O SANGUE MENSTRUAL COMO CANAL DE RECONEXÃO COM O SAGRADO FEMININO – Dia 10 do Diário da Lua Vermelha

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Momento de grande poder, o ciclo feminino se fecha com a chegada da menstruação. O sangue menstrual te permite morrer e renascer por meio de seu próprio ventre e te convida a deixar ir tudo aquilo do qual você não necessita mais:

  • Os padrões negativos que vem se repetindo;

  • As crenças limitantes que estão barrando seu crescimento pessoal e te impedindo de alçar vôos maiores;

  • As emoções tóxicas que foram engolidas e que poderiam até mesmo se transformar em doenças e desequilíbrios de todos os tipos se não forem escoadas neste sangue que te liberta;

  • Os medos irracionais que tens carregado desde a infância, as escolhas que tem feito ao longo da vida baseadas no medo;

  • As frustrações das necessidades primitivas não atendidas dos tempos que você ainda era tão pequenininha que nada compreendia deste mundo além do útero de sua mãe;

  • As fragilidades que ainda não foram transformadas em força e que estão aí esperando para serem curadas de modo que você possa ser a mulher que você nasceu para ser.

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Este sangue que você tanto nega, que você passou tanto tempo considerando sujo, vergonhoso, incapacitante é, na verdade, a chave que pode abrir as portas de todas estas prisões. Não precisa temê-lo. Permita-se tocá-lo com seus dedos. Permita utilizá-lo para escrever ou desenhar sobre sua pele. Sinta sua textura. Sinta o seu cheiro. Sinta as diferentes temperaturas. Ele é puro sim. Esqueça tudo o que você já viu e ouviu sobre o sangue menstrual. Permita-se este íntimo momento de reconexão. Talvez, inicialmente, você não se sinta muito à vontade ainda e está tudo bem… Não se cobre. Este acolhimento acontecerá no seu tempo.

Passamos muitos séculos sendo oprimidas por uma sociedade que se voltou contra os saberes ancestrais femininos. A região genital se tornou objeto de exploração e abuso, o orgasmo e o bem estar feminino foi perdendo espaço nesta sociedade excessivamente fálice e a menstruação – este fenômeno tão natural e sadio – começou a ser tratado como motivo de vergonha e tabu.

A sociedade nos inculcou que o sangue menstrual era sujo, que deveria ser escondido ou que deveríamos nos livrar dele o mais rápido possível, como se fosse um lixo que deve ser imediatamente descartado. Basta pensar nas propagandas de absorvente feminino com propriedades que neutralizam odores e com o sangue sendo representado pela cor azul, o que sugere que o sangue menstrual é algo realmente desagradável e mal cheiroso.

O que poucas mulheres sabem é que o cheiro desagradável não está ligado diretamente ao sangue mas sim aos produtos químicos contidos nos absorventes. Os absorventes descartáveis são feitos com componentes que, em contato com o sangue, reagem e produzem odor ruim. Para confirmar este fato basta fazer um teste: substitua os absorventes descartáveis por alguma alternativa livre de quaisquer química e compare. Você irá perceber que não sentirá nenhum odor ruim, apenas cheiro de ferro, característico do sangue menstrual.

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Uma outra informação muito útil – que inclusive explica porque muitas mulheres tem aderido à prática ancestral de Plantar a Lua, ou seja, de versar o seu sangue menstrual de volta à Mãe Terra – é que o sangue menstrual é um poderosíssimo fertilizante natural, rico em nitrogênio, potássio e fósforo. O nitrogênio é essencial para o crescimento das plantas; o potássio atua nas reações enzimáticas e se relaciona com a fotossíntese e o fósforo estimula o crescimento e a formação de novas raízes e sementes.

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De forma simbólica e singela, o ritual de Plantar a Lua é uma forma de agradecermos à Mãe Terra e nos unirmos à ela e a todas as outras mulheres que aqui estão e que aqui estiveram, gerando vida. É muito simples. Basta coletar seu sangue por meio de algum absorvente reutilizável ou copinho menstrual, misturá-lo em água na proporção de 90% água e 10% sangue e, simplesmente utilizar esta mistura para regar as suas plantas que crescerão bem mais rápido e mais viçosas.

Se tudo isso ainda é novidade para você e estes processos ainda não está muito claro, assista este vídeo no qual a visionária do projeto Danza Medicina explica de forma muito simples:

Namaste!

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O ENSINAMENTO DA XÍCARA DE CHÁ

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Enquanto caminhava com seu discípulo um mestre aproveitou a oportunidade para transmitir a ele seus ensinamentos. Distraído com a conversa, o discípulo encontrava dificuldades em compreender o que o mestre lhe passava. Então o mestre o convidou a voltar ao templo e tomar chá.

Chegando ao templo o discípulo, prestativo, foi preparar o chá e, quando já estava pronto, voltou para servir o mestre. Para surpresa do discípulo, quando este estava para encher a sua própria xícara, o mestre – já com sua xícara cheia – pediu para ele versar mais chá.

O discípulo questionou: – “Mas a sua xícara já está cheia!”

O mestre, impávido, confirma: – “Sim, mas por favor, coloque mais chá em minha xícara!”

E assim fez o discípulo.

O chá começa a transbordar para a bandeja e, assustado, o discípulo pára…

O mestre insiste em sua solicitação: quer que ele continue a colocar mais e mais chá em sua xícara. O chá então escorre pela bandeja e cai no chão. O bule fica vazio.

Percebendo a reação de seu discípulo, o mestre, indaga: – “O que você aprendeu com isto?”

O discípulo diz que não aprendeu nada, pois ele já sabia que o chá iria escorrer para a bandeja e, depois, para o chão.

O mestre retruca:

“O ensinamento que isto nos traz é que para caber mais chá na xícara, a xícara precisa estar um pouco vazia. Em xícara cheia não cabe mais chá.”

E continuou: – “Assim também somos nós! Assim é a nossa cabeça. Quando achamos que sabemos tudo, quando temos muitas certezas, quando a nossa cabeça está totalmente cheia de verdades, então a nossa cabeça não tem espaço para mais nada, novos ensinamentos e percepções não conseguem chegar. É necessário ter permanentemente a nossa cabeça um pouco vazia para poder apreender as mudanças da realidade que nos cerca, sob o risco de nos divorciarmos da realidade.”

