🕉 ♪♩ Mantra Removedor de Energias Negativas ♪♩ 🕉

Este Mantra é poderosíssimo na remoção de Energias negativas. Ao cantar: ♪♩ Prana Apana Sushumna Hari Hari Har Hari Har Hari Har Hari ♪♩ todas as energias negativas são removidas de nossos corpos dando espaço para que o nosso Prana, isto é, a nossa Força Vital, possa circular adequadamente, trazendo-nos renovação mental, física e espiritual.

A tradução deste mantra é:

Prana – força da vida

Apana – Grande “Cleanser” do nosso sistema 

Sushumna – Canais para a Força da Vida

Hari / Har – Grande Infinito Criativo

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Mais informações sobre o Mantra

Prana é a força vital e Sushumna é o canal central dessa força. Esse mantra ajuda a extrair energia da coluna para a cura. Hari e Har são nomes de Deus. Quando prana e apana fluem juntos através de Sushumna – a passagem central da coluna vertebral – para o topo da cabeça, a experiência do samadhi ocorre, que é o objetivo de toda prática iogue. Apana é a força eliminadora ou a remoção de força ou energia Negativa. Sushumna é o canal através do qual essas energias se movem em torno do nosso corpo. Hari e Har são os nomes da fonte divina de energia infinita, fonte de cura, alguns também dizem que a palavra Hari vem de Hara, que significa removedor, removedor de dor e negatividade.

Este mantra é um dispositivo de cura muito poderoso. Tanto para a cura física quanto emocional. Ao usar este mantra para curar, concentre-se em sua respiração e, ao inspirar, visualize que uma força ( energia vital) está purificando todo seu corpo (Sistema). Com Apana, visualize que toda a dor e negatividade e bloqueios de energia dentro de seu corpo estão sendo removidos. E Sushumna, é o canal, através do qual a energia está circulando em seu corpo. Visualize o ar e a energia circulando dentro de todo o corpo, cada célula do seu ser é iluminada pela força vital. E quando chegamos à palavra Hari, sorria e aproveite todas as coisas maravilhosas que o universo tem a oferecer. Isso Hari tem para oferecer.

A palavra yoga em sânscrito JUJ (yoga) é união, é nossa busca constante nos unirmos ao todo, à respiração, ao corpo e à mente, entre outros. Quando encontramos a união, entramos no estado de samadhi. A prática de asanas como meditação é simplesmente uma ferramenta que nos ajuda a seguir o caminho da união com o todo. Nosso corpo é um elo para alcançar tal estado. E existem diferentes formas de alcançá-lo, como a prática de exercícios respiratórios, a prática de asanas, a meditação e o movimento de energia que pode ser dado graças ao já mencionado.

Os 5 vayus referem-se ao funcionamento da energia dentro do nosso corpo (Prana, apana udaana, samaana e vayaana). Prana está em constante movimento dentro de nós e de todos os seres vivos. Nossas ações, movimentos e sentimentos são uma reflexão que nosso prana está dentro de nós. A base do prana está na parte superior do nosso corpo, na parte da boca, a garganta, também se refere ao quinto chakra VISHUDI. O Prana está conosco desde o dia do nosso nascimento até o dia da nossa morte, mas é importante ajudar a energia a se mover com exercícios de respiração (pranayama) com consciência de inalação, exalação, retenção da suspensão.

Na prática, é importante estar muito presente com a respiração, enviando energia para o assoalho pélvico até que seja misturado com Apana (energia que desce). A energia do apana é o oposto do prana. A função apana consiste em eliminar o que o corpo não precisa, incluindo energia. Pode-se dizer que o apana está em conformidade com a limpeza do corpo. A energia do apana reside na parte inferior do corpo, abaixo do umbigo, sendo este o espaço onde está localizado o sistema digestivo, o que ajuda nosso corpo a ser mais saudável e, assim, trabalhar melhor.

O apana está relacionado aos três primeiros chakras BIJA, SWADISHTANA e MANIPURA. Apana também trabalha pela força, pois busca a união com o prana pelo canal central de nosso corpo, tanto energético quanto físico, fazendo forças opostas para que ele suba e apana que desce. Na prática, é importante aumentar a conscientização em mula bandha, dessa forma ativamos o apana vayu. O Sushmuna é união das duas forças Prana e Apana na cavidade prânica cria um calor tremendo no Chakra do umbigo – um calor não quente, mas brando. As energias combinadas são frequentemente descritas como a energização do filamento do sushmuna, o que significa que o sushmuna se acende como o filamento de uma lâmpada subitamente ligada à fonte de energia elétrica.

Boa prática a todos!

Namaste! 🧘🕉

 

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Sororidade: a capacidade de amar e fortalecer nossas irmãs 🙋🙋🙋

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A palavra sororidade vem ganhando notoriedade nos últimos anos. E não é para menos: as mulheres do mundo todo estão despertanto para a necessidade de se solidarizar e oferecer suporte umas às outras. Sororidade encerrou o ano de 2017 como uma das palavras mais pesquisadas na internet e seu significado é basicamente a união e a aliança entre mulheres, baseada na empatia e na busca de objetivos em comum.
O prefixo “soror” significa “irmã” em latim.

