10 coisas nas quais o Brasil 🇧🇷 é nota 0 👎

O Brasil é lindo, querido e acolhedor. Mas também apresenta algumas peculiaridades que se tornam uma pedrinha no sapato daquelas pessoas mais inconformistas e que buscam (justamente por saber que o mundo é muito, mais muito amplo) uma nova forma de viver e poder ser feliz de verdade.

Infelizmente, entre outros problemas, nosso país sofre de um grave complexo de inferioridade e, embora seja “gigante pela própria natureza”, não consegue encarar a si mesmo como uma nação que tem TODAS AS CARACTERÍSTICAS NATURAIS E TODO POTENCIAL SOCIAL E ECONÔMICO PARA SER UMA NAÇÃO PRÓSPERA. Lutar contra a indolência deste gigante, todos os dias, da hora em que saímos das nossas casas para ir ao trabalho à hora que voltamos para os nossos lares, se torna uma tarefa hercúlea, mais enfadonha que a própria jornada de trabalho que, durante cinco (ou mais anos) de nossas vidas, nos preparamos para exercer. E o que dizer dos empreendedores que, embora estejam contribuindo com o desenvolvimento socioeconômico do país, ainda tem que sobreviver à altíssima carga tributária que, por si só, míngua quase todas as chances de um empreendimento dar certo por aqui.

É por essas e outras que, até mesmo em tom de desabafo, listei dez coisas em que o Brasil vai muito mal e que, se tivesse uma postura diferente, poderíamos ter um país muito melhor para se viver e, consequentemente, muito mais próspero.

1 – O Brasil não respeita seu patrimônio histórico e menospreza sua história

Patrimonio / Sobrado na rua da Direita, precisa de reforma
Crédito: Euler Junior/EM/D.A Press. Brasil. A cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, é um exemplo clássico deste descaso. Casarões históricos e obras de arte, como as do Aleijadinho, estão sob a ação do tempo.

Não é preciso ser um arquiteto para ficar horrorizado com o descaso que o país tem para com o seu patrimônio histórico. Nos meus tempos de repórter, fiz muitas denúncias quanto a casarões abandonados no centro de Ribeirão Preto (SP), os quais eram utilizados como ponto de distribuição e uso de crack e outras drogas e, também, que eram criadouros de dengue. Em quaisquer cidade que você vá, não é muito difícil encontrar situações similares e não tem como não ficar triste com o estado da maioria destas construções seculares, na maior parte das vezes esquecidas e caindo aos pedaços. Existe lei de tombamento e proteção do patrimônio histórico? Sim, claro que tem, mas como a maioria das leis brasileiras ela é “fraca” ou “não pega”. Diferentemente do que vi na Itália, em que a preservação da patrimônio histórico e artístico é algo muito valorizado e levado à sério, o Brasil parece não querer nem saber sobre seu passado, o que dirá de seu futuro.

2 – O Brasil não conhece o Brasil

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Embora também exista italianos que não conhecem un cazzo de seu próprio país (que é bem menor que o nosso) a situação aqui no Brasil é pior porque, além das delimitações das condições financeiras de muitos brasileiros, que tornam o verbo viajar possível de ser conjugado apenas pelos mais abastados financeiramente, o brasileiro que tem alguma condição financeira para poder conhecer as maravilhas de seu país, não gosta e não se interessa muito pelo Brasil e acha mais chique gastar em dólar ou em euro, explorando pontos turísticos de outros países, em vez de viajar para destinos nacionais e conhecer melhor nossa natureza abundante e nossa cultura tão rica e diversificada.

3 – O Brasil está se tornando uma cópia mal feita da terra do Tio Sam

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31 de Outubro: É Halloween ou Dia do Saci? Decidam!

Passear no parque? Pra quê, se eu posso passear no Shopping com toda segurança, conveniência e ar condicionado? Preparar uma refeição em casa para seus amigos ou sua família, seguindo aquela receita secreta da sua avó? Pra quê, se eu posso ir em um restaurante badalado ou comer aquele lanche 🍔 cheio de bacon, hambúrguer de péssima qualidade, ketchup, mostarda, maionese e queijo processado que fica pronto em menos de 5 minutos? Vinho bom? Só se for o mais caro da prateleira do mercado. Festa badalada? Só se contratar o melhor buffet da cidade e pagar uma fortuna para o decorador transformar o primeiro ano de seu filho em uma cerimônia do Oscar. Moda? O novo modelito usado pelas Kardashians ou pela Beyocè na última. Comprar coisas novas a todo momento? Claro que sim, afinal uma roupa usada uma vez já não serve mais para nada e sempre tem um liquidificador, uma máquina de lavar ou mesmo um carro com um design mais arrojado ou uma tecnologia mais avançada! Produto nacional, made in Brazil? Nem pensar! Produto bom é produto importado, caro e acrescido de mais de 60% de impostos.