O discípulo começou a entender e o mestre seguiu com a lição:

– “As nossas certezas vêm do que vivemos no passado. Mas o passado já passou, e o que acontece hoje não pode ser interpretado à luz do passado. Isso seria o mesmo que caminhar em uma noite escura, para frente, em um caminho desconhecido, com uma vela acesa às nossas costas, iluminado o caminho já percorrido.

E finalizou: – “Relaxe e deixe sempre sua cabeça um pouco vazia para apreender o que o mundo lhe oferta de novidades e oportunidades.”

Desejo que você também se inspire a se esvaziar um pouco para que possa ser preenchido de mais sabedoria.

Namaste!

A TPM COMO PROCESSO DE CURA E TRANSFORMAÇÃO PESSOAL – Dia 9 do Diário da Lua Vermelha

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O período pré-menstrual é um excelente momento no qual podemos aproveitar para entrarmos em contato com o nosso lado mais sombrio, com nossas neuroses, com nossos traumas, com nossos pontos fracos e CURAR. Sim, é um momento preparatório, no qual devemos estar muito atentas àquilo que o inconsciente está trazendo à tona. Pode ser dolorido, pode ser desgastante, pode ser complicado, mas você deve amparar o seu “Lado Negro da Força” para poder se tornar íntegra. Somos Yin e Yang. Somos Luz e Escuridão.

Nesta fase precedente ao ciclo menstrual, os níveis de estrógeno e progesterona começam a entrar em declínio e, assim como a lua começa a minguar, nós, mulheres, também minguamos. Inicia um período sutil de “morte” e “escuridão”. Nosso cabelo e pele começam a não ficar tão bonitos, nossa aparência física começa a não ser tão exuberante e nós começamos a nos sentir menos dispostas e mais introspectivas. Este é o momento no qual pode aflorar uma certa insatisfação pessoal, irritação, intolerância, hostilidade, impaciência, agressividade e depressão. As pessoas ao redor começam a representar alguns desafios de convivência e discursos baseados em A podem ser interpretados como B.

O período Pré-Menstrual, também conhecido como Fase Lútea, começa  no final da Ovulação e se estende até o início da Menstruação. A energia correspondente é o Outono, o arquétipo é o da Anciã, Lua Minguante, Feiticeira, a energia do anoitecer. A direção Oeste e o animal de poder é o Jaguar. Nesta fase somos menos receptivas porque paramos de doar nossa energia para o mundo exterior e passamos a voltar nossa energia para dentro.

Uma das grandes “vilãs” das mulheres entra em cena: a TPM, temida e odiada Tensão Pré-Menstrual. Raiva, Fragilidade, Fome, Insônia, Agressividade, Carência, Necessidade de Atenção, Intolerância, tudo ao mesmo tempo. Um pingo d’água pode virar uma tsunami. Uma discussão que poderia ser deixada de lado pode se transformar num campo de batalha. Tudo aquilo que não foi aceito, compreendido, integrado e curado vai bater em nossa porta, como se fosse um fantasma dizendo: “Ei, eu estou aqui”.

Evitar, se entorpecer de analgésicos, encher a cara de álcool, fumar uma carteira de cigarros, agredir as pessoas ao seu redor, brigar no trânsito, chorar até esgotar as lágrimas ou comer um pote inteiro de sorvete como se não houvesse amanhã, não irá resolver nada. Pode até trazer um alívio momentâneo mas, NO MÊS QUE VEM, os seus demônios vão estar à solta novamente e aí você vai colocar tudo a perder outra vez. Vai falar palavras duras (com ou sem razão) para as pessoas que lhe são caras. Vai dar um chega pra lá no cachorro que vem te receber todo alegrinho depois do trabalho. Vai querer estrangular o seu chefe / marido / namorado e querer devolver os filhos para a cegonha por correio expresso.

Se você quiser fazer as pazes consigo mesma, aceitar e integrar o seu OUTRO LADO, curar questões que podem estar sendo arrastadas por anos, se sentir melhor e mais tranquila, acolher as suas fragilidades e transmutá-las, enfim, evoluir como pessoa, você vai precisar encarar esse período de forma mais consciente. Vai precisar olhar para si mesma como você se visse de fora, como uma mera observadora. Vai ter que redobrar os cuidados para não se perder nesse furacão. Vai ter que olhar para si mesmo como quem precisa esmiuçar um turbilhão de sintomas que nada mais são do que pedidos de socorro.

De acordo com Morena Cardoso, do projeto Danza Medicina, a TPM, apesar de desconfortável, nos salva de somatizarmos muitos problemas. É ela que nos dá força e coragem para tomar aquelas decisões que são necessárias para que nosso corpo não adoeça pois ela nos mostra exatamente tudo que estamos internalizando de forma equivocada e prejudicial. O momento da TPM é propício para que façamos uma grande faxina: limpando, liberando e curando tudo aquilo que não nos serve mais, interno e externamente. É o momento perfeito para tirarmos as nossas máscaras, para sairmos dos labirintos que nós criamos dentro de nós e nos perdemos, é a hora certa para identificar e liberar padrões negativos repetitivos, traumas, crenças limitantes, sapos engolidos, escolhas realizadas por medo, entre outras coisas que vão se tornando evidente conforme a TPM vai nos trazendo.

Infelizmente, esse é um momento difícil para todas nós e não adianta buscar fora a força que está escondida aí dentro, em algum lugar. Não adianta depositar no outro a expectativa por uma salvação. Não adianta querer que o outro traga alento à sua dor ou tente não te incomodar. A TPM nos chama para exercermos a auto responsabilidade e para colocarmos em prática nosso poder de curandeira.

Você já pisou em um espinho? Já sentiu quão dolorido ele é quando ele ainda está cravado dentro da nossa carne, inflamando e fazendo nosso corpo ficar sensível ao menor toque? Se sim, você também sabe como é delicioso o alívio que vem quando tomamos a coragem de arrancá-lo, pois após a aceitação da dor momentânea, vem uma incrível sensação de bem estar na qual o corpo, livre daquele objeto estranho, começa a se regenerar e cicatrizar. A inflamação se vai e a cura chega.

