📚DICA DE LEITURA: “MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS” de Clarissa Pinkola Estes

Aceitei o chamado para mergulhar nesta leitura tão envolvente e intensa. Trata-se de um livro que não passa indiferente àquelas e àqueles que possuem este ardente e íntimo desejo pelo selvagem.

O que é o selvagem? O selvagem é a nossa mais pura verdade, nossa nudez desta camada de concreto que foi colocada sobre o nosso saber ancestral. É tudo aquilo que já sabemos mas que precisamos recordar porque os anos de civilidade foi encobrindo.

Não pretendo realizar uma resenha deste livro e não quero resumi-lo em uma indicação de leitura recreativa porque ele foi muito bem escrito e merece um contato íntimo e particular com cada um que o encontrar. Ele é tão rico em lições necessárias à nossa vida que, para mim, tem sido como ter encontrado um tesouro.

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Se, por um acaso, você o deseja ler mas está com preguiça ou não sobrou dinheiro para procurá-lo em um sebo ou livraria, deixo abaixo o link do livro em formato PDF.

Mulheres que correm com os lobos 📚👍

Apreciem a leitura!

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O SANGUE MENSTRUAL COMO CANAL DE RECONEXÃO COM O SAGRADO FEMININO – Dia 10 do Diário da Lua Vermelha

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Momento de grande poder, o ciclo feminino se fecha com a chegada da menstruação. O sangue menstrual te permite morrer e renascer por meio de seu próprio ventre e te convida a deixar ir tudo aquilo do qual você não necessita mais:

  • Os padrões negativos que vem se repetindo;

  • As crenças limitantes que estão barrando seu crescimento pessoal e te impedindo de alçar vôos maiores;

  • As emoções tóxicas que foram engolidas e que poderiam até mesmo se transformar em doenças e desequilíbrios de todos os tipos se não forem escoadas neste sangue que te liberta;

  • Os medos irracionais que tens carregado desde a infância, as escolhas que tem feito ao longo da vida baseadas no medo;

  • As frustrações das necessidades primitivas não atendidas dos tempos que você ainda era tão pequenininha que nada compreendia deste mundo além do útero de sua mãe;

  • As fragilidades que ainda não foram transformadas em força e que estão aí esperando para serem curadas de modo que você possa ser a mulher que você nasceu para ser.

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Este sangue que você tanto nega, que você passou tanto tempo considerando sujo, vergonhoso, incapacitante é, na verdade, a chave que pode abrir as portas de todas estas prisões. Não precisa temê-lo. Permita-se tocá-lo com seus dedos. Permita utilizá-lo para escrever ou desenhar sobre sua pele. Sinta sua textura. Sinta o seu cheiro. Sinta as diferentes temperaturas. Ele é puro sim. Esqueça tudo o que você já viu e ouviu sobre o sangue menstrual. Permita-se este íntimo momento de reconexão. Talvez, inicialmente, você não se sinta muito à vontade ainda e está tudo bem… Não se cobre. Este acolhimento acontecerá no seu tempo.

Passamos muitos séculos sendo oprimidas por uma sociedade que se voltou contra os saberes ancestrais femininos. A região genital se tornou objeto de exploração e abuso, o orgasmo e o bem estar feminino foi perdendo espaço nesta sociedade excessivamente fálice e a menstruação – este fenômeno tão natural e sadio – começou a ser tratado como motivo de vergonha e tabu.

A sociedade nos inculcou que o sangue menstrual era sujo, que deveria ser escondido ou que deveríamos nos livrar dele o mais rápido possível, como se fosse um lixo que deve ser imediatamente descartado. Basta pensar nas propagandas de absorvente feminino com propriedades que neutralizam odores e com o sangue sendo representado pela cor azul, o que sugere que o sangue menstrual é algo realmente desagradável e mal cheiroso.

O que poucas mulheres sabem é que o cheiro desagradável não está ligado diretamente ao sangue mas sim aos produtos químicos contidos nos absorventes. Os absorventes descartáveis são feitos com componentes que, em contato com o sangue, reagem e produzem odor ruim. Para confirmar este fato basta fazer um teste: substitua os absorventes descartáveis por alguma alternativa livre de quaisquer química e compare. Você irá perceber que não sentirá nenhum odor ruim, apenas cheiro de ferro, característico do sangue menstrual.

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Uma outra informação muito útil – que inclusive explica porque muitas mulheres tem aderido à prática ancestral de Plantar a Lua, ou seja, de versar o seu sangue menstrual de volta à Mãe Terra – é que o sangue menstrual é um poderosíssimo fertilizante natural, rico em nitrogênio, potássio e fósforo. O nitrogênio é essencial para o crescimento das plantas; o potássio atua nas reações enzimáticas e se relaciona com a fotossíntese e o fósforo estimula o crescimento e a formação de novas raízes e sementes.

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De forma simbólica e singela, o ritual de Plantar a Lua é uma forma de agradecermos à Mãe Terra e nos unirmos à ela e a todas as outras mulheres que aqui estão e que aqui estiveram, gerando vida. É muito simples. Basta coletar seu sangue por meio de algum absorvente reutilizável ou copinho menstrual, misturá-lo em água na proporção de 90% água e 10% sangue e, simplesmente utilizar esta mistura para regar as suas plantas que crescerão bem mais rápido e mais viçosas.

