Desencontro

cigarettes_and_coffee_by_nagyi94

Deixou as portas abertas,

Vestiu o traje mais bonito,

seu sorriso, largo, era infinito;

havia escolhido as palavras certas.

 

Aquele dia passou como a vida,

Sem mesura ou qualquer certeza,

à espera, duas xícaras sobre a mesa

e um ser de expressão comovida.

 

No escoar das horas, a impaciência

fê-lo adicionar bourbon ao expresso.

– Ma che cos’è sucesso?

Indagou ao coração em turbulência.

 

Resolveu entregar-se ao acaso,

esperançoso pela quimérica surpresa,

porém, para sua tristeza,

o relógio marcava um grande atraso.

 

A noite chegou para fazer companhia,

depois veio o pranto, sem aviso.

Uniram-se num abraço convulsivo

o ser, a dúvida e a melancolia.

 

Da expectativa de um romance

restou apenas a certeza do fim

então, decidiu-se que, enfim,

não haveria mais outra chance.

 

Esquecera os sonhos e o discurso

que ensaiara por tantos anos

o coração roto em desenganos

estancou daquela vida o curso

 

Quase morreu de tristeza

Não fosse um revólver pequeno

Que disparou no sereno

Das ruas frias de Veneza.

 

VENTURIN, Paula. “Desencontro”. 

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