Assim somos nós, precisamos ter a coragem de arrancar os espinhos que nos foram cravados. Só assim viveremos de forma mais prazerosa e leve.

Namastê!

A PLENITUDE DA MULHER E O PODER DE GERAR – Dia 8 do Diário da Lua Vermelha

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Fotografia: Diego de Jesus – Divulgação.

A maior parte das mulheres tem muito medo de sua fertilidade. Com exceção daquelas que, por escolha pessoal, não tem e nunca tiveram o desejo de se tornar mãe, nós mulheres que queremos nos tornar mãe – ou já somos mãe e já passamos bons bocados para entender que filho é coisa séria – passamos boa parte de nossas vidas encarando a fertilidade com grande medo e desconhecimento.

O controle de nosso corpo – e de nosso poder de dar a vida – é equivocadamente dado aos hormônios sintéticos dos Anticoncepcionais que, em um dado momento da nossa história, representou a liberdade feminina mas hoje está mais do que evidente que não podemos e não devemos ganhar a “liberdade” às custas de nossa saúde. Apesar de estarmos vivendo um período onde as extenuantes jornadas de trabalho e sobrecarga de obrigações possam adiar ou mesmo anular o desejo de sermos mãe, a nossa saúde deve ser sempre prioridade ao considerarmos a escolha do método contraceptivo.

Apesar de tantos avanços tecnológicos, de tantos estudos já realizados acerca da sexualidade e da fertilidade humana, você não considera um tanto quanto estranho que exista tantos métodos contraceptivos voltados à mulher e apenas 3 (camisinha, vasectomia e coito interrompido) para os homens? Eu não discuto a importância e a necessidade de utilização desses métodos e profiláticos pois, entendo que além da “proteção” contra uma concepção que não foi planejada é estritamente importante para homens e mulheres, a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis mas questiono sim esta preguiça da ciência em desenvolver contraceptivos masculinos. Ora, a conta é bem lógica: a mulher ovula apenas uma vez ao mês, o que significa que é apenas em um período específico que nós somos férteis, enquanto que os homens liberam milhares de espermatozoides cada vez que ejacula. Sendo assim, é correto que a RESPONSABILIDADE do controle da fertilidade seja apenas nosso?

Você deve ter uma amiga ou conhecida que levou uma saravaiada de balas quando declarou ao mundo que havia engravidado por ter feito sexo sem proteção (camisinha /  anticoncepcional / permitiu gozar dentro) seja com um parceiro eventual ou mesmo com um companheiro de longa data. Quando uma coisa do gênero acontece, os olhares e línguas maldosas recaem sobre a mulher como se o homem não houvesse participado do ato, ou fosse um mero coadjuvante. Sinceramente, quantos séculos serão necessários para que a sociedade compreenda que sexo é a dois e são DUAS PESSOAS FÉRTEIS que possibilitam a concepção de uma criança. Já está mais do que na hora de superarmos esta ignorância medieval de pensar que se uma criança vem ao mundo de forma não planejada a “culpa” é da mulher.

Que dois pontos fiquem muito claros: eu considero MAIS DO QUE NECESSÁRIO que o nascimento de uma criança seja algo maravilhoso, realizado conscientemente entre duas pessoas que se amam ou que – pelo menos – possibilitarão a esta criança uma vida digna e um ambiente propício para um desenvolvimento saudável e feliz. No entanto, estou mais do que farta de me deparar com situações em que colocam sobre os ombros femininos uma culpa que não existe e nunca existirá. A vida é um dom e se uma criança nasce, isto ocorre devido a uma relação sexual entre duas pessoas que, independentemente do contexto em que este ato tenha ocorrido, possuem IGUAL RESPONSABILIDADE no que diz respeito à possibilidade de ocorrer uma concepção. Ora se uma mulher e um homem não planejam / não desejam ter um filho em um determinado momento da vida / de jeito nenhum, ambos devem buscar meios de evitar a concepção de forma que seja confortável / saudável e em comum acordo entre ambos.

Infelizmente, por uma questão de comodidade ou “praticidade” a maior parte das mulheres tem pouquíssimo conhecimento sobre as diversas opções de contracepção disponíveis. Raros são os ginecologistas que discutem com seus pacientes as opções disponíveis falando abertamente sobre seus riscos e benefícios. Ainda mais raros ou quase inexistentes são os profissionais que explicam para suas pacientes sobre o ciclo feminino, auxiliando a mulher a conhecer melhor o seu corpo, acompanhar as suas fases e saber identificar corretamente em qual fase do ciclo ela está fértil e, consequentemente, tem mais probabilidade de engravidar.

Sem falar das mulheres que, sem nem mesmo considerar os riscos envolvidos, optam por utilizar pílula / DIU / outro método apenas porque o parceiro se sente desconfortável em utilizar preservativo. Assim, para que ocorra uma relação sexual “sem preocupação” para o casal no qual a mulher não irá engravidar e o homem poderá usufruir da liberdade de sentir prazer e não estar envolvido por uma camada de borracha, a mulher fica exposta não só aos inúmeros problemas que podem decorrer do uso indevido / incorreto ou não avaliado de hormônios sintéticos. É justo que, por um prazer a dois, um tenha que se sacrificar em ter graves problemas de saúde? E quando, apesar deste “sacrifício”, este mesmo homem que NÃO GOSTA de usar preservativo se permite ter várias parceiras diferentes além da NAMORADA / ESPOSA / COMPANHEIRA e a expõe a uma série de doenças sexualmente transmissíveis?

A reconexão com o Sagrado Feminino nos pede para encarar de frente todas essas questões que envolvem também o nosso posicionamento social, as crenças que foram inculcadas, a responsabilidade por nosso corpo e escolhas que possam impactar nossa saúde, a forma com que nos relacionamos com nossos parceiros e principalmente, de que modo nos relacionamos com nossa fertilidade e potencial de maternidade.