Se tudo isso ainda é novidade para você e estes processos ainda não está muito claro, assista este vídeo no qual a visionária do projeto Danza Medicina explica de forma muito simples:

Namaste!

O ENSINAMENTO DA XÍCARA DE CHÁ

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Enquanto caminhava com seu discípulo um mestre aproveitou a oportunidade para transmitir a ele seus ensinamentos. Distraído com a conversa, o discípulo encontrava dificuldades em compreender o que o mestre lhe passava. Então o mestre o convidou a voltar ao templo e tomar chá.

Chegando ao templo o discípulo, prestativo, foi preparar o chá e, quando já estava pronto, voltou para servir o mestre. Para surpresa do discípulo, quando este estava para encher a sua própria xícara, o mestre – já com sua xícara cheia – pediu para ele versar mais chá.

O discípulo questionou: – “Mas a sua xícara já está cheia!”

O mestre, impávido, confirma: – “Sim, mas por favor, coloque mais chá em minha xícara!”

E assim fez o discípulo.

O chá começa a transbordar para a bandeja e, assustado, o discípulo pára…

O mestre insiste em sua solicitação: quer que ele continue a colocar mais e mais chá em sua xícara. O chá então escorre pela bandeja e cai no chão. O bule fica vazio.

Percebendo a reação de seu discípulo, o mestre, indaga: – “O que você aprendeu com isto?”

O discípulo diz que não aprendeu nada, pois ele já sabia que o chá iria escorrer para a bandeja e, depois, para o chão.

O mestre retruca:

“O ensinamento que isto nos traz é que para caber mais chá na xícara, a xícara precisa estar um pouco vazia. Em xícara cheia não cabe mais chá.”

E continuou: – “Assim também somos nós! Assim é a nossa cabeça. Quando achamos que sabemos tudo, quando temos muitas certezas, quando a nossa cabeça está totalmente cheia de verdades, então a nossa cabeça não tem espaço para mais nada, novos ensinamentos e percepções não conseguem chegar. É necessário ter permanentemente a nossa cabeça um pouco vazia para poder apreender as mudanças da realidade que nos cerca, sob o risco de nos divorciarmos da realidade.”

O discípulo começou a entender e o mestre seguiu com a lição:

– “As nossas certezas vêm do que vivemos no passado. Mas o passado já passou, e o que acontece hoje não pode ser interpretado à luz do passado. Isso seria o mesmo que caminhar em uma noite escura, para frente, em um caminho desconhecido, com uma vela acesa às nossas costas, iluminado o caminho já percorrido.

E finalizou: – “Relaxe e deixe sempre sua cabeça um pouco vazia para apreender o que o mundo lhe oferta de novidades e oportunidades.”

Desejo que você também se inspire a se esvaziar um pouco para que possa ser preenchido de mais sabedoria.

Namaste!

OBSERVAR OS CICLOS – Dia 3 do Diário da Lua Vermelha

Observe o arco de um dia. Este é um ótimo exercício proposto por Morena Cardoso para habituar-se à observação dos ciclos. Pegue um papel e uma caneta e anote como você se sente às seis da manhã, depois como se sente ao meio dia, depois às seis da tarde e, finalmente, como se sente meia noite.

De modo geral, pela manhã, renovados por uma noite de sono, somos mais pacíficos. Dificilmente uma pessoa já levanta da cama com o ímpeto da guerra. Por isso, a maior parte dos mestres recomenda que você faça práticas meditativas, ou tenha pelo menos alguns minutos de introspecção, durante o período da manhã. Não que você não possa fazê-lo à tarde, ou mesmo à noite, no entanto, ao final do dia você já estará exausta, já terá encontrado várias pessoas e, provavelmente, seu nível de paciência estará abaixo de zero.

Ao decorrer do dia, dependendo dos acontecimentos, dos compromissos, das pessoas com quem nos relacionamos e dos desafios que enfrentamos, mudamos de humor e nos sentimos mais ou menos dispostos. É por isso que o mestre Osho nos diz sabiamente que é mais provável de uma pessoa ir a um templo durante a manhã que fazê-lo à noite com tantas opções de distração e anestesiamento para os problemas. É justamente por isso que entre sentar-se em posição de Lotus e meditar, observando a si mesmo e aos seus pensamentos, se torna menos atrativo que sentar-se em uma mesa de bar e “afogar as mágoas” no álcool. Nada contra os momentos de distração e lazer, mas se pararmos para pensar, passamos praticamente toda a vida buscando modos diferentes de anestesiar as nossas dores e fugir de nós mesmos.

Insisto na utilização da prática de meditação porque considero que a observação do seu corpo e de suas luas se dará de modo muito mais fácil quando você sair do estado de torpor o qual a vida nos coloca para adquirir uma sensibilidade que lhe permitirá compreender melhor o que está acontecendo com você mesma.

O segundo passo para esta reconexão, é a observação dos ciclos da lua (nova, crescente, cheia, minguante), das estações do ano (primavera, verão, outono, inverno) e, consequentemente do seu ciclo menstrual (lunação ou menstruação, período pré-ovulatório, ovulação, período pré-menstrual).