4 – Aparência VS Essência

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Gracyanne, uma das musas fitness e maiores marombeiras do Brasil. Ainda bem que toda moda passa algum dia. #oremos

Eu DUVIDO que em qualquer outro lugar DO MUNDO a “boa forma” corporal e a “beleza” é considerada algo tão importante como ocorre no Brasil. É sério isso, gente. A aparência aqui conta muito mais que o que a pessoa pensa, como ela realmente é e o que ela faz da vida. O Brasil é um país em que as pessoas se tornam celebridade pelo tamanho de sua bunda, rotina de treino, dieta, marca de Whey Protein ou a quantidade de anabolizante que consome enquanto que as pessoas que descobrem alternativas de cura para o câncer, por exemplo, irão morrer em completo anonimato. Em uma roda de conversa de mulheres e homens, falar de dieta, da melhor academia de “cross fit“, de plástica, de abdômen “trincado“, “corpo ideal“, “projeto verão“, “tipo panicat“, “cabelo bom“, é uma coisa extremamente trivial. Quem não está nesses padrões ou não tem saco para essas coisas está à margem da sociedade e é considerado feio ou estranho. Como se fosse “normal” e “bonito” ostentar um corpo igual ao da Gracyanne Barbosa… Pelo amor!

5 – No Brasil as frutas e verduras contém mais agrotóxico do que nutrientes

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E enquanto a indústria química e farmacêutica engrossa suas contas bancárias, seguimos nossas vidas ingerindo o “veneno nosso de cada dia”.

Nós já fizemos um post  aqui no blog para falar sobre o problema gravíssimo do uso indiscriminado de agrotóxico no Brasil 💀 , no qual apresentamos uma pesquisa divulgada pela Anvisa que expõe o ranking com os alimentos que possuem a maior quantidade destas substâncias que, entre outros danos à saúde, pode contribuir com o desenvolvimento de câncer. O Brasil é o maior produtor e o maior consumidor de agrotóxico mundial 💀, seguido da Alemanha e do Canadá. O pior é que alguns desses venenos que já foram proibidos por países como os Estados Unidos, por exemplo, ainda são usados e PERMITIDOS 💀 aqui. Só para constar: de 2008 a 2014 foram despejados mais de 1 BILHÃO de litros de agrotóxicos em nossas lavouras o que corresponde ao consumo de aproximadamente 5 litros de agrotóxico para cada 1 brasileiro. E mais: para cada US$ 1 gasto com agrotóxicos são gastos US$ 1,28 em medicamentos. Estranho isso, não? Pois é, uma das coisas que mais me agradou na Itália foi justamente o fato de os italianos estarem mais integrados com as estações do ano. Os restaurantes de lá mudam seu cardápio de acordo com os alimentos da estação e a maioria da população de lá prefere comprar alimentos de produtores locais em vez de comprá-los de grandes indústrias. OBS: Se você quiser aprender como remover resíduos de agrotóxicos dos alimentos, dá um clique no link do post e saiba mais. 

6 – O Brasil acha normal beber refrigerante desde criança

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Desde agosto deste ano, a venda de refrigerantes em escolas infantis brasileiras está proibida. Agora só falta as pessoas entenderem que refrigerante não é uma opção saudável para se oferecer a crianças e bebês. #oremos mais uma vez! 

Se, por um lado, a garrafa de Coca-Cola de 3 litros não pode faltar em uma refeição em família ou em um churrasco com os amigos, por outro, é uma verdadeira raridade encontrá-la sobre uma mesa italiana. Até mesmo o suco, uma opção mais saudável, não é uma coisa muito comum por lá. De modo geral, para acompanhar uma refeição os italianos bebem água (liscia ou frizzante) ou vinho. Enquanto a outra opção de bebida para adultos durante as refeições seja o vinho, a criança por bebe água. Não que eu seja totalmente contra beber refrigerante. Deus é testemunha do tanto que eu não resisto a um Guaraná Antarctica geladinho e o tanto que eu me esforço para evitá-lo ou substituí-lo por um copo de suco natural. Mas entre um adulto escolher tomar ou não um refrigerante e pais e avós OFERECEREM refrigerante (e todos os aromatizantes, açúcares, sódio, corantes e outras porcarias mais) para um bebê de apenas 1 ano de idade para não deixar a criança com vontade tem uma diferença enorme!