Retomar ao estado natural, voltar a ser cíclica e orgânica, nos coloca em contato com diversas questões que devem ser trazidas à luz da consciência. Não basta apenas deixar de tomar pílulas e acompanhar o dia-a-dia do meu corpo, como no meu caso, ou trocar o método contraceptivo mas não mudar a sua postura diante da vida.

Nesse processo de transição, tenho me deparado com diversos questionamentos e tenho encarado de perto muitas dificuldades relacionadas à tudo aquilo que passei anos evitando que se manifestasse. Tem sido sim muito difícil admitir que sou composta de fases bem diversas entre si e, mês a mês, percebo uma série de padrões negativos que insistem em se repetir mas que, com paciência e compreensão, estou disposta a curar. Os questionamentos mais comuns que tem se apresentado são:

Eu confio no meu corpo e nos sinais que ele me dá?

Eu cuido da minha saúde?

Eu me permito conhecer a mim mesma ou continuo a repetir padrões negativos?

Eu tenho crenças negativas sobre meu corpo, minha sexualidade, a forma com que me relaciono afetivamente com meu parceiro e com o mundo?

Eu continuo a repetir o “mantra” de que ser homem é melhor ou mais fácil que ser mulher?

Ser cíclica é um problema que me impede de viver plenamente?

O meu companheiro, as pessoas mais próximas e eu mesmo tenho respeitado os meus ciclos?

Estou delegando a terceiros a responsabilidade do meu corpo, da minha sexualidade, das minhas expectativas?

Minhas escolhas são realmente conscientes e consideram minha saúde e bem estar ou são apenas escolhas baseadas no medo?

De que forma eu exerço os meus direitos como mulher?

Tenho legitimado meus direitos à dignidade como mulher ou tenho permitido que a sociedade ou mesmo meu companheiro me submeta a algo que não me faz bem ou que não é aquilo que eu realmente desejo para mim como indivíduo?

A minha fertilidade ou a maternidade é encarada com naturalidade ou ainda é vista como um fardo?

O sexo, para mim, tem sido um modo de obter prazer ou estou apenas preocupada em satisfazer o prazer alheio sem considerar minhas próprias vontades ou necessidades?

Eu conheço ou me permito conhecer o meu corpo e o meu potencial de sentir prazer sexual e bem estar em ser mulher?

Quais são os seus conceitos acerca da maternidade?

Como você se relaciona com outras mulheres e com sua própria mãe?

Apesar de todas as dificuldades que surgem quando olhamos com uma lupa para dentro de nós mesmas e de algumas constatações que, no meu caso, tem sido muito decepcionantes, eu continuo a me abrir para que a Sabedoria Ancestral me acolha e cure todas as minhas feridas do corpo e da alma. Passei muitos e muitos anos evitando este encontro comigo mesma e, quando finalmente me olhei no espelho eu me deparei com uma mulher negligenciada, cheia de mágoas, cheia de comportamentos nocivos e que nunca havia tomado para si a própria responsabilidade e capacidade de ser feliz.

O caminho não é simples e não existe uma fórmula mágica porque, apesar de estarmos ligadas em uma grande irmandade, todas nós somos únicas e temos histórias únicas. O bom de fazermos parte de uma “tribo” de mulheres que aceitou o chamado para despertar, é que podemos suavizar as nossas dores e dificuldades do universo feminino compartilhando vivências e nos auxiliando mutuamente. Quando uma mulher se cura, também cura outras mulheres.

Seremos sempre mutáveis, como a Lua, e isso nos impulsiona a aproveitarmos nossos ciclos para mudarmos para melhor.

Namaste!

Se você se sente pronta para se aprofundar e quer aprender mais sobre o Sagrado Feminino, sobre seu corpo e sobre empoderamento, entre no site www.danzamedicina.net/programaonline e cadastre-se para receber gratuitamente sua Mandala da Lua, um excelente instrumento de mapeamento e estudo do seu ciclo menstrual.

 

O RENASCIMENTO – Dia 7 do Diário da Lua Vermelha

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Após a menstruação, o corpo prepara-se para a renovação. O fim do sangramento marca o início de uma nova fase chamada de Fase Folicular, compreendida entre o fim da menstruação até a ovulação.

Se a primeira fase do ciclo – a da menstruação – foi marcada pelo recolhimento, quietude, meditação e autoestudo, a fase folicular traz uma energia de renovação que simbolicamente pode ser bem representada pela energia da Primavera, do Amanhecer, da Lua Crescente e do arquétipo da Virgem.

Neste período de seu ciclo, a mulher começa a sentir-se mais entusiasmada, energizada e pronta para retomar os desafios de seus cotidiano. É uma fase propícia para iniciar novos projetos, para expandir o conhecimento, para entrar em contato com outras pessoas, compartilhar e dividir. A fase é marcada por dinamismo, leveza, jovialidade e predisposição para a retomada da sexualidade e da diversão.

Em geral, há também uma predisposição para os cuidados com a aparência e a vaidade, nos sentimos mais bonitas e queremos ressaltar nossa beleza. Isso se explica pelos índices cada vez maiores de estrógenos, hormônio que produz efeitos em nosso corpo, pele, cabelos e nos faz ter mais disposição em fazer, trabalhar, construir, criar e nos expressar.

De acordo com Morena Cardoso, do Danza Medicina, neste momento a mulher também passa a ficar mais centrada em seu próprio ser, nos seus projetos pessoais e nas suas próprias ambições, com mais confiança, firmeza e foco.

Quando você começar a realizar este estudo de suas fases, lembre-se que esta é a fase propícia para enfrentar situações que você adiou por outros meses e para resolver problemas ou começar projetos que requeiram foco e força criativa. Nesta fase você deve aproveitar também a sabedoria dos insights adquiridos durante a sua lunação, isto é, a menstruação.

Namaste!

SOBRE A IMPORTÂNCIA DE SE RECOLHER PARA SE RENOVAR – Dia 6 do Diário da Lua Vermelha

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O recolhimento feminino é necessário. A vida não pode atropelar o seu tempo de restauração. Menstruar é renovar-se. É deixar ir embora, é deixar morrer para renascer. Ao reservar um tempo para observarmos o nosso corpo, somos capazes de nos reconectarmos com um dos maiores organismos vivos e pulsantes que conhecemos: a Mãe Terra. Nós mulheres temos uma profunda ligação com a Terra pois carregamos em nós a sabedoria de todas as Luas, de todas as Estações, o poder do nascimento e da morte.