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Mandala da Lua como ferramenta de auto-observação feminina

Por dois meses tenho utilizado a Mandala da Lua (clique no link acima para obter mais informações sobre a prática e fazer o download). A prática é simples, basta anotar nos campos indicados relacionados aos dias do mês e fases da lua como você se sente físico e emocionalmente. O design da moondala é um primor e, nas horas vagas, ou mesmo antes de começar a analisar as minhas sensações e emoções, pego alguns lápis de cor e começo a colorir os desenhos de modo que eu me permita relaxar e sair da tensão do dia-a-dia para poder ouvir melhor o meu corpo.

Tenho tido experiências enriquecedoras com a utilização da Mandala da Lua desenvolvida pelo projeto da Danza Medicina. A observação do meu tempo interno, das minhas fases, dos meus altos e baixos, das minhas sombras e das minhas verdades. Um dos primeiros ganhos advindos com este exercício foi o de compreender que é irreal, ilusório, mentiroso e doente, buscar a linearidade como eu vinha fazendo com a utilização do anticoncepcional de uso contínuo, apenas pelo capricho de não menstruar e tentar ter uma vida mais previsível.

A observação dos meus ciclos tem me possibilitado saber que em alguns dias, meu corpo precisa de aconchego e repouso enquanto que, em outros me sinto revigorada e criativa, pronta para o que der e vier. Também tenho conseguido perceber que, em determinadas fases, tenho maior necessidade de uma alimentação nutritiva e mais natural possível. É incrível como seu próprio corpo te traz muitas respostas.

Encarar a TPM como forma de aprendizado e transmutação abriu muitas janelas em minha mente pois o período pré-menstrual me trazia muito sofrimento. Agora estou me permitindo um certo distanciamento de todo turbilhão de emoções e sensações de modo que consigo ter a clareza de que, ainda que eu esteja vivenciando um dia infernal, aquilo irá passar se eu encontrar a raiz daquele mal. Observar os males que meu próprio corpo está trazendo à luz da consciência, como se eu fosse duas, uma que está precisando de cura e outra que está ali para curar e acolher [é fantástico. A TPM é um modo de expurgar toda dor e todo mal que engolimos goela abaixo e tudo que não nos pertence mas que internalizamos ao longo de nossa jornada. TPM é um período excelente para curar e transmutar. E nós somos nossa própria medicina.

Para muitas pode parecer algo muito distante sair do artificial e vir para o lado orgânico e cru da vida, mas eu vos afirmo: é possível. Quando você caminha em direção à sua reconexão, a Mãe Natureza te abraça.

Namaste!

*

Para saber mais sobre reconexão com o Sagrado Feminino, acesse: www.danzamedicina.net/programaonline .

A VIDA É COMPOSTA DE CICLOS – Dia 2 do Diário da Lua Vermelha

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Um dia percebi o quanto eu estava distante de minha natureza cíclica e o mais triste disso foi perceber também que esta desconexão era a causa de uma profunda tristeza que não encontrava alento em nenhum lugar. Foram anos e anos me criticando internamente, negando minha natureza e me destruindo.

Qual é a opção mais sensata quando você sente cansaço? A resposta parece óbvia: descansar. Em vez disso o que eu fazia? Tomava xícaras e xícaras de café para ficar “pilhada” e dar conta do recado. Resultado: anos e anos de cansaço acumulado que nem se eu dormir uma eternidade conseguirei reverter. Este é um dos exemplos mais pequenos que tenho para dar já que não quero me lamentar dos erros do passado nem me vitimizar por todas as vezes em que eu pratiquei a violência de contrariar o meu corpo e o que era melhor para mim como indivíduo. Tenho aprendido muito observando o quanto fui injusta comigo mesma.

Esta coisa rançosa que nos acompanha de nos compararmos a alguém ou de querer evitar julgamentos se acentuou ainda mais quando eu me tornei mãe. Não bastava ser mãe dia após dia e ir aprendendo aos pouquinhos. Nada disso, eu tinha que ser como Hércules. Enfrentar batalhas. Ser considerada infalível. Amamentar sem descanso. Não pregar o olho. Nunca ter que pedir ajuda. Afinal: “Quem pariu o Matheus, que balance o berço”. Onde já se viu demonstrar fragilidade, ter que contar com “terceiros”, sentir dificuldade de assumir as responsabilidades advindas com a maternidade? Era uma vergonha ter que dizer às pessoas que eu precisava descansar um pouco em vez de “fazer sala”. Era um absurdo tirar um cochilo quando o bebê estava dormindo já que eu tinha uma casa inteira para limpar e organizar, caixas de areia dos gatos para higienizar, minha própria aparência física para colocar “em ordem”. Era inadmissível dizer para o marido que eu estava exausta demais para cozinhar mas que, ao mesmo tempo, precisava de um alimento mais nutritivo que uma pizza já que estava amamentando em livre demanda. Era o fim da picada não ter nenhum pingo de vontade de fazer nada, não ter libido, não ter vaidade. Mas o mais grave era que eu não tinha consciência de que havia me tornado prisioneira de meus próprios conceitos e chorava sozinha pra que ninguém visse que eu me sentia triste e desamparada. Era UMA VERDADEIRA DERROTA considerar a possibilidade de incrementar as mamadas com mamadeira e dar um descanso para os mamilos feridos já que mãe de verdade – na minha distorcida visão daquela época –  era apenas a mãe que dava o peito a seu filho. As outras, que desistiam de sentir dor ou que tinham problemas para amamentar, eram menos mãe.

