo em meu coração como um código secreto para que identifiques o teu filho que tem saudade. Esta ideia, este desejo representa ainda, ou cada vez mais, uma longa e tumultuada espera. Temos saudade da nossa própria história, dos ancestrais cujo rosto não conhecemos, mas o DNA no nosso sangue nos registra italianos. 

No subconsciente guardamos a imagem da mãe que chora ao ver o filho partir e nunca mais voltar. Mães que morreram na Itália chamando os filhos pelo nome. A elas restou-lhes o consolo de saber que pelo menos um nome eles trouxeram consigo, já que a maioria era analfabeto, muitas vezes sem documentos, obrigados a viajar clandestinamente. A idéia de retornar ao país de origem, ou ser reconhecido como cidadão italiano, permanece como um sonho que representa o resgate das perdas, dos sofrimentos e do afastamento brutal da pátria mãe. 

Parecemos árvores podadas, na memória falta um pedaço, herdamos um vazio nostálgico, um misto de dor e curiosidade: herdamos a missão de resgatar a memória de uma história que não foi escrita e nem reconhecida, mas que para nós foi dita, por isso é bendita. Porém hoje, quando este descendente procura o reconhecimento de sua cidadania depara com dificuldades e barreiras maiores do que o oceano que jogou seus ancestrais aqui: “Buttarsi al mare, per vivere o morrire“. Esta foi a alternativa de nossos antepassados. O sentimento de abandono e o esquecimento continua quando constatamos que nas atuais leis de imigração, o imigrante italiano é tratado como se fosse um estrangeiro qualquer. 

A Itália não reconhece a diferença porque esqueceu do sangue e da história de seus filhos, ou seja, não ensinou nas escolas o que foi a emigração de milhares de italianos obrigados a fugir da fome. Os que emigraram foram considerados mortos pelo poder público, e talvez hoje representam um estorvo, algo que dá trabalho, um filho bastardo. Exatamente como faz uma mãe madrasta. 

Deveríamos fazer uma pesquisa para descobrir o percentual da população italiana atual, inclusive políticos, que conhecem realmente a história dos irmãos emigrados. Muitas vezes nos vemos obrigados a admitir que somos descendentes de bastardos porque, se o bisavô era clandestino, se morreu analfabeto e o registro de óbito não informa sua origem, como saber se ele veio do Norte, do Sul? Do centro da Itália? Qual a data e local de nascimento? Como saber da nossa origem nestes casos? Peregrinamos de um lado para outro e nos deparamos com a mãe madrasta, coroada de brilhantes burocráticos. Mesmo com a facilidade dos meios de comunicação que temos hoje em dia, os municípios italianos nunca se prontificaram a amenizar esta Via-Sacra. Existem várias maneiras de fazê-lo. 

O apego às tradições mantem vivo o elo com a Itália trazida pelos imigrantes italianos. Os consulados italianos pelo mundo afora são os que mais têm acúmulo de trabalho. Faltam funcionários, o governo italiano não percebe a importância deste trabalho, não entende que os descendentes, acima de tudo, procuram o elo perdido com sua própria identidade; é a busca sagrada da auto-estima. A grande maioria deles busca o direito de saber que tem origem, que ficou plantada na Itália uma raiz sentimental que lhes pertence.

São poucos os descendentes interessados em trabalhar ou estudar na Itália, a grande maioria deseja voltar no tempo, curar as feridas que ficaram abertas. Queremos consolar o pranto das mães que ficaram lá na Itália e ainda choram em nossas mentes. Precisamos cantar e contar esta história aos nossos descendentes. E que eles tenham orgulho da mãe pátria, mesmo que ela seja um pouco madrasta. 

Por Neiva Zanatta – Professora e tradutora de italiano.
nzanatta@terra.com.br 

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🇮🇹

Italia: madre o madrasta?

L´idea d´Italia madre, di vederla, conoscerla, tocarla, attraverso un passaporte o un certificato di cittadinanza, finalmente averla come madre spirituale, essere riconosciuto come figlio o essere in grado di dire: sono soppravissuto, porto tuo sangue nelle mie vene, pronuncio parolle del tuo idioma nascoste nel mio cuore come se fossero un codigo segretto in modo che puoi identificarmi come tuo figlio che ha nostalgia dei suoi. Questa idea, questo desiderio rappresenta ancora, o sempre di più, una lunga e tumultuosa attesa. Abbiamo nostalgia della nostra propria storia, dei nostri ancestrali, di cui, la faccia non la conosciamo, ma il DNA nel nostro sangue ci registra italiani. 