Nas tradições ancestrais, as mulheres se recolhiam durante a menstruação pois este período era um momento muito especial na qual ela deveria não apenas descansar o seu corpo, que estava em fase de renovação, como também era o momento de contemplar o silêncio e entrar em contato com nossos sentimentos mais profundos.
Segundo os estudiosos, o período menstrual era o momento no qual a mulher deveria recolher-se para entrar em contato com a Terra por meio de seu sangue e realizar profundas trocas e curas.

Um exemplo disso são as “Tendas Negras” ou “Tendas da Lua”, das tradições nativas norte-americanas na qual as mulheres da tribo se recolhiam durante a menstruação. Este era um momento sagrado de contemplar os mistérios da Mãe Terra e honrar os dons recebidos por meio de visões, sonhos, sentimentos, intuições e outras conexões estabelecidas com os espíritos ancestrais. Nesse período, como podem verificar, a mulher toma um lugar de destaque e grande importância para a tribo devido ao poder visionário que a menstruação propicia. A cor negra, por exemplo, relaciona-se com a mulher na Roda da Cura. As tendas também recebiam as meninas em seu primeiro ciclo menstrual como forma de marcar este rito de passagem para a fase adulta da mulher.
Era um momento de muita honra para as meninas, celebrado por toda tribo. Também nas tradições das tribos indígenas do Brasil este rito é presente. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu as meninas ficam recolhidas em suas casas. Já na tradição dos Kanamari, no Amazonas, ao terem o seu primeiro sangramento, as meninas da tribo podem ficam reclusas e podem ser alimentadas apenas pela mãe. Na tradição das meninas tukúna, o período menstrual marca um profundo aprendizado dos afazeres da vida de uma mulher adulta. Em alguns casos, como parte do rito, os corpos das mulheres indígenas são pintados de negro e sua força é honrada diferentemente do que ocorre na cultura ocidental na qual o período menstrual é considerado um período impuro muito mal interpretado.

É importante ressaltar que, durante a menstruação, nossos corpos ficam alterados não só a nível físico como também a nível emocional e isto deve ser trabalhado por meio de uma conscientização da importância de permitirmos uma conexão fraternal com outras mulheres, um compartilhamento de nossa transformação, assim como a cura de todas as nossas sombras que passam a emergir à luz da consciência.

A menstruação nos chama ao recolhimento e à reflexão. É um momento em que nós somos convidadas a encarar nossos medos e nossa força. Compreender, assimilar, perdoar e aceitar nossos pontos fortes e fracos. Ao entrar em contato com esta conexão que irá se estabelecer entre você e a Mãe Terra, muitos sintomas passam a ser identificados à luz da sabedoria ancestral e deixa de ser um incômodo para ser um processo de cura e transformação. A própria TPM passa a ser vista com outros olhos pois ela irá te trazer à toda tudo o que você precisa transformar em cura durante o seu período menstrual. Daí a importância de estar muito atenta à seu corpo e ao que ele lhe entrega.

A sua “Tenda da Lua” não precisa exatamente ser um local no qual você irá se recolher no sentido de se afastar completamente do convívio social mas pode ser, de forma simbólica, um momento no qual você se permite um repouso em meio ao caos do cotidiano, de modo que você possa ter um pouco de introspecção para poder olhar para dentro e se perceber melhor. Sabe aquela voz que te diz “hoje não” e você a ignora e se estropia toda por causa de uma teimosia que não tem o menor sentido? Por que não ouvir o que seu corpo diz e permitir-se um pouco de paz quando tudo o que você precisa é recolhimento e repouso em vez de dopar o seu corpo com analgésicos e se forçar a situações e resolução de problemas que poderiam esperar?

Sei que é difícil no início porque nossa mente está acostumada a viver no automático e achar muitas desculpas para que estejamos “sempre na ativa”. Mas o fato é que sem esses momentos de descanso nós nos destruímos. Um aparelho eletrônico, por exemplo, quando se descarrega, precisa ser colocado sem contato com a fonte de energia para que possa ser carregado e voltar a funcionar normalmente.

Nós, quando nos descarregamos não desligamos completamente como ocorre, por exemplo, com o seu computador ou smartphone. No entanto, começamos a “gastar” a nossa energia vital e isso nos traz grandes danos. Por isso, temos que ter em mente que esses momentos nos quais nos desligamos do mundo são importantes por dois motivos: pela nossa saúde corporal e para que possamos ter a oportunidade de estabelecer uma conexão mais direta com nossa fonte de energia vital, com nossa fonte de sabedoria e de poder.

Namaste!

Imagem: Charles Marion Russel (1899).

 

 

AS 4 ESTAÇÕES DA MULHER – Dia 5 do Diário da Lua Cheia

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Temos que ter em mente que, além da fisiologia, o ciclo menstrual feminino apresenta uma certa analogia com as fases da lua e também com as estações do ano. Segundo a sabedoria das tradições ancestrais, as mulheres atravessam 4 fases durante o seu ciclo menstrual que estão diretamente relacionadas com os fenômenos da Natureza e também com alguns arquétipos do feminino.

Conforme explica Morena Cardoso, do projeto Danza Medicina, estas representações são referenciais simbólicos, que devem ser analisados metaforicamente. Não significa, por exemplo que, se a Menstruação está relacionada com a Lua Nova e com o Inverno ela deva ocorrer apenas neste período. O que o referencial simbólico quer é apenas definir a qualidade da energia que ocorre nestes períodos.

Reproduzo a seguir a explicação que ela compartilhou a respeito destas qualidades de energia que ocorrem nas fases do ciclo menstrual.