Eu sinceramente me envergonho de tanta estupidez. Me envergonho profundamente de toda esta crueldade que me impediu de vivenciar a plenitude de minha maternidade. Por quê tudo isso aconteceu? Simples, porque, mais uma vez, eu estava cega demais para compreender que a maternagem era um ciclo, não uma coisa fechada, pronta, com receita de bolo pra seguir. Cedo ou tarde, todas as dificuldades passariam e aí começaria outro ciclo, com outras preocupações e outros prazeres.

Se eu tivesse me entregado mais àquele momento, se eu tivesse obedecido mais ao meu instinto, se eu tivesse escutado melhor o meu corpo, eu tinha evitado uma grande parte do sofrimento desnecessário e tinha aproveitado melhor meus primeiros passos como mãe. Sem medo, sentindo apenas amor. Sem culpas, aprendendo com os erros. Sem comparações, sendo apenas eu mesma. Mas eu quis ser a melhor de todas, quis me transformar em uma máquina de criar filho e me feri…

Claro que houve momentos em que minha sabedoria ancestral se manifestou e eu, em lapsos temporais, cheguei à me entregar várias vezes, conseguindo ser uma mãe natural, menos neurótica e mais humana. Neste momentos eu dancei com o meu filho na sala de estar, embalando a ele e a mim, ao som de Pink Martini; experimentei os ensinamentos indianos da massagem Shantala; saboreei uma deliciosa xícara de chá de erva-doce, permitindo que aquela plantinha me preenchesse de cura; possibilitei que o Sol brando das manhãs e fins de tarde acariciasse a minha pele e a pele sensível de meu filho sem me preocupar com a pia cheia de louças para lavar… Mas estes momentos poderiam ter sido mais constantes e ainda mais prazerosos se eu eu tivesse simplesmente me permitido fluir.

Quando negamos / ignoramos / deixamos de vivenciar os ciclos da vida, estamos perdendo as diversas oportunidades de aprendizado, cura e transformação que a vida nos dá. Entenda que os ciclos são necessários e que é necessário mudar. Quando você escolhe não sentir dor, não sentir raiva, não se frustrar, não se tornar vulnerável, não dar vazão às emoções, você se reveste de uma couraça que te impede de sentir amor, de sentir compaixão e de evoluir. Não faça isso, não se transforme em robô. Precisamos acompanhar este fluxo permanente de transformação; gozar os dias bons, aprender com os dias ruins.

A natureza nos mostra diariamente, que tudo é cíclico. A árvore perde suas folhas e se renova trazendo flores que, posteriormente, se converterão em frutos que, ao caírem na terra, se consumirão e deixarão uma semente que possibilitará o nascimento de uma outra árvore, de uma nova vida, de um novo ciclo.

Eu sei que todos preferem ver a borboleta voando leve e espalhando suas cores pelo ar, mas sem que ela tenha passado pelas dificuldades inerentes à sua fase de lagarta e sem que ela tenha se recolhido em seu casulo, esta magia jamais seria possível. Pense nisso quando perceber que está pulando as etapas.

Namaste!

*

Para saber mais sobre reconexão com o Sagrado Feminino, acesse: www.danzamedicina.net/programaonline .

SER OU NÃO SER MULHER, EIS A QUESTÃO – Dia 1 do Diário da Lua Vermelha

Esta são as primeiras anotações de um exercício bem interessante – e intenso –  proposto pela facilitadora Morena Cardoso, que promove a conscientização de mulheres sobre reconexão com o Sagrado Feminino e a sabedoria ancestral que nos habita. Chamado de #ODiárioDaLuaVermelha, este estudo tem convocado mulheres de todas as partes do mundo para um período de comunhão e compartilhamento de conhecimento de 28 dias nos quais, por meio de textos sequenciais, ela irá provocar importantes reflexões.

Este primeiro texto escrito por mim, deriva deste exercício que está sendo realizado neste momento por muitas mulheres e gostaria carinhosamente de compartilhá-lo com vocês, que me acompanham aqui no blog. Para saber mais sobre o programa acesse: www.danzamedicina.net/programaonline e se inscreva.

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O que te faz mulher?

Você nasce. É uma garotinha. Que linda menina, orgulho dos pais! Um pequeno tesouro. Mas o tempo vai passando e você cresce sem saber o que é. O que você é? Uma mulher. Esta palavra ecoa e ninguém te ensina direito o que ela realmente significa. Em 99,9% das vezes aprendemos o significado com as definições do mundo enquanto que nós mesmos é quem deveríamos entender olhando para dentro. Ser mulher não é um conceito apenas biológico, não é uma definição de gênero, não tem nada a ver com preferência sexual. Ser mulher faz parte de um contexto complexo, místico, profundo mas está sujeita a abusos aos quais a artista Yoko Ono um dia ousou denunciar:

A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.

Sim, esta frase erroneamente atribuída a seu companheiro John Lennon, foi proferida durante uma entrevista a uma entrevista inglesa por volta de 1969 na qual ela falava sobre seu engajamento na causa feminista.

Infelizmente, de lá pra cá, pouca coisa tem mudado. A mulher ainda morre pelo simples fato de ser mulher, morre pelo fato de ser negra, morre porque não se cala diante das atrocidades, morre por resolver pensar por si própria e expressar a sua opinião para um mundo engessado, falido. E, pior ainda, a mulher quando é bem sucedida, é comparada a um homem, como se não houvesse nenhum mérito em realizar grandes feitos sendo uma mulher.