A voz de uma mulher sozinha é apenas uma voz enquanto que a voz de muitas mulheres juntas ganha força para vencer as mazelas que ainda afligem o sexo feminino em pleno século XXI. Violência, abusos físicos e psicológicos, assédio, humilhação, dificuldade de inserção no mercado de trabalho, desvalorização e desmerecimento profissional, disparidade salarial, objetificação sexual, competição de uma mulher com outra, enfraquecimento de vínculos afetivos, vulnerabilidade, bullying, entre tantas outras coisas que nos levariam a uma lista sem fim.

Nossa sociedade nos ensinou que, entre nós mulheres, não pode haver companheirismo. Precisamos estar mais belas, mais bem vestidas, mais preparadas que outras mulheres. Temos que atender às expectativas dos homens para não sermos “trocadas” por outras mulheres como se fôssemos objetos descartáveis, mercadorias que perdem a graça e podem ser facilmente substituídas por opções mais interessantes ou novas ou melhores, disponíveis no mercado invisível das relações humanas objetificadas.

Não raro as mulheres disputam entre si, julgam umas às outras e corroboram com o machismo e a desigualdade de gênero. Quem de nós nunca ouviu uma mulher dizer que “fulana” mereceu sim ser traída porque tinha que estar mais atenta ao maridão ou que “beltrana” deveria era ganhar uma bela surra por se prestar ao papel de amante de um homem casado (como se a amante fosse uma grande megera e o homem casado, coitadinho, uma vítima da mulher sedutora sem escrúpulos).

Ainda mais absurdo é pensarmos que nossas próprias mães, pais, tias, tios, avós, avôs, professores, cuidadores e etc passaram a vida toda replicando bordões opressores como: “Isto não é coisa para menina”; “Senta direito como mocinha”; “Menina decente não usa roupa curta / cavada / decotada”; “Esse cabelo curto aí, parece homem”; “Fulana é uma biscate, está cada dia com um homem diferente”; “Se você não cuidar bem do seu marido ele vai sair atrás de outra”; “Homem não gosta de mulher muito cheia de vontades”; “Também, com essa roupa que usava, estava pedindo pra ser estuprada”

É muito triste pensar que as relações interpessoais femininas são permeadas de neuroses que foram incutidas por normas sociais injustas, opressoras e psicopáticas. Nós mulheres temos medo de confiarmos umas nas outras e termos nossos espaços invadidos, ou termos nossos maridos/namorados(as)/companheiros(as) – afinal isso também vale para mulheres que gostam de mulheres – roubados pela outra mulher. A palavra A OUTRA já desperta um certo medo profundo de que exista alguém melhor, mais bela, mais jovem, mais apta, mais atraente, mais esperta, mais “gostosa” do que nós. Por isso evitamos, na maior parte dos casos, que nossas relações com outras mulheres sejam relações íntimas e cheias de significado.

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Por falar em tristeza, vamos sair da teoria e entrar no campo da prática. A primeira pergunta necessária é: você, mulher, se considera capaz de RESPEITAR e OFERECER APOIO a outra mulher, ainda que ela não seja sua mãe, irmã, prima, tia, amiga, pessoa próxima? Você seria capaz de olhar para uma mulher sem julgar? Você seria capaz de lutar pelo direito de outras mulheres ainda que aquela mulher fosse uma “irmã” distante, desconhecida, com suas próprias vontades e escolhas, caminhos e realidades de vida que, muitas vezes, são incompreensíveis para ti? Lutaria pelo direito à dignidade de uma mulher que ainda não despertou para o fato de que ela merece ser amada, respeitada, valorizada, enfim, de que merece descobrir o seu lugar e seu propósito no mundo?

Não vale pensarmos em sororidade apenas para quem possui um lugar em nossos corações. Devemos pensar que a sororidade é aquilo que nos une, a trama invisível da vida, que pede para que nós mulheres nos tornemos novamente integradas para que possamos, enfim, ser íntegras.

Não há paz enquanto uma mulher sofrer violência por ser mulher. Não há dignidade enquanto uma mulher tiver os seus direitos fundamentais violados por ser mulher. Não há liberdade enquanto uma mulher não puder usufruir das mesmas condições de escolha que um homem pode ter enquanto indivíduo. E, principalmente, não haverá sororidade enquanto nós mulheres não abrirmos nossos corações para permitir que as outras mulheres sejam vistas como nossas semelhantes e não rivais.

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Uma boa reflexão a todos e a todas.

🙋

Namaste!

MENSAGEM DE ANIVERSÁRIO 🎂: 33 coisas que aprendi com meus 33 anos

Nesta sexta-feira 13, que para mim sempre trouxe bons auspícios, completarei 33 anos de vida. Três décadas das quais venho apreendendo e relembrando tudo aquilo que nós já trazemos dentro da gente, aquela sabedoria ancestral que nos é inata e que precisamos tanto trazer à luz da consciência.

Eu não me atreveria a fazer um balanço destes anos visto que tenho comigo a convicção de que não importa o que tenhamos passado – momentos bons ou ruins – mas sim o fato de estarmos ou não progredindo em nossa caminhada. O que passou, passou e o que há de vir que seja cada vez melhor.

Um “indicador” que utilizo para tentar mensurar se estou avançando ou se estou “empacada” evolutivamente, é justamente a minha capacidade de lidar com tudo aquilo que a vida vem apresentando. Quando percebo que estou pendendo para o comodismo, o vitimismo ou o apego, aperto o alerta vermelho e tento voltar para o caminho do meio.

Para não me alongar demais, gostaria de compartilhar com vocês, 33 lições ou conselhos daquilo que venho aprendendo ao longo deste 33 anos esperando que sejam úteis a quem se interessar.

