‘A Tazza ‘e Cafe’, uma canção napolitana sobre amor e… café!

ESPRESSO

Eu sou apaixonada por esta música napolitana. Acho a letra dela muito espirituosa, com um senso de humor delicado e… bem italiano. A graça desta música é pensar em toda criatividade de quem a compôs ao comparar a amada Brígida a uma pequena xícara de café: uma mulher deliciosa, porém amarga. No entanto, o personagem da canção não se deixa abater e promete que irá “girar e girar e girar” até que o todo açúcar que ela tem dentro de si venha a tona. Achei bem  ̶p̶r̶e̶t̶e̶n̶s̶i̶o̶s̶o̶  ousado para a época em que ela foi escrita (risos) .  😉

Ainda estou apanhando do dialeto napolitano mas espero que a minha tradução  ̶d̶e̶ ̶m̶e̶i̶a̶ ̶t̶i̶g̶e̶l̶a̶ ̶ ajude vocês a entender toda poesia que existe em uma simples xícara de café. ❤

*

‘A Tazza ‘e cafe’

Vurría sapé pecché si mme vedite,
facite sempe ‘a faccia amariggiata.
Ma vuje, quanto cchiù brutta ve facite,
cchiù bella a ll’uocchie mieje v’appresentate.
I’ mo nun saccio si ve n’accurgite.

E cu sti mode, oje Bríggeta,
tazza ‘e café parite,
sotto tenite ‘o zzuccaro,
e ‘ncoppa, amara site.

Ma i’ tanto ch’aggi’ ‘a girá,
e tanto ch’aggi”a vutá,
ca ‘o ddoce ‘e sott”a tazza
fin’a ‘mmocca mm’ha da arrivá.

Cchiù tiempo passa e cchiù v’arrefreddate
‘mméce ‘e ve riscaldá. Caffè squisito!
‘O bbello è ca, si pure ve gelate,
site ‘a delizia d”o ccafé granito,
facenno cuncurrenza â limunata.

Ma cu sti mode, oje Bríggeta,
tazza ‘e café parite,
sotto tenite ‘o zzuccaro,
e ‘ncoppa, amara site.

Ma i’ tanto ch’aggi’ ‘a vutá,
e tanto ch’aggi”a girà,
ca ‘o ddoce ‘e sott”a tazza
fin’a ‘mmocca mm’ha da arrivá.

Vuje site ‘a mamma d”e rrepassatore.
E i’, bellezza mia, figlio ‘e cartaro.
Si vuje ve divertite a cagná core,
i’ faccio ‘e ccarte pe’ senza denare.
Bella pareglia fóssemo a fá ‘ammore!

Ma cu sti mode, oje Bríggeta,
tazza ‘e café parite,
sotto tenite ‘o zzuccaro,
e ‘ncoppa, amara site.

Ma i’ tanto ch’aggi’ ‘a vutá,
e tanto ch’aggi”a girá,
ca ‘o ddoce ‘e sott”a tazza
fin’a ‘mmocca mm’ha da arrivá.

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Um registro feito em Napoli. Ah, esta Brígida não deve ter coração! Crédito: Divulgação.

 

Uma xícara de café

Queria saber porque quando me vê,
você faz sempre esta cara amargurada.
Mas você, quanto mais feia se faz,
mais bela a meu olhos parece.
Agora não sei se você repara isso.

E deste modo, oh Brígida,
uma xícara de café você parece:
em baixo tens o açúcar,
e em cima, amarga és.

Mas eu tanto irei girar,
e tanto irei girar,
que o doce de baixo da xícara
até na minha boca irá chegar.

Quanto mais tempo passa mais você fica gelada
ao invés de aquecer-se. Café delicioso!
O belo é que apesar de ficar gelada,
você é a delícia do grãozinho de café
fazendo concorrência à limonada.

Mas deste modo, oh Brígida,
uma xícara de café você parece,
em baixo tens o açúcar,
e em cima, amarga és.

Mas eu tanto irei girar,
e tanto irei girar,
que o doce de baixo da xícara
até na minha boca irá chegar.

Você é a mãe dos brincalhões.
E eu, beleza minha, filho de carteiro.
Se você se diverte a mudar o coração,
eu leio o futuro nas cartas sem pedir dinheiro.
Belo casal seríamos a fazer amor!

Mas deste modo, oh Brígida,
uma xícara de café parece,
em baixo tens o açúcar,
e em cima, amarga és.

Mas eu tanto irei girar,
e tanto irei girar,
que o doce de baixo da xícara
até na minha boca irá chegar.

Composição: G. Capaldo / V. Fassone. Tradução: Paula Venturin.

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