Nel subcoscente portiamo l´imagine della madre che piange mentre il figlio parte e non ritorna mai più. Madri che sono morte chiamando i loro figli per suo nome. A queste mamme è rimasto il consolo di sapere che almeno un nome avevano nella partenza, e che questo nome si sono portati insieme, visto che la magioranza era analfabeto, alcuni senza documenti, costretti a viaggiare come clandestini. L´idea di tornare al paese di origine, o essere riconosciuto come un cittadino italiano, rimane come un sogno che rappresenta il riscatto delle perdite, delle sofferenze e del afastamento brutale dalla  patria madre. 

Siamo come alberi tagliati, nella memoria manca un pezzo, abbiamo ereditato un vuoto nostalgico, un misto di dollori e curiosità: abbiamo ereditato la missione di riscattare la memoria d´una storia che non è stata scritta , ma che a noi è stata raccontata, per ciò è cosiderata  benedetta. Però oggi, quando i discendente cercano il riconoscimento della loro cittadinanza si sbbatono contro difficultà e barriere maggiori che l´ceano che  gli hanno buttato qui: “Buttarsi al mare , per vivere o morire“. Quest´ è stata l´alternativa dei nostri antenati. Il sentimento d´abbandono e la dimenticanza continua quando ci accorgiamo che nelle attuali leggi d´immigrazione, l´ emmigrato italiano è trattato come se fosse un  straniero qualsiase. 

Forse l´Itália non riconosce la differenza perchè si è dimenticata del sangue e della storia dei suoi figli, o sia, non ha insegnato nelle scuole cosa fu l´emmigrazione di migliaglia d´italiani costtretti a fuggìre della fame. Ci sembra che i emmigrati furono considerati morti dal potere pubblico italiano. Magari oggi siamo un disturbo, algo che crea tanto lavoro, come se fossimo dei figli bastardi. Esatamente come fa una madre madrasta. 

Sarebbe interessante fare una ricerca per scoprire il percentuale della popolazione italiana atuale, inclusive politici, che realmente conoscono la storia dei fratelli emmigrati. Tante volte ci obbliguiamo a ammetere che siamo discendenti di bastardi perchè, se mio bisnonno è arrivato in Brasile clandestino, se è morto analfabeto ed il  registro di òbito non informa l´origine, come sapere se lui è venuto del nord, del sud ? Del centro d´Itália? Qualle sarebbe il luogo e data della nascita? Come scoprìre la nostra origine in questi casi? Peregriniamo d´un lato al´altro ed inciampiamo con la madre madrasta, coronata con brillanti burocratici. Nonostante le facilità dei mezzi di comunicazione che abbiamo nei giorni d´oggi, i comuni italiani non si sono mai prestati a rendere amena questa Via-Sacra. Esistono varie modi di farlo. 

I consolati italiani in tutto il mondo sono affolati, soffrono un´accumulo di lavoro. Mancano funzionari, il governo italiano non percebisce l´importanza di questo lavoro, non capisce che i discendenti, più che altro, stano cercando  il legame perso della propria identità; è la ricerca sacra dell´autostima. La maggioranza di loro desidera  sapere che ha un´origine, che in Italia è rimasta sotto terra una radice sentimentale che a loro appartiene.

Sono pochi i discendenti interessati in lavorare o studiare in Italia, la grande maggioranza desidera tornare nel tempo, curare le ferite che sono rimaste apperte. Vogliono confortare il pranto delle mamme che sono rimaste in Italia ed ancora piangono nelle nostre menti. 

Vogliamo cantare e raccontare questa storia agli  nostri discendenti. E che loro abbiano orgoglio della madre patria, anche se sia un pò madrasta.

Neiva Zanatta è insegnante e traduttrice d´italiano.
nzanatta@terra.com.br

Fonte: Artigo publicado no site Imigrantes Italianos e Oriundi.NET

História da Hospedaria de Imigrantes de São Paulo, que acolheu muitos dos nossos ancestrais italianos 🇧🇷 🇮🇹

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Hospedaria de Immigrantes do Estado de São Paulo. s.d. Acervo do Museu da Imigração/APESP

Há 130 anos, em junho de 1886, começaram as construções daquela que viria a ser a maior hospedaria para imigrantes do Brasil, a Hospedaria de Imigrantes do Brás, conhecida posteriormente como Hospedaria de Imigrantes de São Paulo.