Prossigo confiante de que todos nós somos capazes de nos superar dia após dia e desejo a todos muita coragem e principalmente amor.

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1 – Ser mãe é amar incondicionalmente mas também é respeitar a si mesma como indivíduo único e autônomo, pois esse é o melhor modo de ensinar a seus filhos que eles devem respeitar aqueles que os amam. Se nossos filhos crescerem pensando “mesmo se eu fizer algo muito ruim minha mãe sempre vai me amar” estamos criando pessoas para serem egoístas e tiranas e não para serem independentes e felizes.

2 – Amar alguém deve ser uma consequência de amar a si mesmo.

3 – Amar a si mesmo significa acolher tudo o que você tem de bom e, principalmente, de ruim.

4 – Amar ao outro significa acolher tudo o que ele tem de bom e, principalmente de ruim.

5 – O amor nunca cede à indignidade. Onde há indignidade não há amor.

6 – Espiritualidade e religião são coisas bem diferentes. A sua relação com Deus é pessoal e íntima e ninguém tem nada a ver com o modo com que você expressa sua fé no divino.

7 – Se a sua religião te conecta com o plano superior, está tudo certo. Se, ao contrário, sua religião te faz odiar ou desprezar as pessoas, repense.

8 – Nunca desista da vida apesar de termos dias em que gostaríamos de mandar tudo à merda. Nestes momentos em que tudo parecer confuso ou absurdamente impossível, talvez seja adequado fazer uma pausa e descansar. Ou sair por aí para caminhar sem pensar em nada.

9 – Aprenda a fazer coisas sozinha/o. Ir ao cinema, ao restaurante, viajar, consertar um chuveiro, trocar uma lâmpada… Nos tornarmos incrivelmente mais felizes quando aprendemos a nos bastar e sermos nossa melhor companhia.

10 – Aprecie as suas amizades verdadeiras e as pessoas que se interessam verdadeiramente por você.

11 – Mantenha distância de pessoas que não te trazem nada de bom.

12 – Cuide bem de seu corpo e de sua energia vital. Tudo aquilo que você considera mais importante em sua vida depende do seu bem mais precioso: a sua saúde.

13 – Diminua o consumo de café. Você não precisa tomar café desesperadamente para ser mais produtivo e viver “na pilha”. Seja para o trabalho ou para os estudos, a qualidade vale muito mais que a quantidade.

14 – Você não precisa se drogar para conseguir suportar as coisas que você pensa que deve suportar. Podemos dizer não para todas as coisas que nos fazem mal em vez de acrescentar mais uma para “nos anestesiarmos” das decisões necessárias ou dos problemas que todos nós passamos.

15 – Seu corpo é lindo e você é única(o). Não deixem que te convençam do contrário.

16 – Caminhe pelas ruas da cidade. Ande a pé. Se for possível resolver sem precisar de utilizar o carro, faça. É libertador.

17 – Você vai perceber (mais cedo ou mais tarde) que não precisa nem da metade das coisas que você já tem.

18 – Nunca se deixe escravizar por um salário, uma posição social ou uma pessoa. Nunca – eu repito NUNCA – irá valer a pena.

19 – Você não é o seu trabalho. Você não é insubstituível. Você não é aquilo que você ganha. Acho que fui clara.

20 – Nunca perca a capacidade de perdoar. Aos outros e a si mesmo.

21 – “Deus ri enquanto o homem faz planos”. Aceite o fato de que as coisas nunca acontecem da mesma forma que nós desejamos que elas aconteçam.

22 – Desenvolva a capacidade de se entregar ao fluxo da vida.

23 – Esqueça o ditado “Trabalhe em algo que você realmente goste, e você nunca precisará trabalhar na vida”. Todas as atividades profissionais tem seus altos e baixos, dias bons e ruins e desafios a serem superados diariamente.

24 – Respeite a si mesmo. Ouça sua intuição. Acredite no seu potencial. Escolha uma destas três opções de conselho e você nunca irá se arrepender do resultado.

25 – A única certeza desta vida é a de que tudo passa. A impermanência pode parecer assustadora mas ela esconde uma face libertadora.

26 – Não aceite migalhas. Você não é um pombo.

27 – Por mais apocalíptico que o cenário da sua vida esteja nesse exato momento, nunca perca a capacidade de sonhar.

28 – Lembre-se diariamente que os sonhos dependem de ações. A única coisa que cai do céu espontaneamente é a chuva (e também a neve).

29 – Todos nós nascemos flexíveis. Mantenha-se assim ou procure voltar ao seu estado natural. A Yoga nos auxilia muito neste processo.

30 – Entregue-se. Deus nunca falha para aqueles que tem coragem de fazer o necessário. Ele atua onde nossas mãos e pés não alcançam.

31 – Nunca perca a capacidade de chorar.

32 – Nunca perca a capacidade de sorrir.

33 – Mantenha sua fé em si mesma/o.

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ORAÇÃO DE PROTEÇÃO DE SÃO MIGUEL ARCANJO

oracao-de-sao-miguel-arcanjo-1-750x409.jpgOração de São Miguel Arcanjo é muito poderosa na defesa contra as influências do mal. O Arcanjo Miguel liderou o exercito de anjos que combateu e venceu Lúcifer quando ele se revoltou contra Deus, por isso a oração de São Miguel Arcanjo é uma oração forte, que deve ser feita quando você estiver precisando de ajuda e força nos desafios da sua vida.