Não ignoro que muitas mulheres, ao resolver trilhar uma promissora carreira profissional, adotam sim comportamentos masculinos e anulam em si mesmas aquilo que existe de mais sagrado e íntegro: sua verdadeira essência. Porém, para que fique clara minha explanação, deixo explícito que não estou negando a polaridade masculina ou dizendo que tudo que é do homem é ruim. Não é nada disso. O problema em si não está apenas nos homens mas em nós mesmas quando repetimos padrões e crenças limitantes que nos impedem de sermos quem queremos ser. Por quê imitar o modelo do homem enquanto que nós, mulheres, também temos tantas qualidades que podem agregar ao mercado de trabalho, à sociedade e ao mundo como um todo?

Eu digo isso porque fiz isso durante praticamente mais de uma década. Em vez de me acolher em minha particularidade eu competi com meu corpo. Quis sufocá-lo tomando anticoncepcional de uso contínuo para não menstruar de-jei-to-ne-nhum. Eu odiava o cheiro de sangue. Odiava meus altos e baixos. Queria apagar isso da minha vida. Quis ter uma vida reta, ter o mesmo desempenho todos os dias. Queria imitar os homens em sua grande força física, abafar os meus gritos de dor me entupindo de analgésicos e dizendo sim quando queria dizer não. Desobedecia meu corpo que precisava se renovar e, portanto, precisava de repouso. Porque eu fui prepotente e pelo simples fato de que não é permitido ser mulher dentro do ambiente corporativo. É errado, é frescura, é bobagem. Coisa de mulherZINHA.

Sangrar, aceitar todo desconforto destes dias vermelhos, sentir cólicas, ter diarreia, precisar de algumas horinhas a mais de descanso, sentir aquela indisposição que grita e, ainda assim, ter que dar o melhor de si quando você não está em sua melhor performance, por si só, já nos coloca em uma posição de desvantagem. Isto não quer dizer que somos fracas, apenas que temos nossos momentos de fragilidade. Significa apenas que, por alguns dias de um mês de 30 / 31 dias, precisamos de um pouco de recolhimento. Nada mais natural. Afinal, assim como o verão não dura para sempre e não pode ser sempre noite, nós estamos sempre atravessando ciclos durante toda a vida. A vida, por si só é um ciclo e não há nada que possa ser feito para você barrar esse movimento.

Temos que aceitar que, ao contrário das máquinas, nada neste mundo é linear. Os homens também são cíclicos embora isto não se dê de forma tão acentuada como ocorre com nós, mulheres.

Por isso, hoje, dia 19 de Março de 2018, neste primeiro texto dedicado ao Diário da Lua Vermelha, me junto a este imenso circulo de mulheres, abraçando-a com corpo e alma, envolvendo-as em meu calor e aconchego para dizer que eu as honro e que me honro também. Eu aceito e honro os meus dias de recolhimento pois sei que sou possuidora desta imensa força que mantém a continuidade da vida. Eu aceito, honro e cuido da saúde do meu corpo e da minha integridade emocional pois não preciso ser igual todos os dias nem entrar em conflito com esta roda que gira dentro e fora de mim.

Agora eu me reconheço, sou mulher.

HOJE É DIA DE SER MULHER POR INTEIRO

Recebi a minha Lua* hoje, Dia Internacional da Mulher. Dia que, entre abraços e beijos e flores, nos lembra o quanto já fomos vítimas dos outros e de nós mesmas. Não poderia ter ocorrido algo mais simbólico – e feminino – que ter como data do primeiro dia da segunda menstruação livre de anticoncepcional justamente 8 de Março.

Eu nunca gostei de menstruar. Talvez eu ainda não possa dizer que goste. Passei quase três décadas da minha vida achando que a menstruação era algo nojento e que meu corpo não funcionava muito bem “naqueles dias”. Tinha raiva por ser mulher. Queria ser livre como eram os homens. Nada de roupa manchada, de absorventes guardados em todos os bolsos, de analgésicos e bolsas de água quente. Queria poder trabalhar com a mesa disposição e resultado que eu tinha nos dias considerados “normais”. Queria não ter que ouvir a piadinha infame dos machos – e també de tantas fêmeas – “Ihhh, tá menstruada hoje?” quando eu simplesmente tinha acordado com o pé esquerdo ou simplesmente não estava afim de nenhuma gracinha. Mas eu nasci assim: cíclica, impulsiva, inconstante, canceriana, regida integralmente pela Lua. Eu não sabia ainda que nenhuma mulher foi feita para ser apenas uma. Somos várias, somos múltiplas, somos cheias de fases, somos a roda que gira e nunca pára. O dia em que pararmos de girar, o mundo também pára. Nossa dança cósmica sustém o mundo. Nascemos, crescemos, nutrimos a vida e depois morremos. E carregamos conosco este ciclo de nascimento e morte todos os meses. Faz parte da nossa natureza feminina.

“Você não pode contra a força de um oceano”

Induzi a suspensão de minha menstruação por quase 7 anos desde o nascimento de meu filho, em 2009, por meio de anticoncepcional de uso contínuo. Era um barato não ter que me preocupar em ter um absorvente sempre à mão e eu adorava aquela sensação de liberdade. Embora eu pensasse que estava tudo bem – já que os médicos atuais afirmem que não há nenhum problema ou risco em suspender o ciclo menstrual – a nível emocional eu estava varrendo a sujeira para baixo do tapete. Digamos que ficou tudo bem até que meu corpo deu o seu basta e, contrariando meus desejos, me fez encarar o que deveria ser algo muito natural: sangrar.