1 – Menstruação: Energia do Inverno. O feto, a semente. Energia da Lua Nova. A Anciã. Meia Noite. Direção Sul. O animal de Poder é a Serpente.
2 – Fase Folicular – Depois da Menstruação, Antes da Ovulação: Energia da Primavera. A menina. A Energia da Lua Crescente. A Virgem. A Princesa. Energia da Manhã, do Amanhecer. Direção Leste. O animal de poder é a Águia.
3 – Ovulação: Energia do Verão. Lua Cheia. A Mãe. Meio Dia. Direção Norte. O beija-flor.
4 – Fase Lútea: Período Pré-Menstrual: Depois da Ovulação até o Início da Menstruação. Energia do Outono. A Lua Minguante. A Bruxa. Energia da Tarde, do anoitecer. Direção Oeste. O animal de poder é o Jaguar.

Assim como a Terra, o corpo feminino também passa por quatro estações distintas. Estas estações, também revelam período de fertilidade, de recolhimento, de renascimento e de morte. Nas antigas comunidades pagãs, cada estação do ano era celebrada com festividades que estavam ligadas a estes ciclos da Terra visto que os povos antigos tinham uma conexão muito mais direta com a Natureza que esta que temos atualmente.
No entanto, a observação do seu corpo e do ciclo feminino é um resgate desta sabedoria ancestral no sentido de poder aproveitar os ciclos para implementar nossa energia e promover a cura a níveis mais profundos. A grande sabedoria consiste em permitir que a Terra, a Natureza e o seu próprio corpo “converse” com você e te mostre o que deve ser construído e que deve ser destruído por meio da transformação. Insisto nesta palavra pois a Natureza não perde nada, ela apenas transforma. A semente morre e assim nasce uma nova planta.

Cada mulher tem uma vivência particular de seus ciclos e não há nenhum padrão ou “certo e errado”. Não há nada errado se você menstruar na Lua Cheia ou ter a sua Ovulação alinhada com a Lua Minguante. O que ocorre é que o seu corpo manifesta seu próprio alinhamento com a Mãe Terra e você mesma irá se conhecer melhor durante este percurso se permitir que seu corpo te mostre o seus próprios caminhos a serem trilhados.

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Namaste!

OBSERVAR OS CICLOS – Dia 3 do Diário da Lua Vermelha

Observe o arco de um dia. Este é um ótimo exercício proposto por Morena Cardoso para habituar-se à observação dos ciclos. Pegue um papel e uma caneta e anote como você se sente às seis da manhã, depois como se sente ao meio dia, depois às seis da tarde e, finalmente, como se sente meia noite.

De modo geral, pela manhã, renovados por uma noite de sono, somos mais pacíficos. Dificilmente uma pessoa já levanta da cama com o ímpeto da guerra. Por isso, a maior parte dos mestres recomenda que você faça práticas meditativas, ou tenha pelo menos alguns minutos de introspecção, durante o período da manhã. Não que você não possa fazê-lo à tarde, ou mesmo à noite, no entanto, ao final do dia você já estará exausta, já terá encontrado várias pessoas e, provavelmente, seu nível de paciência estará abaixo de zero.

Ao decorrer do dia, dependendo dos acontecimentos, dos compromissos, das pessoas com quem nos relacionamos e dos desafios que enfrentamos, mudamos de humor e nos sentimos mais ou menos dispostos. É por isso que o mestre Osho nos diz sabiamente que é mais provável de uma pessoa ir a um templo durante a manhã que fazê-lo à noite com tantas opções de distração e anestesiamento para os problemas. É justamente por isso que entre sentar-se em posição de Lotus e meditar, observando a si mesmo e aos seus pensamentos, se torna menos atrativo que sentar-se em uma mesa de bar e “afogar as mágoas” no álcool. Nada contra os momentos de distração e lazer, mas se pararmos para pensar, passamos praticamente toda a vida buscando modos diferentes de anestesiar as nossas dores e fugir de nós mesmos.

Insisto na utilização da prática de meditação porque considero que a observação do seu corpo e de suas luas se dará de modo muito mais fácil quando você sair do estado de torpor o qual a vida nos coloca para adquirir uma sensibilidade que lhe permitirá compreender melhor o que está acontecendo com você mesma.

O segundo passo para esta reconexão, é a observação dos ciclos da lua (nova, crescente, cheia, minguante), das estações do ano (primavera, verão, outono, inverno) e, consequentemente do seu ciclo menstrual (lunação ou menstruação, período pré-ovulatório, ovulação, período pré-menstrual).

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Mandala da Lua como ferramenta de auto-observação feminina

Por dois meses tenho utilizado a Mandala da Lua (clique no link acima para obter mais informações sobre a prática e fazer o download). A prática é simples, basta anotar nos campos indicados relacionados aos dias do mês e fases da lua como você se sente físico e emocionalmente. O design da moondala é um primor e, nas horas vagas, ou mesmo antes de começar a analisar as minhas sensações e emoções, pego alguns lápis de cor e começo a colorir os desenhos de modo que eu me permita relaxar e sair da tensão do dia-a-dia para poder ouvir melhor o meu corpo.

Tenho tido experiências enriquecedoras com a utilização da Mandala da Lua desenvolvida pelo projeto da Danza Medicina. A observação do meu tempo interno, das minhas fases, dos meus altos e baixos, das minhas sombras e das minhas verdades. Um dos primeiros ganhos advindos com este exercício foi o de compreender que é irreal, ilusório, mentiroso e doente, buscar a linearidade como eu vinha fazendo com a utilização do anticoncepcional de uso contínuo, apenas pelo capricho de não menstruar e tentar ter uma vida mais previsível.

A observação dos meus ciclos tem me possibilitado saber que em alguns dias, meu corpo precisa de aconchego e repouso enquanto que, em outros me sinto revigorada e criativa, pronta para o que der e vier. Também tenho conseguido perceber que, em determinadas fases, tenho maior necessidade de uma alimentação nutritiva e mais natural possível. É incrível como seu próprio corpo te traz muitas respostas.