Sempre que se sentir desamparado, triste, com raiva, ou que sinta que esteja sofrendo algum tipo de ataque espiritual, faça esta oração com muita fé.

No Apocalipse encontramos a referência mais dramática sobre São Miguel Arcanjo. Aqui João narra a grande batalha no céu, quando os anjos perversos, comandados por Lúcifer, se revoltaram contra Deus, e como São Miguel Arcanjo, no comando dos anjos fiéis, derrota os anjos do mal e os expulsa.

Essa passagem da bíblia foi pintada por muitos artistas importantes e o grande poeta John Milton, no Livro VI do livro Paraíso Perdido, reconta a famosa luta. Devido a esta vitória, São Miguel Arcanjo é reverenciado e considerado uma verdadeira autoridade na luta contra o mal.

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O culto ao arcanjo Miguel também é muito popular no Egito, Roma, França e Alemanha. Seus emblemas são uma bandeira, uma espada e um dragão. O nome Miguel é uma variação de Mikhael, que significa em hebraico, “Quem é como Deus?”.

Oração de São Miguel Arcanjo

Príncipe Guardião e Guerreiro defendei-me e protegei-me com Vossa Espada.

Não permita que nenhum mal me atinja.

Protegei-me contra assaltos, roubos, acidentes e contra quaisquer atos de violência.

Livrai-me de pessoas negativas e espalhai vosso manto e vosso escudo de proteção em meu lar, meus filhos e familiares. Guardai meu trabalho, meus negócios e meus bens.

Trazei a paz e a harmonia.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio.

Instante e humildemente vos pedimos, que Deus sobre ele impere e vós, Príncipe da milícia celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas.

Amém.

 

 

LA HUESERA

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Eu já não a esperava mais. Ela havia se atrasado por 15 dias e tudo dentro de mim havia se transformado em silêncio. Sua voz não ecoava em meus ossos como de costume e meu coração estava apertado. Por dias e dias eu andei em círculos feito um animal acuado. Nenhum lugar para ir, embora o alto das montanhas chamasse o meu nome a cada por-do- sol. Procurei por seus sinais em toda parte mas não encontrei por seus rastros.

Sua ausência doía. Meu ventre contraído em dor contrariava o meu desejo de ver a vida brotando mais uma vez, era difícil compreender que ainda não havia chegado o momento. Então eu me recolhi em meu leito, me aconcheguei em um cobertor de lã e permiti que algumas lágrimas lavassem os meus olhos. Foi então que a vi entrar pela porta, no breu, quando as luzes do dia já estavam quase apagadas. Ela estava lá, com seu rosto cheio de compaixão e rugas. O carinho de suas mãos eram bálsamo e ela disse bem baixinho ao meu ouvido: “Está tudo bem, minha filha. Deixa ir”. E eu deixei. Era ridículo tentar reter o fluxo da vida, assim como é inútil tentar segurar a água entre os dedos. Eu precisava morrer mais uma vez para renascer mais sábia e mais forte. Mas era dolorido demais morrer. Estava cansada de ser inverno.

Notei que suas precárias vestes estavam ainda mais rasgadas e suas pernas feridas por profundos cortes ao que ela me explicou ser devido aos inúmeros obstáculos que eu havia deixado no caminho – mágoas, tanto ódio e tantas armadilhas para tentar aprisionar a dor, esta ave maldita. Ela apenas esboçou um sorriso e disse que quando eu me feria todas as mulheres do mundo sentiam a minha dor.

A velha sorriu, dividiu comigo a sua medicina e se deitou ao meu lado para descansar da viagem. Ela cheirava às ervas do campo e à terra molhada.

📚DICA DE LEITURA: “MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS” de Clarissa Pinkola Estes

Aceitei o chamado para mergulhar nesta leitura tão envolvente e intensa. Trata-se de um livro que não passa indiferente àquelas e àqueles que possuem este ardente e íntimo desejo pelo selvagem.

O que é o selvagem? O selvagem é a nossa mais pura verdade, nossa nudez desta camada de concreto que foi colocada sobre o nosso saber ancestral. É tudo aquilo que já sabemos mas que precisamos recordar porque os anos de civilidade foi encobrindo.

Não pretendo realizar uma resenha deste livro e não quero resumi-lo em uma indicação de leitura recreativa porque ele foi muito bem escrito e merece um contato íntimo e particular com cada um que o encontrar. Ele é tão rico em lições necessárias à nossa vida que, para mim, tem sido como ter encontrado um tesouro.

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Se, por um acaso, você o deseja ler mas está com preguiça ou não sobrou dinheiro para procurá-lo em um sebo ou livraria, deixo abaixo o link do livro em formato PDF.

Mulheres que correm com os lobos 📚👍

Apreciem a leitura!

O SANGUE MENSTRUAL COMO CANAL DE RECONEXÃO COM O SAGRADO FEMININO – Dia 10 do Diário da Lua Vermelha

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Momento de grande poder, o ciclo feminino se fecha com a chegada da menstruação. O sangue menstrual te permite morrer e renascer por meio de seu próprio ventre e te convida a deixar ir tudo aquilo do qual você não necessita mais:

  • Os padrões negativos que vem se repetindo;

  • As crenças limitantes que estão barrando seu crescimento pessoal e te impedindo de alçar vôos maiores;

  • As emoções tóxicas que foram engolidas e que poderiam até mesmo se transformar em doenças e desequilíbrios de todos os tipos se não forem escoadas neste sangue que te liberta;

  • Os medos irracionais que tens carregado desde a infância, as escolhas que tem feito ao longo da vida baseadas no medo;

  • As frustrações das necessidades primitivas não atendidas dos tempos que você ainda era tão pequenininha que nada compreendia deste mundo além do útero de sua mãe;

  • As fragilidades que ainda não foram transformadas em força e que estão aí esperando para serem curadas de modo que você possa ser a mulher que você nasceu para ser.

