Despertar para o seu propósito, com a lição de Sri Prem Baba

​É sempre um pouco complicado compreender o verdadeiro sentido da palavra propósito. Esta palavra não tinha muita importância em minha vida até o dia em que a sensação de não pertencimento me tomou por inteira. Sabe quando você se sente um verdadeiro alienígena, uma peça quebrada na engrenagem do mundo, um desconhecido até para si mesmo? O que fazer com aquilo que se chama vida? O que não fazer? Para onde ir? O que buscar? Começam as perguntas…

É como se a criança que existe em nós finalmente conseguisse se fazer ser ouvida. Por quê isto? Por quê aquilo? E por mais que você repita a si mesmo “porque sim”, “as coisas são assim mesmo” , esta criança nunca para de indagar e faz de tudo chamar a sua atenção. Um belo dia você a nota e ela te vence pelo cansaço pois ela quer saber, afinal, para quê veio ao mundo. Não tem mais como declinar. Você a ouve porque ela te venceu pelo grito. 

Tudo se tor a maçante, pesado demais para arrastar por aí. A criança quer liberdade, quer balançar entre as escolhas da vida, muito mais do que o sim e o não. E então começamos o movimento de soltar os cadarços, os laços, as gravatas, de deixar ir, de começar do zero, de rabiscar tudo outra vez e reescrever a própria história. Não pense você que é fácil. Não, não é. Ainda mais quando entre as coisas que você precisa deixar estão a sua casa, a sua família, o seu (ou os seus filhos), sua posição social, seu emprego, casamentos, sociedades, a sua pátria, o seu jeito de fazer as coisas, os hábitos (bons e maus) de sua cultura. A esta altura começa a ver que a vida é muito mais que apenas sobreviver e que é justamente a partir deste ponto que a vida -real – começa a acontecer. 

As lágrimas descem livres, como cachoeira, ao menor e mais inocente estímulo. É porque agora se está à flor da pele. Caíram todas as cascas, as armaduras pesadas de uma existência controlada por padrões estão todas por terra. Agora não se pode mais estar anestesiado / high / apático e as coisas doem de verdade, como o antigo Mertiolate que fez parte de nossas infâncias. Mas este também é o ponto onde começamos a nos libertar para criar o novo, para reaprender a viver e este sentimento de voltar a pertencer a si mesmo é algo indescritível. Entretanto, dói. Dói porque se está crescendo. Dói porque os sapatos do que era antes já não servem mais. Dói porque não sou mais a Paula que eu era, não sou mais os rótulos, os diplomas, os papéis sociais, os adjetivos que o mundo me deu. Dói porque percebemos que não éramos de fato as mães, pais, filhos, maridos, esposas, irmãos, profissionais, e tudo o mais que pensávamos que éramos. Dói porque é preciso reaprender tudo isso pela ótica do Amor e não do medo, que era a base que sustentava boa parte (para não dizer todas) as escolhas que fazíamos. 

Diante desta imensidão de possibilidades, ao contrário daquele ‘mundo’ da escassez, da competição, do ódio, do egoísmo, da ilusão que criamos em nosso entorno, sentimos medo porque estamos ainda apegados aos velhos padrões e identificados com aquilo que pensávamos que éramos, o Ego. 

Como é difícil dar os primeiros passos! Como é difícil aceitar que antes de andar você engatinhou… Como é difícil ter a humildade de aceitar este treino para a nova vida! Quantas vezes, ainda que eu não perceba de imediato, me surpreendo tentando “queimar as etapas” e perdendo a beleza do pôr-do-sol… Quantas vezes me sinto pronta para dar um passo bem grande e, sem conhecer bem o terreno onde meus pés estão pisando, caio, machuco os joelhos e sou obrigada a resguardar a saúde. Quantas vezes me sento cansada à beira do caminho e olho para trás como se estivesse perdendo algo importante. Quanta vaidade, quanto apego, quanta ignorância, meu Deus!

Então, como um milagre, surgem as palavras de Sri Prem Baba que, amorosamente, está empenhado em ajudar a todos os buscadores a encontrar a verdadeira razão de estarmos aqui. Segundo sua definição, “propósito é o modo que  o Amor se manifesta através de você”. No entanto, este Amor não encontra meios de se realizar se você ainda estiver ancorado no medo, Ele não irá se desenvolver e se revelar se a sua existência e sua (in)consciência ainda estiver baseada na sobrevivência. 

Somente quando despertamos desta delusão é que começaremos a aflorar as nossas potencialidades. Enquanto você tiver raiva do mundo, das pessoas e de si mesmo, o propósito será apenas uma semente em terreno árido. Para Prem Baba, propósito tem a ver com o serviço, com tornar o mundo, as pessoas e a si mesmo mais feliz e isto só é possível por meio do Amor, deixando que ele flua em sua consciência como as águas de um rio.

Meditemos em suas palavras. 

🙏

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