Encarar a TPM como forma de aprendizado e transmutação abriu muitas janelas em minha mente pois o período pré-menstrual me trazia muito sofrimento. Agora estou me permitindo um certo distanciamento de todo turbilhão de emoções e sensações de modo que consigo ter a clareza de que, ainda que eu esteja vivenciando um dia infernal, aquilo irá passar se eu encontrar a raiz daquele mal. Observar os males que meu próprio corpo está trazendo à luz da consciência, como se eu fosse duas, uma que está precisando de cura e outra que está ali para curar e acolher [é fantástico. A TPM é um modo de expurgar toda dor e todo mal que engolimos goela abaixo e tudo que não nos pertence mas que internalizamos ao longo de nossa jornada. TPM é um período excelente para curar e transmutar. E nós somos nossa própria medicina.

Para muitas pode parecer algo muito distante sair do artificial e vir para o lado orgânico e cru da vida, mas eu vos afirmo: é possível. Quando você caminha em direção à sua reconexão, a Mãe Natureza te abraça.

Namaste!

*

Para saber mais sobre reconexão com o Sagrado Feminino, acesse: www.danzamedicina.net/programaonline .

A VIDA É COMPOSTA DE CICLOS – Dia 2 do Diário da Lua Vermelha

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Um dia percebi o quanto eu estava distante de minha natureza cíclica e o mais triste disso foi perceber também que esta desconexão era a causa de uma profunda tristeza que não encontrava alento em nenhum lugar. Foram anos e anos me criticando internamente, negando minha natureza e me destruindo.

Qual é a opção mais sensata quando você sente cansaço? A resposta parece óbvia: descansar. Em vez disso o que eu fazia? Tomava xícaras e xícaras de café para ficar “pilhada” e dar conta do recado. Resultado: anos e anos de cansaço acumulado que nem se eu dormir uma eternidade conseguirei reverter. Este é um dos exemplos mais pequenos que tenho para dar já que não quero me lamentar dos erros do passado nem me vitimizar por todas as vezes em que eu pratiquei a violência de contrariar o meu corpo e o que era melhor para mim como indivíduo. Tenho aprendido muito observando o quanto fui injusta comigo mesma.

Esta coisa rançosa que nos acompanha de nos compararmos a alguém ou de querer evitar julgamentos se acentuou ainda mais quando eu me tornei mãe. Não bastava ser mãe dia após dia e ir aprendendo aos pouquinhos. Nada disso, eu tinha que ser como Hércules. Enfrentar batalhas. Ser considerada infalível. Amamentar sem descanso. Não pregar o olho. Nunca ter que pedir ajuda. Afinal: “Quem pariu o Matheus, que balance o berço”. Onde já se viu demonstrar fragilidade, ter que contar com “terceiros”, sentir dificuldade de assumir as responsabilidades advindas com a maternidade? Era uma vergonha ter que dizer às pessoas que eu precisava descansar um pouco em vez de “fazer sala”. Era um absurdo tirar um cochilo quando o bebê estava dormindo já que eu tinha uma casa inteira para limpar e organizar, caixas de areia dos gatos para higienizar, minha própria aparência física para colocar “em ordem”. Era inadmissível dizer para o marido que eu estava exausta demais para cozinhar mas que, ao mesmo tempo, precisava de um alimento mais nutritivo que uma pizza já que estava amamentando em livre demanda. Era o fim da picada não ter nenhum pingo de vontade de fazer nada, não ter libido, não ter vaidade. Mas o mais grave era que eu não tinha consciência de que havia me tornado prisioneira de meus próprios conceitos e chorava sozinha pra que ninguém visse que eu me sentia triste e desamparada. Era UMA VERDADEIRA DERROTA considerar a possibilidade de incrementar as mamadas com mamadeira e dar um descanso para os mamilos feridos já que mãe de verdade – na minha distorcida visão daquela época –  era apenas a mãe que dava o peito a seu filho. As outras, que desistiam de sentir dor ou que tinham problemas para amamentar, eram menos mãe.

Eu sinceramente me envergonho de tanta estupidez. Me envergonho profundamente de toda esta crueldade que me impediu de vivenciar a plenitude de minha maternidade. Por quê tudo isso aconteceu? Simples, porque, mais uma vez, eu estava cega demais para compreender que a maternagem era um ciclo, não uma coisa fechada, pronta, com receita de bolo pra seguir. Cedo ou tarde, todas as dificuldades passariam e aí começaria outro ciclo, com outras preocupações e outros prazeres.

Se eu tivesse me entregado mais àquele momento, se eu tivesse obedecido mais ao meu instinto, se eu tivesse escutado melhor o meu corpo, eu tinha evitado uma grande parte do sofrimento desnecessário e tinha aproveitado melhor meus primeiros passos como mãe. Sem medo, sentindo apenas amor. Sem culpas, aprendendo com os erros. Sem comparações, sendo apenas eu mesma. Mas eu quis ser a melhor de todas, quis me transformar em uma máquina de criar filho e me feri…

Claro que houve momentos em que minha sabedoria ancestral se manifestou e eu, em lapsos temporais, cheguei à me entregar várias vezes, conseguindo ser uma mãe natural, menos neurótica e mais humana. Neste momentos eu dancei com o meu filho na sala de estar, embalando a ele e a mim, ao som de Pink Martini; experimentei os ensinamentos indianos da massagem Shantala; saboreei uma deliciosa xícara de chá de erva-doce, permitindo que aquela plantinha me preenchesse de cura; possibilitei que o Sol brando das manhãs e fins de tarde acariciasse a minha pele e a pele sensível de meu filho sem me preocupar com a pia cheia de louças para lavar… Mas estes momentos poderiam ter sido mais constantes e ainda mais prazerosos se eu eu tivesse simplesmente me permitido fluir.

Quando negamos / ignoramos / deixamos de vivenciar os ciclos da vida, estamos perdendo as diversas oportunidades de aprendizado, cura e transformação que a vida nos dá. Entenda que os ciclos são necessários e que é necessário mudar. Quando você escolhe não sentir dor, não sentir raiva, não se frustrar, não se tornar vulnerável, não dar vazão às emoções, você se reveste de uma couraça que te impede de sentir amor, de sentir compaixão e de evoluir. Não faça isso, não se transforme em robô. Precisamos acompanhar este fluxo permanente de transformação; gozar os dias bons, aprender com os dias ruins.