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Este sangue que você tanto nega, que você passou tanto tempo considerando sujo, vergonhoso, incapacitante é, na verdade, a chave que pode abrir as portas de todas estas prisões. Não precisa temê-lo. Permita-se tocá-lo com seus dedos. Permita utilizá-lo para escrever ou desenhar sobre sua pele. Sinta sua textura. Sinta o seu cheiro. Sinta as diferentes temperaturas. Ele é puro sim. Esqueça tudo o que você já viu e ouviu sobre o sangue menstrual. Permita-se este íntimo momento de reconexão. Talvez, inicialmente, você não se sinta muito à vontade ainda e está tudo bem… Não se cobre. Este acolhimento acontecerá no seu tempo.

Passamos muitos séculos sendo oprimidas por uma sociedade que se voltou contra os saberes ancestrais femininos. A região genital se tornou objeto de exploração e abuso, o orgasmo e o bem estar feminino foi perdendo espaço nesta sociedade excessivamente fálice e a menstruação – este fenômeno tão natural e sadio – começou a ser tratado como motivo de vergonha e tabu.

A sociedade nos inculcou que o sangue menstrual era sujo, que deveria ser escondido ou que deveríamos nos livrar dele o mais rápido possível, como se fosse um lixo que deve ser imediatamente descartado. Basta pensar nas propagandas de absorvente feminino com propriedades que neutralizam odores e com o sangue sendo representado pela cor azul, o que sugere que o sangue menstrual é algo realmente desagradável e mal cheiroso.

O que poucas mulheres sabem é que o cheiro desagradável não está ligado diretamente ao sangue mas sim aos produtos químicos contidos nos absorventes. Os absorventes descartáveis são feitos com componentes que, em contato com o sangue, reagem e produzem odor ruim. Para confirmar este fato basta fazer um teste: substitua os absorventes descartáveis por alguma alternativa livre de quaisquer química e compare. Você irá perceber que não sentirá nenhum odor ruim, apenas cheiro de ferro, característico do sangue menstrual.

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Uma outra informação muito útil – que inclusive explica porque muitas mulheres tem aderido à prática ancestral de Plantar a Lua, ou seja, de versar o seu sangue menstrual de volta à Mãe Terra – é que o sangue menstrual é um poderosíssimo fertilizante natural, rico em nitrogênio, potássio e fósforo. O nitrogênio é essencial para o crescimento das plantas; o potássio atua nas reações enzimáticas e se relaciona com a fotossíntese e o fósforo estimula o crescimento e a formação de novas raízes e sementes.

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De forma simbólica e singela, o ritual de Plantar a Lua é uma forma de agradecermos à Mãe Terra e nos unirmos à ela e a todas as outras mulheres que aqui estão e que aqui estiveram, gerando vida. É muito simples. Basta coletar seu sangue por meio de algum absorvente reutilizável ou copinho menstrual, misturá-lo em água na proporção de 90% água e 10% sangue e, simplesmente utilizar esta mistura para regar as suas plantas que crescerão bem mais rápido e mais viçosas.

Se tudo isso ainda é novidade para você e estes processos ainda não está muito claro, assista este vídeo no qual a visionária do projeto Danza Medicina explica de forma muito simples:

Namaste!

O ENSINAMENTO DA XÍCARA DE CHÁ

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Enquanto caminhava com seu discípulo um mestre aproveitou a oportunidade para transmitir a ele seus ensinamentos. Distraído com a conversa, o discípulo encontrava dificuldades em compreender o que o mestre lhe passava. Então o mestre o convidou a voltar ao templo e tomar chá.

Chegando ao templo o discípulo, prestativo, foi preparar o chá e, quando já estava pronto, voltou para servir o mestre. Para surpresa do discípulo, quando este estava para encher a sua própria xícara, o mestre – já com sua xícara cheia – pediu para ele versar mais chá.

O discípulo questionou: – “Mas a sua xícara já está cheia!”

O mestre, impávido, confirma: – “Sim, mas por favor, coloque mais chá em minha xícara!”

E assim fez o discípulo.

O chá começa a transbordar para a bandeja e, assustado, o discípulo pára…

O mestre insiste em sua solicitação: quer que ele continue a colocar mais e mais chá em sua xícara. O chá então escorre pela bandeja e cai no chão. O bule fica vazio.

Percebendo a reação de seu discípulo, o mestre, indaga: – “O que você aprendeu com isto?”

O discípulo diz que não aprendeu nada, pois ele já sabia que o chá iria escorrer para a bandeja e, depois, para o chão.

O mestre retruca:

“O ensinamento que isto nos traz é que para caber mais chá na xícara, a xícara precisa estar um pouco vazia. Em xícara cheia não cabe mais chá.”