6 – No Brasil, se é “de graça” ou vem “fácil demais” não presta

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“É Cilada, Bino!”. Esse meme resume bem o que estamos falando

Vocês já ouviram aquela expressão brasileira que diz que “cavalo dado não se olha os dentes”? Por trás desse ditado está a terrível crença de que tudo aquilo que é gratuito ou vem fácil demais ou não tem valor algum ou não possui boas condições. Logo, se um evento (festaexposição de arte, show ao ar livre, entrada no museu, etc) é gratuito, a expectativa da maioria das pessoas é de que ele seja ruim. Se alguém está oferecendo algum benefício (vacinação, exame de saúde, um curso gratuito, uma oficina profissional, 10 minutos de massagem shiatsuvaga de emprego!) a tendência é pensar que trata-se de uma CILADA e não de uma oportunidade. Isso também vale pra quando alguém ‘te dá bola’. O brasileiro/brasileira costuma pensar que se alguém demonstra muito que está afim é 100% de certeza que a pessoa não presta. A nossa cultura (infelizmente) valoriza apenas aquilo que é caro (e quando eu digo caro eu digo CARO mesmo!) ou difícil de ser obtido. Pra ter algo valor no Brasil tem que sofrer, seja para pagar (tipo aquela bíblia do financiamento, em suaves prestações) ou seja para conquistar (no caso, a mulher ter que ser muito difícil e dar muitos foras nas investidas do galanteador para que ele a considere uma “mulher para casar”).

7 – No Brasil, você é pressionado a ser “alguém na vida”

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O mito do “super profissional” impera no Brasil e aqui você só é respeitado pelo cargo que exerce ou quanto dinheiro você tem. “Sabe com quem você está falando?” 

Existe no Brasil uma grande pressão em ser “bem sucedido” ou “ser alguém” na vida. Eu mesma me casei com 22 anos e tive meu filho aos 23 porque, entre outras coisas que eu pensava da vida, eu realmente acreditava no íntimo do meu ser nessa cultura louca de que se você chegar aos 30 solteiro, sem uma formação superior com uma carreira profissional estável, sem filhos, cachorro, gato, periquito, casa própria com móveis planejados e aquele carrão do ano na garagem você era sim um grande fracassado e uma desgraça para sua família. E mesmo para quem fez vestibular e entrou, a duras penas em uma universidade, paga ou particular, ter um diploma NÃO GARANTE que você encontrará seu lugar no mercado de trabalho. Aliás, o mercado de trabalho no Brasil não é visto como A Terra das Grandes Oportunidades mas sim como um monstro que, se não for devidamente dominado, irá te devorar. Quando eu pisei na faculdade pela primeira vez eu tinha APENAS 16 anos de idade e pensava que eu poderia mudar o mundo ensinando literatura. Na segunda vez que eu fiz isso (e elegi o Jornalismo) eu já tinha outros planos, outros sonhos e outros desafios. Quando eu resolvi fazer uma pós-graduação na minha área de atuação eu pensava que isto me abriria muitas portas. Mas, infelizmente, isto não aconteceu e não acontece com 90% dos brasileiros. É porque aqui no Brasil você não é valorizado por aquilo que você sabe e, se você levar os rótulos muito à sério, estará fadado a ser alguém infeliz. Fora o nepotismo, que é algo que parece ser arraigado em nossa cultura empresarial e política. Não interessa se você se formou em Stanford, se tem PhD. em Robótica, se você é a Menina do Vale, se fez intercâmbio na Austrália, se fez retiro espiritual no Tibet. Mais cedo ou mais tarde, independente de sua competência profissional, pode acontecer que você tenha que ceder sua vaga para o sobrinhx/primx/amigx/filhx/amantx/cunhadx/afilhadx do(a) dono(a) da empresa. E isso não significa, necessariamente, que você seja um zero à esquerda ou que não seja bom no que faz. Aliás, o Brasil precisa urgentemente rever o conceito de carreira pois, na maior parte dos países europeus, já se sabe que um profissional de 30 anos não tem experiência suficiente para ser considerado um expert de sua área e, depois dos 40, 50, 60+, idade em que as pessoas já conquistaram maior conhecimento, você não é descartado do mercado de trabalho como ocorre por aqui.