A natureza nos mostra diariamente, que tudo é cíclico. A árvore perde suas folhas e se renova trazendo flores que, posteriormente, se converterão em frutos que, ao caírem na terra, se consumirão e deixarão uma semente que possibilitará o nascimento de uma outra árvore, de uma nova vida, de um novo ciclo.

Eu sei que todos preferem ver a borboleta voando leve e espalhando suas cores pelo ar, mas sem que ela tenha passado pelas dificuldades inerentes à sua fase de lagarta e sem que ela tenha se recolhido em seu casulo, esta magia jamais seria possível. Pense nisso quando perceber que está pulando as etapas.

Namaste!

*

Para saber mais sobre reconexão com o Sagrado Feminino, acesse: www.danzamedicina.net/programaonline .

SER OU NÃO SER MULHER, EIS A QUESTÃO – Dia 1 do Diário da Lua Vermelha

Esta são as primeiras anotações de um exercício bem interessante – e intenso –  proposto pela facilitadora Morena Cardoso, que promove a conscientização de mulheres sobre reconexão com o Sagrado Feminino e a sabedoria ancestral que nos habita. Chamado de #ODiárioDaLuaVermelha, este estudo tem convocado mulheres de todas as partes do mundo para um período de comunhão e compartilhamento de conhecimento de 28 dias nos quais, por meio de textos sequenciais, ela irá provocar importantes reflexões.

Este primeiro texto escrito por mim, deriva deste exercício que está sendo realizado neste momento por muitas mulheres e gostaria carinhosamente de compartilhá-lo com vocês, que me acompanham aqui no blog. Para saber mais sobre o programa acesse: www.danzamedicina.net/programaonline e se inscreva.

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O que te faz mulher?

Você nasce. É uma garotinha. Que linda menina, orgulho dos pais! Um pequeno tesouro. Mas o tempo vai passando e você cresce sem saber o que é. O que você é? Uma mulher. Esta palavra ecoa e ninguém te ensina direito o que ela realmente significa. Em 99,9% das vezes aprendemos o significado com as definições do mundo enquanto que nós mesmos é quem deveríamos entender olhando para dentro. Ser mulher não é um conceito apenas biológico, não é uma definição de gênero, não tem nada a ver com preferência sexual. Ser mulher faz parte de um contexto complexo, místico, profundo mas está sujeita a abusos aos quais a artista Yoko Ono um dia ousou denunciar:

A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.

Sim, esta frase erroneamente atribuída a seu companheiro John Lennon, foi proferida durante uma entrevista a uma entrevista inglesa por volta de 1969 na qual ela falava sobre seu engajamento na causa feminista.

Infelizmente, de lá pra cá, pouca coisa tem mudado. A mulher ainda morre pelo simples fato de ser mulher, morre pelo fato de ser negra, morre porque não se cala diante das atrocidades, morre por resolver pensar por si própria e expressar a sua opinião para um mundo engessado, falido. E, pior ainda, a mulher quando é bem sucedida, é comparada a um homem, como se não houvesse nenhum mérito em realizar grandes feitos sendo uma mulher.

Não ignoro que muitas mulheres, ao resolver trilhar uma promissora carreira profissional, adotam sim comportamentos masculinos e anulam em si mesmas aquilo que existe de mais sagrado e íntegro: sua verdadeira essência. Porém, para que fique clara minha explanação, deixo explícito que não estou negando a polaridade masculina ou dizendo que tudo que é do homem é ruim. Não é nada disso. O problema em si não está apenas nos homens mas em nós mesmas quando repetimos padrões e crenças limitantes que nos impedem de sermos quem queremos ser. Por quê imitar o modelo do homem enquanto que nós, mulheres, também temos tantas qualidades que podem agregar ao mercado de trabalho, à sociedade e ao mundo como um todo?

Eu digo isso porque fiz isso durante praticamente mais de uma década. Em vez de me acolher em minha particularidade eu competi com meu corpo. Quis sufocá-lo tomando anticoncepcional de uso contínuo para não menstruar de-jei-to-ne-nhum. Eu odiava o cheiro de sangue. Odiava meus altos e baixos. Queria apagar isso da minha vida. Quis ter uma vida reta, ter o mesmo desempenho todos os dias. Queria imitar os homens em sua grande força física, abafar os meus gritos de dor me entupindo de analgésicos e dizendo sim quando queria dizer não. Desobedecia meu corpo que precisava se renovar e, portanto, precisava de repouso. Porque eu fui prepotente e pelo simples fato de que não é permitido ser mulher dentro do ambiente corporativo. É errado, é frescura, é bobagem. Coisa de mulherZINHA.

Sangrar, aceitar todo desconforto destes dias vermelhos, sentir cólicas, ter diarreia, precisar de algumas horinhas a mais de descanso, sentir aquela indisposição que grita e, ainda assim, ter que dar o melhor de si quando você não está em sua melhor performance, por si só, já nos coloca em uma posição de desvantagem. Isto não quer dizer que somos fracas, apenas que temos nossos momentos de fragilidade. Significa apenas que, por alguns dias de um mês de 30 / 31 dias, precisamos de um pouco de recolhimento. Nada mais natural. Afinal, assim como o verão não dura para sempre e não pode ser sempre noite, nós estamos sempre atravessando ciclos durante toda a vida. A vida, por si só é um ciclo e não há nada que possa ser feito para você barrar esse movimento.

Temos que aceitar que, ao contrário das máquinas, nada neste mundo é linear. Os homens também são cíclicos embora isto não se dê de forma tão acentuada como ocorre com nós, mulheres.

Por isso, hoje, dia 19 de Março de 2018, neste primeiro texto dedicado ao Diário da Lua Vermelha, me junto a este imenso circulo de mulheres, abraçando-a com corpo e alma, envolvendo-as em meu calor e aconchego para dizer que eu as honro e que me honro também. Eu aceito e honro os meus dias de recolhimento pois sei que sou possuidora desta imensa força que mantém a continuidade da vida. Eu aceito, honro e cuido da saúde do meu corpo e da minha integridade emocional pois não preciso ser igual todos os dias nem entrar em conflito com esta roda que gira dentro e fora de mim.

Agora eu me reconheço, sou mulher.