E continuou: – “Assim também somos nós! Assim é a nossa cabeça. Quando achamos que sabemos tudo, quando temos muitas certezas, quando a nossa cabeça está totalmente cheia de verdades, então a nossa cabeça não tem espaço para mais nada, novos ensinamentos e percepções não conseguem chegar. É necessário ter permanentemente a nossa cabeça um pouco vazia para poder apreender as mudanças da realidade que nos cerca, sob o risco de nos divorciarmos da realidade.”

O discípulo começou a entender e o mestre seguiu com a lição:

– “As nossas certezas vêm do que vivemos no passado. Mas o passado já passou, e o que acontece hoje não pode ser interpretado à luz do passado. Isso seria o mesmo que caminhar em uma noite escura, para frente, em um caminho desconhecido, com uma vela acesa às nossas costas, iluminado o caminho já percorrido.

E finalizou: – “Relaxe e deixe sempre sua cabeça um pouco vazia para apreender o que o mundo lhe oferta de novidades e oportunidades.”

Desejo que você também se inspire a se esvaziar um pouco para que possa ser preenchido de mais sabedoria.

Namaste!

A TPM COMO PROCESSO DE CURA E TRANSFORMAÇÃO PESSOAL – Dia 9 do Diário da Lua Vermelha

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O período pré-menstrual é um excelente momento no qual podemos aproveitar para entrarmos em contato com o nosso lado mais sombrio, com nossas neuroses, com nossos traumas, com nossos pontos fracos e CURAR. Sim, é um momento preparatório, no qual devemos estar muito atentas àquilo que o inconsciente está trazendo à tona. Pode ser dolorido, pode ser desgastante, pode ser complicado, mas você deve amparar o seu “Lado Negro da Força” para poder se tornar íntegra. Somos Yin e Yang. Somos Luz e Escuridão.

Nesta fase precedente ao ciclo menstrual, os níveis de estrógeno e progesterona começam a entrar em declínio e, assim como a lua começa a minguar, nós, mulheres, também minguamos. Inicia um período sutil de “morte” e “escuridão”. Nosso cabelo e pele começam a não ficar tão bonitos, nossa aparência física começa a não ser tão exuberante e nós começamos a nos sentir menos dispostas e mais introspectivas. Este é o momento no qual pode aflorar uma certa insatisfação pessoal, irritação, intolerância, hostilidade, impaciência, agressividade e depressão. As pessoas ao redor começam a representar alguns desafios de convivência e discursos baseados em A podem ser interpretados como B.

O período Pré-Menstrual, também conhecido como Fase Lútea, começa  no final da Ovulação e se estende até o início da Menstruação. A energia correspondente é o Outono, o arquétipo é o da Anciã, Lua Minguante, Feiticeira, a energia do anoitecer. A direção Oeste e o animal de poder é o Jaguar. Nesta fase somos menos receptivas porque paramos de doar nossa energia para o mundo exterior e passamos a voltar nossa energia para dentro.

Uma das grandes “vilãs” das mulheres entra em cena: a TPM, temida e odiada Tensão Pré-Menstrual. Raiva, Fragilidade, Fome, Insônia, Agressividade, Carência, Necessidade de Atenção, Intolerância, tudo ao mesmo tempo. Um pingo d’água pode virar uma tsunami. Uma discussão que poderia ser deixada de lado pode se transformar num campo de batalha. Tudo aquilo que não foi aceito, compreendido, integrado e curado vai bater em nossa porta, como se fosse um fantasma dizendo: “Ei, eu estou aqui”.

Evitar, se entorpecer de analgésicos, encher a cara de álcool, fumar uma carteira de cigarros, agredir as pessoas ao seu redor, brigar no trânsito, chorar até esgotar as lágrimas ou comer um pote inteiro de sorvete como se não houvesse amanhã, não irá resolver nada. Pode até trazer um alívio momentâneo mas, NO MÊS QUE VEM, os seus demônios vão estar à solta novamente e aí você vai colocar tudo a perder outra vez. Vai falar palavras duras (com ou sem razão) para as pessoas que lhe são caras. Vai dar um chega pra lá no cachorro que vem te receber todo alegrinho depois do trabalho. Vai querer estrangular o seu chefe / marido / namorado e querer devolver os filhos para a cegonha por correio expresso.

Se você quiser fazer as pazes consigo mesma, aceitar e integrar o seu OUTRO LADO, curar questões que podem estar sendo arrastadas por anos, se sentir melhor e mais tranquila, acolher as suas fragilidades e transmutá-las, enfim, evoluir como pessoa, você vai precisar encarar esse período de forma mais consciente. Vai precisar olhar para si mesma como você se visse de fora, como uma mera observadora. Vai ter que redobrar os cuidados para não se perder nesse furacão. Vai ter que olhar para si mesmo como quem precisa esmiuçar um turbilhão de sintomas que nada mais são do que pedidos de socorro.

De acordo com Morena Cardoso, do projeto Danza Medicina, a TPM, apesar de desconfortável, nos salva de somatizarmos muitos problemas. É ela que nos dá força e coragem para tomar aquelas decisões que são necessárias para que nosso corpo não adoeça pois ela nos mostra exatamente tudo que estamos internalizando de forma equivocada e prejudicial. O momento da TPM é propício para que façamos uma grande faxina: limpando, liberando e curando tudo aquilo que não nos serve mais, interno e externamente. É o momento perfeito para tirarmos as nossas máscaras, para sairmos dos labirintos que nós criamos dentro de nós e nos perdemos, é a hora certa para identificar e liberar padrões negativos repetitivos, traumas, crenças limitantes, sapos engolidos, escolhas realizadas por medo, entre outras coisas que vão se tornando evidente conforme a TPM vai nos trazendo.

