E encontrei o amor um oceano de distância (dedicato a te che sei l’unico in tutto il mondo) ❤

883-2014-05-23-tierra n
Continentes do planeta Terra vistos à noite por satélite. Créditos: Nasa.

Sete bilhões de pessoas em um planeta com doze mil setecentos e cinquenta e seis quilômetros de diâmetro. Cento e noventa e cinco países. Seis continentes. Nove mil quinhentos e setenta e um quilômetros de uma distância estrambólica. Cinco horas de fuso horário totalmente ignoradas. Estações e hemisférios opostos. O maior país da América do Sul e lo Stivale da Europa. Uma brasileira e um italiano. Ela de Câncer, ele de Leão. Ela, descendente de veneti e ele, salernitano D.o.C. Due pazzi!

Avessos ao absurdo do longínquo bem-querer, atreveram-se a sonhar acordados por quase dois anos enquanto perdiam muitas horas de sono tranquilo e restaurador. Refutaram aconselhamentos, previsões de desgraça, as possíveis consequências de um amor lontano e da irresponsabilidade das pessoas com os sentimentos alheios nos tempos dos parceiros transitórios catalogados pelos aplicativos de relacionamento delivery

Ainda que tudo fosse incerto e tão arriscado, resolveram non dare retta ao mimimi universal daqueles que apregoam um modo de vida descompromissado e doente. No fundo, eles deveriam saber que a vida não é para ser poupada. A geração que ainda ouvia os Titãs em sua era de Ouro se cansou de ouvir aquele hit que diz que não há guarda-chuva contra o amor. Mesmo com todo ceticismo do mundo, com tantas intempéries e marés, resistiram feito náufragos neste oceano de possibilidades que é a vida. 

Após o decorrer de quase mil e um dias e noites (na verdade foram exatos 912 dias di attesa) de uma vida que corre feito fera, desataram os nós de suas palavras e despiram seus sentidos – ainda que fosse uma verdadeira insanidade admitir que já era amor antes nesmo de ser -. Não bastavam mais olhares, mensagens, emoticons de carinho, fotos, vídeos, músicas românticas compartilhadas. Deveriam encontrar-se? Pensaram que sim. Urgentemente.

Mas ainda havia um grande oceano a transpor, dezoito horas em um pássaro de aço, as grandes filas de espera dos aeroportos, o cenho cerrado do agente de imigração, os cães que cheiram as malas à procura de drogas e explosivos, a neurose de ter um terroristas misturado aos transeuntes, o suor que banha o rosto, as mãos trêmulas, o choro de despedida da mãe, a oração que engastalhou na garganta, um rosário no pescoço, os atrasos inevitáveis, um pouco de enjoo e frio na barriga, as borboletas no estômago, a razão querendo estragar tudo, o medo da perecibilidade dos heróis homéricos…

Ao fim desta Odisseia nada, nem mesmo as anti razões da matéria, puderam parar o pulso latejante do desejo de se tornarem um. 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s