8 – No Brasil, quase tudo que não seja rústico, primitivo e machista é “coisa de viado”

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Porque ser livre para vestir o que quiser é sim “coisa de homem”.

Homem usando camiseta rosa ou estampada? Viado! Calça jeans apertada? Coisa de viado. Cuida da aparência? Nossa, é uma bichona. Tem um aspecto físico mais frágil ou delicado? Certeza que esse cara é viado. O menino não é bruto ou detesta jogar bola com os coleguinhas? Ih, esse aí vai virar viado. Estuda francês? Vixi, é um viado enrustido. Sabe limpar a casa e não precisa de uma mulher para cozinhar, lavar, passar ou cuidar das coisas dele? Sei não, esse aí deve ser viado. Gosta de artes? Só pode ser viado. O “coroa” começou a se preocupar com a aparência? Ah, que coisa feia, depois de velho virar viado? Veste-se de forma impecável, nos parâmetros da moda e se interessa por esses assuntos? Puta que pariu, que viado! Sabe tratar bem uma mulher e não olha para uma como se estivesse olhando para um prato de comida? No fundo, é viado. Qualquer coisa que um homem faça que não seja considerada coisa de homem, no Brasil torna-se, automaticamente, coisa de viado. Aqui no Brasil o homem vive como se precisasse provar a todo instante que é homem (no sentido de heterossexual, para ser ainda mais explícita) e isso inclui ter quase que uma obrigatoriedade de cantar uma mulher na rua mesmo que seja casado; ser grosseiro ou agressivo; discriminar opções sexuais diferentes da dele; trair a esposa ou a namorada, afinal, homem que é homem não consegue resistir a outra mulher gostosa; ser pegador; usar roupas que se encaixam no padrão (se é que existe isso mesmo) considerado masculino; arrotar, peidar, andar por aí sem camisa ou ter péssimos modos porque “homem pode né”. Na Itália, nota-se uma despreocupação em relação a esta neurose em provar 24h a masculinidade. Os homens de lá usam roupas beeeeem descoladas, independente da idade. Alguns são mais ousados, outros mais clássicos, porém elegantes, não existe cor de roupa “de viado”. Eles gostam de arte, eles sabem cuidar de uma casa, eles cruzam as pernas, eles são LIVRES para serem HOMENS DE VERDADE, independente do estilo que adotam ou da opção sexual que eles possuem. E mais: o homem homossexual italiano não é tratado com discriminação não viu. Lá eles são respeitados e não correm o risco de serem agredidos (ou mesmo mortos) como acontece no Brasil…

9 – No Brasil, “pobre não tem cultura”

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O Brasil é riquíssimo em cultura. A periferia tem cultura. Minas tem cultura. São Paulo tem cultura. O Sertão nordestino tem cultura. O Sul tem cultura. Índio é cultura. Os descendentes dos povos africanos, de asiáticos, de italianos, de alemães, entre tantos outros povos que contribuíram com a miscigenação do Brasil, são pura cultura. Mas mesmo assim há um certo ranço em admitir que todas essas contribuições artísticas, filosóficas, diferenças no modo de pensar e agir sejam cultura. Sabe se lá por qual motivo, o tal do brasileiro médio insiste na burrice de pensar que só pode ser considerado cultura uma ópera apresentada no Teatro Municipal de São Paulo ou uma apresentação do Cirque du Soleil, a título de exemplo. E quando se fala em cultura nas escolas ou de arte, na maior parte das vezes não se considera a maravilhosa diversidade cultural do país e a cultura dita como “popular” é tratada como algo de valor menor. Um pecado!

10 – A política no Brasil é uma verdadeira palhaçada!

Esse tópico eu me abstenho de escrever muito porque este fato já é de conhecimento comum. Os chiliques e farpas trocadas entre Trump e Hillary, que resume o clima eleitoral dos EUA, é quase uma piada de mal gosto comparada ao circo que fomos obrigados a pagar para assistir aqui no Brasil. Sem contar o show de horrores que é o tal do Horário Eleitoral Gratuito…

 

Mas não se desesperem e não queiram correr para as colinas. Em breve, também irei escrever as 10 coisas nas quais o Brasil 🇧🇷 é nota 10 👍 .

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Um comentário sobre “10 coisas nas quais o Brasil 🇧🇷 é nota 0 👎

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