Infelizmente, esse é um momento difícil para todas nós e não adianta buscar fora a força que está escondida aí dentro, em algum lugar. Não adianta depositar no outro a expectativa por uma salvação. Não adianta querer que o outro traga alento à sua dor ou tente não te incomodar. A TPM nos chama para exercermos a auto responsabilidade e para colocarmos em prática nosso poder de curandeira.

Você já pisou em um espinho? Já sentiu quão dolorido ele é quando ele ainda está cravado dentro da nossa carne, inflamando e fazendo nosso corpo ficar sensível ao menor toque? Se sim, você também sabe como é delicioso o alívio que vem quando tomamos a coragem de arrancá-lo, pois após a aceitação da dor momentânea, vem uma incrível sensação de bem estar na qual o corpo, livre daquele objeto estranho, começa a se regenerar e cicatrizar. A inflamação se vai e a cura chega.

Assim somos nós, precisamos ter a coragem de arrancar os espinhos que nos foram cravados. Só assim viveremos de forma mais prazerosa e leve.

Namastê!

A PLENITUDE DA MULHER E O PODER DE GERAR – Dia 8 do Diário da Lua Vermelha

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Fotografia: Diego de Jesus – Divulgação.

A maior parte das mulheres tem muito medo de sua fertilidade. Com exceção daquelas que, por escolha pessoal, não tem e nunca tiveram o desejo de se tornar mãe, nós mulheres que queremos nos tornar mãe – ou já somos mãe e já passamos bons bocados para entender que filho é coisa séria – passamos boa parte de nossas vidas encarando a fertilidade com grande medo e desconhecimento.

O controle de nosso corpo – e de nosso poder de dar a vida – é equivocadamente dado aos hormônios sintéticos dos Anticoncepcionais que, em um dado momento da nossa história, representou a liberdade feminina mas hoje está mais do que evidente que não podemos e não devemos ganhar a “liberdade” às custas de nossa saúde. Apesar de estarmos vivendo um período onde as extenuantes jornadas de trabalho e sobrecarga de obrigações possam adiar ou mesmo anular o desejo de sermos mãe, a nossa saúde deve ser sempre prioridade ao considerarmos a escolha do método contraceptivo.

Apesar de tantos avanços tecnológicos, de tantos estudos já realizados acerca da sexualidade e da fertilidade humana, você não considera um tanto quanto estranho que exista tantos métodos contraceptivos voltados à mulher e apenas 3 (camisinha, vasectomia e coito interrompido) para os homens? Eu não discuto a importância e a necessidade de utilização desses métodos e profiláticos pois, entendo que além da “proteção” contra uma concepção que não foi planejada é estritamente importante para homens e mulheres, a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis mas questiono sim esta preguiça da ciência em desenvolver contraceptivos masculinos. Ora, a conta é bem lógica: a mulher ovula apenas uma vez ao mês, o que significa que é apenas em um período específico que nós somos férteis, enquanto que os homens liberam milhares de espermatozoides cada vez que ejacula. Sendo assim, é correto que a RESPONSABILIDADE do controle da fertilidade seja apenas nosso?

Você deve ter uma amiga ou conhecida que levou uma saravaiada de balas quando declarou ao mundo que havia engravidado por ter feito sexo sem proteção (camisinha /  anticoncepcional / permitiu gozar dentro) seja com um parceiro eventual ou mesmo com um companheiro de longa data. Quando uma coisa do gênero acontece, os olhares e línguas maldosas recaem sobre a mulher como se o homem não houvesse participado do ato, ou fosse um mero coadjuvante. Sinceramente, quantos séculos serão necessários para que a sociedade compreenda que sexo é a dois e são DUAS PESSOAS FÉRTEIS que possibilitam a concepção de uma criança. Já está mais do que na hora de superarmos esta ignorância medieval de pensar que se uma criança vem ao mundo de forma não planejada a “culpa” é da mulher.

Que dois pontos fiquem muito claros: eu considero MAIS DO QUE NECESSÁRIO que o nascimento de uma criança seja algo maravilhoso, realizado conscientemente entre duas pessoas que se amam ou que – pelo menos – possibilitarão a esta criança uma vida digna e um ambiente propício para um desenvolvimento saudável e feliz. No entanto, estou mais do que farta de me deparar com situações em que colocam sobre os ombros femininos uma culpa que não existe e nunca existirá. A vida é um dom e se uma criança nasce, isto ocorre devido a uma relação sexual entre duas pessoas que, independentemente do contexto em que este ato tenha ocorrido, possuem IGUAL RESPONSABILIDADE no que diz respeito à possibilidade de ocorrer uma concepção. Ora se uma mulher e um homem não planejam / não desejam ter um filho em um determinado momento da vida / de jeito nenhum, ambos devem buscar meios de evitar a concepção de forma que seja confortável / saudável e em comum acordo entre ambos.

Infelizmente, por uma questão de comodidade ou “praticidade” a maior parte das mulheres tem pouquíssimo conhecimento sobre as diversas opções de contracepção disponíveis. Raros são os ginecologistas que discutem com seus pacientes as opções disponíveis falando abertamente sobre seus riscos e benefícios. Ainda mais raros ou quase inexistentes são os profissionais que explicam para suas pacientes sobre o ciclo feminino, auxiliando a mulher a conhecer melhor o seu corpo, acompanhar as suas fases e saber identificar corretamente em qual fase do ciclo ela está fértil e, consequentemente, tem mais probabilidade de engravidar.