Recepcionar estrangeiros já não era novidade para a cidade de São Paulo naquela época. Na década de 1870, por exemplo, imigrantes ficavam hospedados em casas alugadas pelo governo próximas à estação da Luz, e depois em um alojamento no bairro do Pari.[1] Nos dois casos, tais lugares de recepção ficavam próximos a linha de trem; porém, ambos eram pequenos, inadequados para receberem grupos cada vez maiores de pessoas que chegavam constantemente.

Em 1881, por meio da Lei Provincial n.36, de 21 de fevereiro, institucionalizava-se a construção de uma hospedaria no Bom Retiro. Um prédio no bairro foi adquirido e depois de sofrer algumas reformas viu sua capacidade de acolhimento se estender para um total de quinhentas pessoas. Tal hospedaria funcionou de 1882 a 1887 e abrigou cerca de 31.275 imigrantes.[2]

Ano após ano, o Brasil – e mais especificamente o estado de São Paulo – ampliava seus esforços no intuito de estimular, sob todos os aspectos, a imigração; trazer “braços para a lavoura”, principalmente famílias do norte da Itália, seria essencial para a economia. O aumento do movimento de entrada de imigrantes em São Paulo e na hospedaria do Bom Retiro aumentaram exponencialmente e o uso dessa hospedaria passou a ser questionado, como podemos ver em trecho do relatório do vice-presidente da província de S. Paulo, Dr. Elias Antonio Pacheco e Chaves:

“Este edificio não offerece condições correspondentes ao seu destino, já porque só pode comportar numero exiguo relativamente aos immigrantes que dão entrada nestra provincia, como principalmente pela distancia em que se acha das estações de estrada de ferro e linhas de bonds, não fallando nas pessimas accomodações do edificio”[3]

Assim, o governo paulista ficou incumbido de construir uma nova hospedaria. Teria como recursos 100 contos de réis mais a venda do edifício do Bom Retiro. A comissão escolhida para escolher o local apropriado do novo lugar de recepção dos imigrantes era composta pelo General José Vieira Couto de Magalhães, o inspetor geral de imigração, José de Sá Albuquerque, e por dois cafeicultores paulistas, Nicolau de Souza Queiroz e Raphael Aguiar Paes de Barros.[4]

A decisão sobre o local foi um tanto quanto polêmica, o general e o inspetor elegeram um terreno pertencente ao convento da Luz, já os cafeicultores queriam um quarteirão entre os bairros da Mooca e Brás. Chegou-se a uma resolução de que o novo edifício seria construído mesmo na Luz (com compra autorizada inclusive), porém o presidente da província de São Paulo, João Alfredo Corrêa de Oliveira, alegando “razões de conveniência” ficou com a palavra final e decidiu-se pelo terreno do Brás, enquanto o outro, já comprado, foi repassado ao Ministério da Guerra.[5]

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Imigrantes no pateo interno da Hospedaria. 1910. Acervo do Museu da Imigração/APESP

Como podemos ler no relatório do presidente da província de São Paulo, tais razões eram a proximidade do terreno com as linhas de ferro que ligavam Santos ao interior do estado, e o Rio de Janeiro a São Paulo, bem como a necessidade de “aformoseado” do bairro da Luz, região de preferência das famílias paulistas mais ricas.[6]

Como dito, a nova hospedaria começou a ser construída em junho de 1886. Projetada para receber 3 mil imigrantes, em épocas de constantes e intensos fluxos migratórios, chegou a comportar 10 mil pessoas. Os primeiros imigrantes a passarem pela hospedaria a viram ainda em construção, no ano de 1887 (tiveram que ser transferidos devido uma epidemia de varíola no prédio do Bom Retiro). Finalmente foi concluída e inaugurada oficialmente, em 1888.[7]

Apenas parte da política de imigração na época, a Hospedaria de Imigrantes do Brás tornou-se um dos grandes símbolos da imigração para o estado de São Paulo; um dos motivos que a transformou no Museu da Imigração.

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Imigrantes na estrada da Hospedaria. s.d. Acervo do Museu da Imigração/APESP

Referências:
[1] GONÇALVES, Paulo César. A hospedaria de imigrantes de São Paulo. Um novo espaço para o recrutamento de braços europeus pela economia cafeeira.
Disponível em: http://www.remessas.cepese.pt/remessas/mod/itsglossary/view.php?id=8&gid=250. Acesso em: 14/06/206
[2] Relatório apresentado à Assembléa Legislativa Provincial de São Paulo pelo presidente da Provincia Barão do Parnahyba no dia 17 de janeiro de 1887, Immigração, p.13. GONÇALVES, Paulo César; p, 288.
[3] Relatorio com que passou a administração da Provincia de São Paulo ao Exmº Presidente Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira o Vice-Presidente Dr. Elias Antonio Pacheco e Chaves, p.18. GONÇALVES, p. 286
[4] GONÇALVES, p. 286
[5] Ibid, p. 287
[6] Ibid p. 287
[7] Ibid, p. 288

