Se io fossi un angelo, toda poesia e genialidade de Lucio Dalla

Antes de falar desta canção, falarei de seu autor, o poeta e cantor italiano Lucio Dalla (Nasceu em Bologna em 1943 e morreu em Montreux em 2012) cuja marca registrada de sua obra traz um misto de beleza, poesia e elegância. Como Dalla foi um músico formado e lapidado no jazz, ele trouxe diversas inovações que elevaram a música italiana a um outro nível perante o mundo todo. Ousado, realizou diversas  experimentações rítmicas em suas obras, o que as tornam incomparáveis ao trabalho realizado por outros músicos italianos.

Nesta canção que sugestivamente nos faz pensar nos benefícios e desafios de ser um ser angelical. Dalla diz que, na qualidade de anjo ele percorreria o mundo todo e falaria com as nações e ainda faz uma provocação ao afirmar que daria um puxão de orelha em Deus perguntando por quê Ele perdoa aqueles que fazem o mal.

É muito difícil, entre a diversidade de estilos e a genialidade das letras, escolherqual a melhor delas visto que cada uma de suas músicas nos tocam de uma forma especial. Para começar, deixo a primeira de minhas favoritas com a tradução para a língua portuguesa.

Homem Anjo

Se Io Fossi Un Angelo

Se io fossi um angelo chissà cosa farei
Alto, biondo, invisibile
Che bello che sarei
E che coraggio avrei
Sfruttandomi al massimo
È chiaro che volerei
Zingaro libero
Tutto il mondo girerei
Andrei in Afganistan
E più giù in Sudafrica
A parlare con l’America
E se non mi abbattono
Anche coi russi parlerei
Angelo se io fossi un angelo
Con lo sguardo biblico li fisserei
Vi do due ore, due ore al massimo
Poi sulla testa vi piscerei
Sulle vostre belle fabbriche
Di missili, di missili
Se io fossi un angelo, non starei nelle processioni
Nelle scatole dei presepi
Starei seduto fumando uma Marlboro
Al dolce fresco delle siepi
Sarei un buon angelo, parlerei con dio
Gli ubbidirei amandolo a modo mio
Gli parlerei a modo mio e gli direi
“cosa vuoi tu da me tu”
“i potenti che mascalzoni e tu cosa fai li perdoni”
“ma allora sbagli anche tu”
Ma poi non parlerei più
Un angelo non sarei più un angelo
Se con un calcio mi buttano giù
Al massimo sarei un diavolo
E francamente questo non mi va
Ma poi l’inferno cos’è
A parte il caldo che fa
Non è poi diverso da qui
Perché io sento che, son sicuro che
Io so che gli angeli sono milioni di milioni
E che non li vedi nei cieli ma tra gli uomini
Sono i più poveri e i più soli
Quelli presi tra le reti
E se tra gli uomini nascesse un ancora dio
Gli ubbidirei amandolo a modo mio
A modo mio…

Se eu fosse um anjo

Se eu fosse um anjo, quem sabe o que eu faria
Alto, loiro, invisível
Que bonito que eu seria
E que coragem eu teria
desfrutando ao máximo
É claro que eu voaria
Cigano livre
Todo o mundo rodaria
Eu iria para o Afeganistão
E mais abaixo na África do Sul
Conversar com a América
E se não me abatessem
até mesmo com os russos eu falaria
Anjo, se eu fosse um anjo
Com olhar bíblico eu lhes olharia fixamente
lhes daria duas horas ao máximo
Depois na cabeça deles eu mijaria
Acima de suas fabricas bonitas
De mísseis, de mísseis
Se eu fosse um anjo, eu não estaria em procissões
Nas caixas de presépios
Sentaria para fumar um cigarro
Na doce frieza dos arbustos
Eu seria um anjo bom, falaria com Deus
O obedeceria amando-o do meu jeito
Falaria com ele do meu jeito, perguntando:
“O que é que você quer de mim?”
“Os poderosos, malandros, e você o que faz, os perdoas?”
“Mas então você também erra!”
Mas depois eu não falaria mais
Um anjo, não seria mais um anjo
Se Ele com um pontapé me jogasse fora
No máximo, eu seria um diabo
E, sinceramente, isso não me cai bem
Ainda mais sendo o inferno o que é
Considerando o clima quente
Não é diferente da aqui
Porque eu sinto e tenho certeza que
Eu sei que os anjos são milhões e milhões
E você não vê-los lá nos céus, mas entre os homens
Eles são os mais pobres e os mais sozinhos
Aqueles presos nas redes
E se Deus nascer entre os homens outra vez
Eu o obedeceria amando-o do meu jeito
Do meu jeito…

*

A belíssima canção de Lucio Dalla, na interpretação da cantora Fiorella Mannoia, no tributo “A Te”, dedicado a um dos maiores poetas da Itália.

 

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