Eu já estava na Italia e me vi desesperada quando, depois de ANOS, fui pega de surpresa por um sangramento que durou quase 15 dias. Tive medo, obviamente, de ter algo muito errado comigo. Senti muita raiva de ter que lidar com aquilo outra vez. Me senti traída e contrariada pelo meu próprio corpo.

Liguei para todas as minhas amigas pedindo conselho. Falei com vários ginecologistas. Nenhum consenso. Apenas medo e mais dúvidas. Mas uma voz interior me dizia: “Não há nada que você possa fazer contra a sua natureza. Você é uma mulher e precisa se aceitar assim como é, existe a força de um oceano dentro de seu corpo. Aceite como um presente”.

O anticoncepcional te causa a falsa impressão de que você é uma mulher livre. Mas eu não era. Eu havia sido aprisionada pela ilusão de que mulher, para ser livre e feliz, não devia sangrar nem ter cólicas. Mas a volta da menstruação tinha cortado as minhas asas e eu chorei como na primeira vez que eu menstruei. Me senti amaldiçoada.

Meu companheiro, que não é nenhum pouco delicado (risos) me advertiu do jeito dele: “Não está certo isso que você está fazendo com seu corpo. Acho que já está na hora de você parar e repensar”. Foi então que comecei a considerar a interrupção do anticoncepcional para aprender a lidar com o meu corpo do jeito que ele foi feito para ser.

“Não é fácil ser mulher”

Isto, que deveria ser normal para todas as mulheres, nos é ensinado como um fardo advindo da condição de ter nascido mulher. Aprendemos desde que “viramos mocinha” (um termo que odeio até hoje!) que nosso sangue é sujo, que temos que esconder bem o absorvente todo ensopado de sangue, que temos que esfregar bastante aquela roupa manchada, que temos que nos fazer de forte quando nosso corpo está colapsando de dor. Algumas de nós sofreram bulling na escola por ter sido ‘pega de calças curtas’ e  branca ainda por cima.

Nossas mães nos ensinaram que, com a primeira menstruação, deveríamos ter cuidado com os homens. “Olha lá hein, menina. Veja bem o que você está fazendo da sua vida“. “Vê se não me aparece aqui com uma barriga…“. “Homem só quer saber do bem bom. Depois, se você engravida vai ganhar um belo pé na bunda!“. “Toma anticoncepcional pra não engravidar!“. “Homem não gosta de mulher usada!“. “Se você tiver um filho e não se casar, vai ficar falada.“. “Senta direito, menina. Fecha essas pernas!“. “Nem parece menina, vê se isso são modos?“. “Que nojo, agora você vai lavar esse lençol! Esfrega isso direito hein, não quero ver nenhuma marca!“. “Corre lá lavar essa roupa suja porque sangue mancha!“. E assim, vamos internalizando que os homens, a sexualidade, a fertilidade e este sangue que expelimos todos os meses durante boa parte de nossas vidas é algo sujo, vergonhoso, nojento, a ser escondido, a ser evitado, ruim, pesado, maldito.

O mesmo ocorre com nossas vaginas / ou pepeka / larissinha / periquita/ perereca /buceta ou como você chama ou quiser chamá-la. Somos ensinadas que é errado tocar nosso corpo. “Tira a mão daí!”, ouvimos. Crescemos com medo de sentir prazer ou nem mesmo sabemos como se faz para sentir prazer. O que aprendemos sobre a sexualidade é que devemos evitar DST’s e gravidez indesejada. Ninguém fala sobre a importância do prazer feminino. No sexo, no qual a mulher e seu corpo são vistos de forma objetificada – apenas como um buraco para acomodar um pênis – sobra muito pouco para que a mulher se sinta realizada. Ter orgasmos – um ou múltiplos – não é só gemer como faz uma porno star mas sentir prazer mesmo, de verdade. Sem medo de ser feliz.

Mas basta um passeio pelos sites pornográficos para poder sacar o que foi incutido no inconsciente masculino e deduzir que o prazer feminino é algo estritamente proibido. Mulher com tesão é puta. Mulher excitada é pervertida. Mulher, feita para ser usada e abusada. Maltratada. Humilhada. Reduzida. Cuspida. Submetida. Do lado de cá dos fetiches, das câmeras e das telas, a mulher considerada decente não mostra seu corpo e se mostrou demais “mereceu ser estuprada“.

Há tempos categorizaram as mulheres em tipos. Mulher pra casar. Mulher pra comer. Mulher que bebe “que nem homem“. Mulher que gosta de ser bancada. Mulher que banca marmanjo. Mulher velha que pensa que é nova. Mulher que ainda não se tornou mulher e, portanto, é “novinha”. Mulher que tem que apanhar igual homem porque diz que não é mulher. Mulher que não se depila. Mulher que quer ser homem. Mulher macho. Mulher que gosta de apanhar. Mulher de malandro. Mulher oferecida. Mulher interesseira.