Sem falar das mulheres que, sem nem mesmo considerar os riscos envolvidos, optam por utilizar pílula / DIU / outro método apenas porque o parceiro se sente desconfortável em utilizar preservativo. Assim, para que ocorra uma relação sexual “sem preocupação” para o casal no qual a mulher não irá engravidar e o homem poderá usufruir da liberdade de sentir prazer e não estar envolvido por uma camada de borracha, a mulher fica exposta não só aos inúmeros problemas que podem decorrer do uso indevido / incorreto ou não avaliado de hormônios sintéticos. É justo que, por um prazer a dois, um tenha que se sacrificar em ter graves problemas de saúde? E quando, apesar deste “sacrifício”, este mesmo homem que NÃO GOSTA de usar preservativo se permite ter várias parceiras diferentes além da NAMORADA / ESPOSA / COMPANHEIRA e a expõe a uma série de doenças sexualmente transmissíveis?

A reconexão com o Sagrado Feminino nos pede para encarar de frente todas essas questões que envolvem também o nosso posicionamento social, as crenças que foram inculcadas, a responsabilidade por nosso corpo e escolhas que possam impactar nossa saúde, a forma com que nos relacionamos com nossos parceiros e principalmente, de que modo nos relacionamos com nossa fertilidade e potencial de maternidade.

Retomar ao estado natural, voltar a ser cíclica e orgânica, nos coloca em contato com diversas questões que devem ser trazidas à luz da consciência. Não basta apenas deixar de tomar pílulas e acompanhar o dia-a-dia do meu corpo, como no meu caso, ou trocar o método contraceptivo mas não mudar a sua postura diante da vida.

Nesse processo de transição, tenho me deparado com diversos questionamentos e tenho encarado de perto muitas dificuldades relacionadas à tudo aquilo que passei anos evitando que se manifestasse. Tem sido sim muito difícil admitir que sou composta de fases bem diversas entre si e, mês a mês, percebo uma série de padrões negativos que insistem em se repetir mas que, com paciência e compreensão, estou disposta a curar. Os questionamentos mais comuns que tem se apresentado são:

Eu confio no meu corpo e nos sinais que ele me dá?

Eu cuido da minha saúde?

Eu me permito conhecer a mim mesma ou continuo a repetir padrões negativos?

Eu tenho crenças negativas sobre meu corpo, minha sexualidade, a forma com que me relaciono afetivamente com meu parceiro e com o mundo?

Eu continuo a repetir o “mantra” de que ser homem é melhor ou mais fácil que ser mulher?

Ser cíclica é um problema que me impede de viver plenamente?

O meu companheiro, as pessoas mais próximas e eu mesmo tenho respeitado os meus ciclos?

Estou delegando a terceiros a responsabilidade do meu corpo, da minha sexualidade, das minhas expectativas?

Minhas escolhas são realmente conscientes e consideram minha saúde e bem estar ou são apenas escolhas baseadas no medo?

De que forma eu exerço os meus direitos como mulher?

Tenho legitimado meus direitos à dignidade como mulher ou tenho permitido que a sociedade ou mesmo meu companheiro me submeta a algo que não me faz bem ou que não é aquilo que eu realmente desejo para mim como indivíduo?

A minha fertilidade ou a maternidade é encarada com naturalidade ou ainda é vista como um fardo?

O sexo, para mim, tem sido um modo de obter prazer ou estou apenas preocupada em satisfazer o prazer alheio sem considerar minhas próprias vontades ou necessidades?

Eu conheço ou me permito conhecer o meu corpo e o meu potencial de sentir prazer sexual e bem estar em ser mulher?

Quais são os seus conceitos acerca da maternidade?

Como você se relaciona com outras mulheres e com sua própria mãe?

Apesar de todas as dificuldades que surgem quando olhamos com uma lupa para dentro de nós mesmas e de algumas constatações que, no meu caso, tem sido muito decepcionantes, eu continuo a me abrir para que a Sabedoria Ancestral me acolha e cure todas as minhas feridas do corpo e da alma. Passei muitos e muitos anos evitando este encontro comigo mesma e, quando finalmente me olhei no espelho eu me deparei com uma mulher negligenciada, cheia de mágoas, cheia de comportamentos nocivos e que nunca havia tomado para si a própria responsabilidade e capacidade de ser feliz.

O caminho não é simples e não existe uma fórmula mágica porque, apesar de estarmos ligadas em uma grande irmandade, todas nós somos únicas e temos histórias únicas. O bom de fazermos parte de uma “tribo” de mulheres que aceitou o chamado para despertar, é que podemos suavizar as nossas dores e dificuldades do universo feminino compartilhando vivências e nos auxiliando mutuamente. Quando uma mulher se cura, também cura outras mulheres.

Seremos sempre mutáveis, como a Lua, e isso nos impulsiona a aproveitarmos nossos ciclos para mudarmos para melhor.

Namaste!

Se você se sente pronta para se aprofundar e quer aprender mais sobre o Sagrado Feminino, sobre seu corpo e sobre empoderamento, entre no site www.danzamedicina.net/programaonline e cadastre-se para receber gratuitamente sua Mandala da Lua, um excelente instrumento de mapeamento e estudo do seu ciclo menstrual.