Fonte: Museu da Imigração do Estado de São Paulo

“Buttarsi al mare, per vivere o morire” 🇮🇹 🇧🇷

emigrazione

O título, escrito propositadamente em idioma italiano, significa: Se jogar ao mar, para viver ou morrer. Esta era a única alternativa que a vida oferecia aos nossos ancestrais italianos em meados de 1800, quando a crise da Itália se agravava e a imigração para a “Mérica” teve início. Ou isto, ou toda espécie de privação e miséria. E assim, começava um capítulo de uma história que, em sua maior parte, não tem nada de romântica ou nobre e, em vez disso, é plena de incertezas, despedidas e lágrimas.

O primeiro grande desafio a ser enfrentado por esta gente cheia de esperanças eram os dias e as noites sobre o Oceano Atlântico a bordo de um navio apinhado de gente; doenças como a pellagra e até mesmo a morte dos entes queridos durante a viagem. Aos que sobreviviam à travessia, a América ainda reservava as dificuldades de comunicação, árduas jornadas de trabalho nas lavouras de café e muita saudade. Enquanto pesquisava as listas de bordo e também as listas de imigrantes registrados na antiga Hospedaria dos Imigrantes do Brás, em São Paulo, notei que, além daqueles que vinham com suas esposas e filhos pequenos, havia imigrantes que vinham completamente sozinhos. Enquanto lia atentamente cada página daqueles documentos buscando pistas de meus ancestrais, foi muito difícil conter as lágrimas ao imaginar que muitos daqueles italianos que ali constavam jamais veriam novamente as suas famílias e que muitos pais e mães que haviam ficado para trás seriam sepultados sem que seus filhos tivessem ao menos a oportunidade de se despedir.

Ao buscarmos a origem de nossos ancestrais italianos, devemos ter em mente que não encontraremos um passado nobre com direito à brasões. Embora eles tenham sido muito corajosos, em sua maioria eram pobres e humildes, não sabiam escrever e não falavam o italiano que conhecemos hoje mas os diferentes dialetos das regiões de onde vinham. Em uma terra desconhecida (seja ela o Brasil, a Argentina ou os Estados Unidos, principais destinos dos imigrantes italianos), tiveram de se adaptar a uma vida, lingua e cultura completamente diferente das suas e sobreviver a dificuldades diversas. Trabalharam quase à exaustão para conquistar um pouquinho de espaço nesta pátria imensa chamada Brasil e, por isso, não devem ser esquecidos ou negligenciados por aqueles que herdaram no DNA tanta bravura e resiliência.

É por isso que, enquanto meu coração pulsar e este sangue ainda correr em minhas veias, o resgate histórico das raízes de minha família nunca será uma tarefa enfadonha. Sou imensamente grata por cada passo, ainda que singelo, com o qual avanço em direção ao início de tudo. Retornar às origens não é um caminho fácil a ser trilhado, assim como não foi fácil o caminho que os nossos ancestrais percorreram até chegarem a nossa geração. Porém, como descendente desta gente piena di coraggio, ainda não aprendi a conjugar o verbo desistir.

Aos que, assim como eu, estão firmes e fortes nesta caminhada, deixo abaixo um lindo texto traduzido por Lea Beraldo, do site Imigrantes Italianos, uma ótima fonte de pesquisa e informações para os requerentes da cidadania italiana.

🇧🇷  ❤  🇮🇹

Tenha orgulho de seus antepassados 

São as pessoas humildes que eu procuro,
O sal da Terra, por assim dizer,
Aqueles que domaram o solo bruto,
E fizeram nele as sementes florescer.

São estes que eu gosto de encontrar,
Quando mergulhada na estrada da genealogia.
E é apenas por orgulho que me deixo levar,
Refazendo seus passos para assim os imortalizar.

Aqueles que buscam o passado com sonhos de glória,
De encontrar heróis e ducados em cada história,
Não devem jamais se desapontar
Ainda que descobrirem que os humildes bisinhas
Tinham somente as estrelas para contemplar.

G. McCoy
Source: The Sunny Side of Genealogy,
compiled by Fonda D. Baselt,
Genealogical Publishing Co., Baltimore, 1988, p.10