Não é culpa de nossas mães. Elas também aprenderam assim. Tampouco é culpa de nossas avós ou nossas bisavós, trisavós, ancestrais. Mas o fato é que já está mais do que na hora de começarmos a nos libertar dessa opressão silenciosa e destes rótulos e ensinar nossas filhas e futuras gerações que podemos ser mulher do jeito que quisermos ser. Uma forma – entre tantas outras que existem – de nos libertarmos destes padrões e resgatarmos a nossa essência é proposta por meio da aceitação de que nossa natureza cíclica e nosso sangue é sagrado pois ele nos renova – físico e espiritualmente – todos os meses. Este sangue, acredite, nos cura. Até mesmo a TPM, que tanto odiamos, tem um papel fundamental em nossa cura pessoal. Ela nos mostra, a nível sutil, que estamos varrendo a sujeira para baixo do tapete em vez de encarar nossas dificuldades. Quanto mais TPM você tiver, mais coisas estão explodindo aí dentro sem que você permita que seja trazida à luz da consciência e encarada de frente.

Um novo olhar sobre o ciclo menstrual

Nosso ciclo feminino inicia no primeiro dia de nossa menstruação quando nosso corpo se renova para atingir seu ápice que é a nossa potência em gerar uma vida – ainda que não seja o momento ou não esteja em seus planos gestar uma criança – e vai declinando até que, novamente, caso não tenha ocorrido a fecundação, você fecha este ciclo da vida que não se criou, com este sangue puro e limpo que faz parte de você e de sua essência. Seu sangue não é sujo, sua vagina não é suja, você não é suja por ser mulher e menstruar. Mas o que importa de verdade neste ciclo não é apenas a nossa capacidade de gerar uma vida mas sim como nos sentimos e como nos enxergamos como indivíduos único que somos durante todo o mês.

Com o exercício de autoconhecimento proposto na Mandala Lunar que pode ser baixada no blog Danza Medicina, tenho acompanhado diariamente as minhas metamorfoses e isto tem sido muito enriquecedor. Embora eu ainda esteja começando este percurso, já consigo perceber alguns padrões e tantas coisas a serem curadas.

Sim, nós mulheres precisamos nos curar de nós mesmas. Devemos remover todas as camadas que faz a nossa vida ser um fardo de culpa e de medo. Quando nos curamos e apoiamos outras mulheres a se curarem de todas essas feridas adquiridas ao longo dos anos, nos fortalecemos e contribuímos para um mundo melhor.

O meu filho, embora seja um menino, deve aprender comigo o que é de fato uma mulher para que ele não cresça repetindo os padrões que nos separam de nossa essência verdadeira, seja ela masculina ou feminina, já que ambas são sagradas. Ele, assim como as pessoas do mundo devem aprender que:

🌹 Mulher não é serviçal de um homem ou da família embora ela tenha o dom de cuidar;

🌹 Mulher não é um ser linear mas cíclico e mutável por natureza;

🌹 Mulher não possui (ao menos a maior parte delas) a mesma força física e estrutura corpórea de um homem mas possui uma força interior capaz de transformar o mundo;

🌹 Mulher não é composta apenas de seios e vagina e se um homem busca apenas isso em uma mulher ele ainda não está suficientemente maduro para ter uma;

🌹 Mulher tem sim suas próprias vontades, os seus direitos, suas particularidades e deve sim ter o seu lugar na sociedade;

🌹 Mulher tem todo o direito de ganhar bem, de trabalhar fora, de estudar, de não querer ter filhos, de não poder se dedicar exclusivamente à maternidade e à família, de querer amar quem ela bem entender, de conhecer quantas pessoas ela quiser, de fazer sexo no primeiro / no segundo / no vigésimo encontro sem precisar receber os rótulo de mãe desnaturada, ambiciosa, Maria Machadão, esquisita, nerd, libertina, biscate, puta, “mulher pra se divertir”;

🌹 Mulher tem pleno direito de não ter que ser comparada à mãe do marido para ser considerada decente ou boa esposa;

🌹 Mulher tem que ter orgulho de seu corpo como ele é, livre de qualquer padrão social ou estético;

🌹 Mulher não deve ser desmerecida / ridicularizada / agredida por sua opção sexual;

🌹 Mulher pode vestir a roupa que faça com que ela se sinta bem e não a roupa que a idade / papel social / padrões sociais ditam como certa para ela;

🌹 Mulher tem que desmitificar a maternidade e aprender que ela não tem que se cobrar a perfeição ou a santidade porque ser mãe não tem nada a ver com ser santa ou ter que “padecer no paraíso”;

🌹 Mulher tem que entender que ser mãe é uma escolha a qual ela tem pleno direito de dizer sim ou de dizer não;

🌹 Mulher tem que aprender que a vida sempre continua e que você pode amar novamente e ser amada;

🌹 Mulher não deve suportar nenhum tipo de maltrato e abuso;

E por fim, que mulher menstrua SIM e que o nosso sangue é VERMELHO E LIMPO e não azul como nas propagandas de absorvente.

Faça as pazes com sua natureza. Liberte-se!

🌹

Namaste, manas!

*Lua ou lunação é como nominamos o sangue e o período menstrual. Para obter mais informações sobre a Mandala da Lua e saber como realizar os exercícios e rituais de autoconhecimento propostos pela terapeuta corporal Morena Cardoso, acesse: www.danzamedicina.net/blog/plantesualua .

🐈 MEU ANIMAL DE PODER 🐈

O gato é meu animal de poder. 😻

Sim, o gato🐈. Não um leão 🦁, nem o tigre 🐯, nem o leopardo 🐆 e nem o jaguar 🐅 mas o menorzinho dos felinos. Felis catus para os entendidos. No meio deles me sinto à vontade pois somos iguais: sabemos estar no alto ⬆e no chão ⬇ sem que isso afete nosso ego; enxergamos além das aparências e somos um tanto quanto incompreendidos por algumas pessoas que tem um pouco de medo de interagir conosco ou que são ~alérgicas~ ao nosso incrível magnetismo.

No entanto, não somos do tipo que quer sempre se fazer notar: também temos o dom de ficar invisível, de nos esconder nos cantinhos mais secretos – das nossas vidas, das nossas almas – enquanto observamos o mundo exterior calmamente. Nossa indolência não é por acaso: depois de tanto ímpeto é preciso recarregar as forças. O sono nos restaura e nos renova. Somos seres cíclicos. Não temos patrão. Não temos um grupo convencional. Não obedecemos regras que não sejam as nossas. Não estamos nem aí para nenhum tipo de método que não sejam aqueles que nós testamos as variações e possibilidades diariamente só pelo prazer de fazer diferente, de testar nossos limites.

Nosso corpo é lânguido e ágil e, por vezes parecemos frágeis e indefesos mas – não se deixe enganar com nossa forma física – uma fera incontrolável nos habita e somos capazes de feitos que desafiariam as leis da física.
Somos leais mas nossa lealdade não é incondicional: se desmerecer nosso amor e entrega, nosso orgulho e altivez nos fará ir embora sem olhar para trás pois sabemos que amor e submissão não combinam muito bem. Queremos ser bem cuidados e respeitados.

Cautelosos, não nos envolvemos em confusões (ainda que o circo já esteja pegando fogo diante dos nossos olhos 🎪🔥) mas experimente meter nosso rabo na fogueira de propósito ou nos obrigar a entrar numa briga para ver o que acontece quando estamos encurralados. Nem o capeta pode com nossa ira. 👹

Os mistérios da alma e as sutilezas do astral nos pertencem e transitamos entre o físico e o metafísico com a naturalide do céu que é claro e depois escuro. Somos guardiões de segredos que só os mais sensíveis são capazes de perceber. Você pensa que estamos distraídos ou “por fora” mas sabemos tin tin por tin tin daquilo que tentam nos esconder. Algo nos sopra as informações ocultas no ouvido. Como se diz por aí, a palavra mente, a energia não. Você pensa que estamos distraídos ou “por fora” mas sabemos tin tin por tin tin daquilo que tentam nos esconder. Algo nos sopra as informações ocultas no ouvido. Como se diz por aí, a palavra mente, a energia não.

E não, apesar de sermos exímios caçadores, não iremos ficar correndo atrás de algo ou alguém como faz o cão – sem desmerecer os méritos e a sabedoria dessa espécie -. Somos etéresos demais para disputar cargos, empregos, o amor ou a atenção das pessoas. Nos cansamos facilmente de jogos de poder e conquista. Não somos bons jogadores. Depois que a baratinha parou de mexer as perninhas, a brincadeira perdeu toda a graça.

Mas sabemos valorizar aquilo que se conquista com amor e respeito. Nossos relacionamentos são verdadeiros e uma vez que estivermos juntos de alguém por livre e espontânea escolha de ambos, estaremos juntos de verdade. Para o que der e vier.

😻❤🐈

Namaste!

VOCÊ NÃO TEM O CONTROLE: O CURTA QUE ENSINA A ABRAÇAR A VIDA COMO ELA É

Criamos manuais para quase qualquer coisa e pensamos que podemos planejar absolutamente tudo, afetando desse modo a nossa capacidade criativa, de pensar e de sentir. O curta a seguir nos ensina que é fundamental parar de interferir no que é natural se quisermos evoluir e crescer.

Gostamos muito de ser controladores e ter o controle sobre as coisas. Vivemos com a intenção de manipular cada detalhe, queremos que as coisas funcionem como pensamos e tentamos fazer valer nossos planos. Mas a verdade é que se pretendemos que nossos projetos se desenvolvam, temos que ser conscientes de que não podemos estar totalmente seguros sempre de que o que queremos fazer e o que decidimos vai dar certo.

Um curta para refletir sobre nosso modo de viver a vida

Esse curta nos conta a história de Dechen, um monge budista tibetano em processo de treinamento que tem uma grande paixão pela jardinagem. No vídeo podemos ver como ele planta uma flor, a observa e cuida da mesma com muito carinho e total dedicação.

No entanto, assim como vimos no curta, a planta vai perdendo força apesar de todos os cuidados desprendidos. No momento em que o pequeno monge leva a linda flor para o interior do templo, a flor começa a murchar, provocando uma grande incompreensão e tristeza em nosso protagonista.

Dechen não pode aceitar a situação, e por isso o monge principal, Angmo, vê-se obrigado a intervir e tentar ensinar ao seu pupilo um pouco sobre a vida. Com a sabedoria de seu mestre, Dechen consegue compreender que ao eliminar a necessidade de poder e de controle, sua flor começa a renascer.

No lugar de falar de uma flor, podemos falar de um projeto de vida, de nossos filhos ou de nosso relacionamento amoroso, nossos sentimentos, nossas emoções ou nossa capacidade de aproveitar a vida.

Via A Vida Maravilhosa